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Cotidiano
evasão escolar

Secretaria de Educação do Amazonas contesta dados divulgados sobre taxa de abandono escolar

Segundo secretaria, ao contrário do que foi divulgado por agência de notícias nacional, 65% refere-se à taxa de distorção idade/série 12/01/2012 às 08:00
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Para Gedeão, embora grave, a distorção é um problema diferente do abandono porque o aluno está na escola, ainda que cursando um ano com a idade acima do recomendado
Ana Celia Ossame Manaus

Os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) do índice de abandono no ensino médio no Amazonas, de 65,6%, foram contestados, ontem, pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc). A taxa real de abandono é de 10,4%.

 A informação, divulgada por uma agência de notícias, na verdade citou os números de um outro problema que é a distorção idade/série, disse ontem o secretário Gedeão Amorim. Para ele, embora seja grave, a distorção é um problema diferente do abandono porque, neste caso, o aluno está na escola, ainda que cursando um ano com a idade acima do recomendado.

O estudo fonte da matéria foi o denominado “Presença do Estado no Brasil: Federação, suas Unidades e Municipalidades”. Nele, o Ipea informa que a taxa de retenção dos alunos na idade de 15 a 17 anos do ensino médio na Região Norte passa casa de 60%. A recomendação é que aos 15 anos o aluno curse o 1º ano do ensino médio, aos 16 o 2º ano e aos 17 o 3º ano. Nem o estado mais rico da federação, São Paulo, tem índices razoáveis, chegando a 45,6%, explica Gedeão.

 Os dados do abandono ou evasão da rede pública estadual são diferentes. Em 2010, que é o dado mais recente, a Seduc recebeu 159,6 mil alunos matriculados nas três séries, das quais 130 mil foram aprovados, o equivalente a 82,5%. Foram reprovados 12,9 mil, totalizando 8,2% e 16,4 mil abandonaram, o equivalente a 10,4% do total.

Distorção

O elevado índice de distorção acontece, na maioria dos casos, com jovens cujos pais não têm emprego fixo e nem casa própria e por isso mudam emprego, endereço e até cidade mais frequentemente, o que acaba contribuindo para a retenção das crianças e jovens numa série. Outro fator que contribui para essa estatística é o fato do jovem buscar um trabalho, o que acaba prejudicando seu desempenho na escola.

 Esse aluno não está fora da sala de aula, mas retido num ano que não é o mais indicado para a idade dele. Nos últimos três anos, Gedeão diz que ainda que a distorção idade/série vem aumentando no Estado por conta da oferta de aulas no Centro de Mídias, que atrai uma clientela há muito fora da sala de aula. “É uma clientela reprimida e diversa, que voltou a estudar quando teve a oportunidade”, disse o secretário, citando casos de um aluno com mais de 65 anos de idade decidiram fazer o ensino médio pelo Centro de Mídias.