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Servidores da CMM são remanejados após defender Manausmed

Após baterem de frente com vereadores governistas, servidores da Câmara Municipal de Manaus perdem cargos de confiança 22/04/2015 às 22:53
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Reunião entre o líder do prefeito, Elias Emanuel, e os servidores terminou em confusão e projeto aprovado sem mudanças
Natália Caplan Manaus (AM)

Quatro servidores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) que se posicionaram contra a extinção do Serviço de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Município de Manaus (Manausmed) — incluído no Projeto de reforma administrativa do Executivo Municipal — foram remanejados de seus setores, na semana passada. Eles classificam a medida como represália. A informação circulou nesta quarta-feira (22) entre parlamentares da Casa, e foi confirmada por uma funcionária que pediu para não se identificar.

“Os boatos não são boatos. Servidores foram remanejados e destituídos de suas funções de confiança por participação no manifesto. As retaliações estão acontecendo”, afirmou a servidora.

A informação é a de que a ordem para as mudanças partiu da presidência da Casa. “Eles foram remanejados porque não poderiam estar em pontos estratégicos, com acesso à informação”, completou a servidora. O presidente da CMM, Wilker Barreto (PHS) nega.

Segundo a servidora, com a transferência, uns terão perda salarial, enquanto uma foi destituída do cargo de diretora. “Foram 196 que assinaram o abaixo-assinado se manifestando contra a extinção do Manausmed, pedindo posição dos vereadores em defesa dos servidores. Todos estão sofrendo retaliações, principalmente os que se expuseram e bateram de frente”, disse, ao ressaltar que prefere não revelar nomes, apenas os setores: Diretoria Legislativa de Comissões e Escola do Legislativo.

Os servidores afetados são efetivados e têm de 15 a 30 anos de trabalho na CMM, que tem um quadro funcional com mais de 300 trabalhadores. Um deles, inclusive, estava de férias, mas participou da reunião com os parlamentares para discutir a polêmica sobre a o fim do órgão municipal. “Especula-se na ‘rádio-corredor’, que alguns vereadores cobraram o presidente para que não estivéssemos em pontos estratégicos”, declarou.  “Talvez, por causa do feriado e das matérias que saíram nos jornais, eles deram um freio nos remanejamentos”, ponderou.

A funcionária explicou que, por serem consideradas funções de confiança este tipo de mudança não precisa ser publicado o Diário Oficial Eletrônico da Câmara. Basta o próprio trabalhador ser comunicado. “Pela lei, a função de confiança é de livre nomeação/exoneração sem justificação. Mas é só observar o contexto”, disse, ao defender a categoria. “Sempre tivemos uma postura de respeito e nunca sofremos retaliação dessa forma. Em nenhum momento ofendemos os vereadores, fizemos uma discussão técnica e jurídica”, concluiu.

Governistas negam perseguição

Questionado pelo vereador Plínio Valério (PSDB), na tribuna, o presidente da CMM, Wilker Barreto (PHS), foi enfático. “Eu não misturo as coisas. Gestão é gestão, política é política. Eu gosto do bom debate. Enquanto eu for presidente, essa Casa vai abrir sempre o bom debate. Não tem nenhuma questão pessoal. Os diretores têm autonomia para mexer nos seus setores. Não se pode dar o tom de perseguição política de quem conduz a Câmara de forma bastante aberta”, disse.

O líder do prefeito Artur Neto (PSDB) na Casa, Elias Emanuel (sem partido), demonstrou indignação diante da acusação. “Não há a menor hipótese de perseguição ao servidor dessa Casa. É uma coisa absurda. Eu sou líder do prefeito e vereador da Casa. Vereador Wilker Barreto é o presidente e ordenador de despesas. Não é do nosso caráter perseguir ninguém. É descabida essa denúncia”, declarou.