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Senador Eduardo Braga diz que deputada Rebecca Garcia desagrega base aliada

Negando ter se candidatado, ex-governador afirma que deputada do PP “não conseguiu juntar os partidos da base” 25/06/2012 às 09:18
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Eduardo Braga: “Nunca me coloquei como candidato. O que disse é que tínhamos que encontrar um consenso”
Lúcio Pinheiro Manaus

O senador Eduardo Braga (PMDB) afirmou neste domingo (24), que a candidatura da deputada federal Rebecca Garcia (PP) desagrega a base aliada liderada por ele e o governador Omar Aziz (PSD). E apesar de dizer que nunca trabalhou para ser candidato este ano, o senador coloca o nome dele como o único capaz de unir o grupo na disputa pela Prefeitura de Manaus.

“Nunca me coloquei como candidato. O que disse é que tínhamos que encontrar um consenso. O que não está fácil. A deputada Rebecca não conseguiu juntar os partidos da base”, declarou o senador, emendando: “Falo com o PTB, e eles dizem que se eu for o candidato me apoiam. Falo com o PCdoB, e eles dizem: 'se o senhor for candidato eu lhe apoio'. Falo com o PT, e eles também dizem que me apoiam”.

As declarações do senador são feitas a três dias das convenções do PSD, partido de Omar Aziz, e do PP, partido de Rebecca Garcia, que serão realizadas no mesmo evento, na próxima quarta-feira. E que nos bastidores, deverá ser a ocasião onde a candidatura da deputada federal será oficializada pelo governador, que já teria convencido Eduardo Braga a cessar com a resistência ao nome da parlamentar.

Braga garante que a resistência ao nome de Rebecca Garcia dentro do grupo político não parte do PMDB, e sim de outros aliados que, assim como ele, ainda falam na possibilidade de lançarem candidaturas majoritárias. “O deputado Sabino (Castelo Branco, do PTB) diz que é candidato. O PCdoB (da senadora Vanessa Grazziotin) diz que tem nomes para ser o candidato”, comentou o senador Eduardo Braga.

O senador disse que é possível que na próxima quinta-feira já tenha decidido se deixa ou não a liderança do governo no Senado para disputar a Prefeitura de Manaus. “Ainda estou conversando com a presidente Dilma (Rousseff-PT)”, informou.

Eduardo Braga viajou neste domingo (24) para Brasília. E disse que não participará das convenções do PSD e do PP. “Tenho que ficar em Brasília até quarta-feira à noite. Tem votação no Senado na quarta-feira. Se der alguma zebra numa votação dessas e eu, como líder, não estiver lá, os caras comem meu fígado”, declarou o senador.

Nomes oficializados
Cinco nomes já oficializaram as candidaturas para prefeito de Manaus: o vereador Hissa Abrahão (PPS), o deputado federal Pauderney Avelino (DEM), o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB, o engenheiro Jerônimo Maranhão (PMN) e o funcionário público Herbert Amazonas (PSTU). Os partidos têm até o dia 30 deste mês para definirem, em convenção, suas candidaturas a prefeito, vice e vereador, assim como as siglas que irão coligar.

Grazziotin defende entendimento
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdo) declarou, na convenção do partido, que o senador Eduardo Braga (PMDB) não deseja ser candidato a prefeito de Manaus. “Eu conversei com o senador Eduardo Braga, e o meu sentimento é que ele não tem desejo de ser candidato a prefeito. Mas não entendi como o nome dele estivesse descartado. Nós ajudaremos muito para a busca da unidade e o entendimento desse grupo”, disse Vanessa.

O PCdoB coloca o nome da senadora à disposição do grupo de Omar e Braga para compor uma chapa à Prefeitura de Manaus, mas ela declara que não tem interesse em deixar o Senado. “Eu tenho dito que não tenho interesse nenhum, não sou candidata, mas meu nome está aí. Além disso, tem outros nomes que estão colocados. O nome da Rebecca, o próprio Eduardo que ainda não se manifestou se será ou não candidato”, afirmou a senadora.

Segundo ela, o objetivo não é que cada partido tenha um candidato, e sim que todos se unam em torno de uma candidatura apenas. “A deputada Rebecca é um excelente nome. Por outro lado, tem o nome do ex-governador, o senador Eduardo Braga, que tem muita experiência. Enfim, vamos ver o que vai acontecer”.

Deputada reafirma que é candidata
Em entrevista a A CRÍTICA na semana passada, a deputada federal Rebecca Garcia (PP) afirmou que a candidatura dela ao cargo majoritário está confirmada e independe do senador Eduardo Braga se lançar na disputa. Como também não está atrelada necessariamente ao apoio do governador Omar Aziz.

“Minha candidatura surgiu antes desse processo todo. Vem sendo trabalhada há um ano. É uma candidatura do Partido Progressista em nível nacional e nasceu desse movimento de lançar candidaturas em várias cidades do País. Temos pesquisas que apontam números positivos”, declarou a pré-candidata.

Questionada sobre a indefinição do apoio do PSD considerando que a convenção das legendas  está marcada para o mesmo dia, Rebecca afirmou: “Eu sinceramente não consigo explicar como isso vai se dar juridicamente”, disse.

A CRÍTICA tentou contato com Rebecca Garcia ontem. Segundo a assessoria da deputa, ela  participava de uma reunião, e não poderia atender as ligações da reportagem. A deputada tem sido presença certa em todos os eventos públicos de que participa o governador Omar Aziz.

Convenção do PSD e PP será na quarta
A convenção conjunta do PSD e do PP  , que deve lançar o nome da deputada federal Rebecca Garcia, candidata a prefeita de Manaus com o apoio do governador Omar Aziz, foi adiada para a próxima quarta-feira. O evento será realizado na casa de shows Charriot, na avenida Max Teixeira, Zona Norte, as 19h.

Só a Câmara interessa ao PCdoB
Satisfeito na condição de aliado do grupo que há 20 anos comanda as decisões políticas no Amazonas, o PCdoB, partido com maior número de filiados no Estado (19.363 filiados), lança este ano candidaturas apenas para a Câmara Municipal de Manaus (CMM). A convenção da legenda foi realizada na tarde do último sábado. No mesmo dia, PSB e PSTU confirmaram os nomes dos seus candidatos a prefeito nas eleições de outubro: Serafim Corrêa e Herbert Amazonas, respectivamente.

Na convenção do último sábado, o PCdoB homologou chapa própria com os nomes de seus 62 candidatos ao cargo de vereador. Historicamente um partido esquerdista, o PCdoB mudou de direção em 2007, quando o principal nome da sigla, Eron Bezerra, foi catapultado ao posto de secretário Estadual de Produção Rural (Sepror) do governo de Eduardo Braga (PMDB). No ano seguinte, na eleição municipal de 2008, os comunistas apoiaram a candidatura de direita do então vice-governador de Braga, Omar Aziz (PSD), que disputou a Prefeitura de Manaus. Aziz ficou tem terceiro lugar.

Como novo aliado da direita no Amazonas, o PCdoB acumula cargos no primeiro escalão do Governo do Estado. Em 2010, com a ajuda de Braga e Omar, a então deputa federal Vanessa Grazziotin (PCdoB) foi eleita senadora, tirando do Senado Artur Neto (PSDB). Atualmente, os comunistas apontam interesses nacionais como justificativa para habitar o “ninho” que no passado combatiam.

“A gente compõe um grupo político aqui no Estado orientado muito pelas questões nacionais. Somos não só apoiadores, mas integrantes do governo da presidente Dilma (Rousseff-PT). Entendemos que estamos ajudando a operar mudanças importantes no País e no Estado do Amazonas”, declarou a senadora Vanessa Grazziotin.

Um eleito
Em 2008, o PCdoB laçou em Manaus 51 candidaturas a vereador, que obtiveram 25.958 votos. A votação foi suficiente para eleger apenas um candidato: Marcelo Ramos (hoje deputado estadual pelo PSB), que recebeu 5.499 votos. Ao trocar o PCdoB pelo PSB, e se eleger deputado estadual em 2010, Ramos deixou a cadeira que ocupava na CMM para Lúcia Antony.