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Segurança Pública promete rigor contra policiais manifestantes

SSP-AM promete recolher armas de policiais militares e civis envolvidos em protestos, que também serão investigados pela PM 16/10/2015 às 12:06
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Após saírem da ALE-AM, policiais que aderiram à manifestação foram para a associação, onde jogaram sinuca e pebolim
joana queiroz ---

O secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, vai recolher todas as armas que estejam em poder de policiais militares e civis envolvidos nas manifestações que estão sendo promovidas por parte da categoria, o que, segundo ele, é proibido por lei. “Nós percebemos que muitos policiais estavam armados na noite de quarta-feira, durante a manifestação. Isso é totalmente inadmissível”, disse o secretário.

Enquanto isso, o comando da Polícia Militar determinou a abertura de Inquérito Policial Militar (IPM) com a finalidade de “apurar conspiração, aliciação para o motim ou revolta, incitamento e publicação ou crítica indevida praticados por policiais militares”, por conta da manifestação que aconteceu no início da noite de quinta-feira, quando aproximadamente 100 policiais resolveram acampar na parte externa da Assembleia Legislativa (ALE-AM).

A portaria foi publicada pelo comandante-geral, Marcus James Frota Lobato, no Boletim Geral Ostensivo (BG) da corporação de quarta-feira. A portaria informa que, para a abertura da investigação, foram levadas em consideração “as recentes publicações, em diversos meios de comunicação e mídias sociais, em que militares tratam de assuntos contrários aos preceitos da hierarquia e disciplina”.

O documento reforça que “há preceitos de disciplina e hierarquia na corporação que não devem ser ignorados pelos seus membros”. A portaria frisa que o artigo 142 da Constituição Federal e o artigo 13 da Constituição do Amazonas proíbem a sindicalização e a greve dos policiais militares.

Ontem, o secretário disse que trata-se de uma lei federal e que todas as medidas e decisões serão tomadas dentro do que manda a lei.

Antecipação

Ontem pela manhã, o advogado da Associação dos Policias Militares do Amazonas (Apeam), Júlio César Correa, entrou com um pedido de habeas corpus preventivo em favor do presidente da associação, Gerson Feitosa. De acordo com o advogado, o pedido foi por conta da decisão da instauração do IPM. “O comandante instaurou inquérito antes de um crime acontecer. Os líderes do movimento têm conhecimento da crise. O que eles querem é só falar com o governador, só isso”, disse Júlio.

Na manifestação realizada na, ALE os policiais - a maioria militares - cobrava um encontro com o governador José Melo (Pros) para discutir melhorias para a categoria. “Nós não estamos pedindo aumento, queremos apenas nossos direitos de promoção, reposição inflacionária, auxilio alimentação e fardamento, além da regularização da carga horária”, disse Gerson.

Adesão à paralisação foi mínima

Na avaliação do secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, e do comandante da Polícia Militar, Marcus Frota, o movimento paredista, até ontem, teve uma pequena adesão, o que não alterou o policiamento na cidade. Pela manhã, as delegacias e Companhias Interativas Comunitárias (Cicoms) funcionaram normalmente, segundo eles.

Na Polícia Militar o número de pessoas que deixaram de comparecer ao trabalho foi mínimo, de acordo com o secretário. “Até porque nosso policial sabe a situação do Estado e do País e que esses pleitos não podem ser alcançados neste momento”, disse Fontes.

O secretário disse ainda que o diálogo está aberto, mas não para os manifestantes, especialmente quando eles estão armados, maior preocupação de Fontes. De acordo com ele, quem for armado às manifestações será notificado a devolver o armamento e orientado e deixar as armas próprias em casa.

Estratégias

Os manifestantes pretendiam passar dez dias acampados na ALE, mas por falta de estrutura, pela manhã decidiram ir para a Associação dos Cabos e Soldados, na avenida Torquato Tapajós, onde aproximadamente 100 policiais “passaram o tempo” jogando sinuca e assistindo TV, enquanto a liderança traçava novos rumos para o movimento, entre eles a ameaça de fechar os quarteis, usando as famílias dos policiais.