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Setor agrícola do Amazonas recebe ajuda indispensável de Companhia Nacional

Companhia vai comprar inicialmente 2 mil toneladas de juta e malva,  que sofrem a importação de fios de tela pelas indústrias locais 22/02/2013 às 09:45
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Por falta de compradores, estoque de juta e malva no Amazonas aumentou bastante nos últimos dois anos
Adan Garantizado ---

O setor agrícola do Amazonas pode ser bastante beneficiado ao longo do ano por três medidas. Duas delas estão relacionadas à produção de malva e juta, onde o Estado é líder no Brasil. A terceira “boa notícia” vem para o setor da pecuária, com a implantação do CNA Card, que visa facilitar a emissão e o controle de trânsito animal por parte dos pecuaristas.

O setor de malva e juta do Estado sofreu prejuízos no ano passado, por conta do aumento na importação de fios e telas pelas indústrias locais e pela queda nas exportações de café (as sacas que embalam o produto são feitas de juta). Prova disso é que mais de 400 toneladas do material se acumularam nos estoques das cooperativas do interior.

Para evitar que o problema volte a gerar prejuízos aos produtores, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já se prontificou a comprar inicialmente 2 mil toneladas da safra deste ano. “Assim que a juta e a malva começarem a chegar nas cooperativas do interior, efetuaremos a compra. Os recursos já estão garantidos. Vamos manter o material em estoque e esperar o momento oportuno para revendê-los às indústrias”, frisou o presidente em exercício da Conab, Nélio Nogueira do Nascimento.

A Companhia também deve substituir as sacolas plásticas de seus estoques por sacos de juta. A única exigência é que a matéria prima seja totalmente nacional. Para a presidente da cooperativa mista agropecuária de Manacapuru (Comapem), Eliana Medeiro, a notícia não poderia ser melhor. “A juta e a malva ficaram desvalorizadas com os estoques cheios. Assim, muito produtor se desmotivou. Acredito que essa ajuda vem em boa hora. O Governo precisa investir mais neste setor, pois temos um trabalho árduo desde a colheita e ainda assim, somos os líderes de produção no Brasil. O produtor merece mais atenção”, enumerou Eliana. Cerca de 20 mil pessoas atuam na atividade no Amazonas.

Pesquisas

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também pode dar sua colaboração para a produção da malva e da juta ainda neste ano. Já existem conversas avançadas para a criação de um setor exclusivo para pesquisas na área, o Embrapa fibras. A assessoria de imprensa do órgão informou que ainda não existe uma posição oficial sobre o assunto. Mas o presidente da Federação da Agricultura do Amazonas (Faea), Muni Lourenço revelou que a implantação do Embrapa fibras deve ocorrer ainda neste ano. “Um conjunto de pesquisadores e cientistas vão poder desenvolver novas formas de utilizar a malva e a juta. Uma máquina para a colheita, que ajude a descortiçar a fibra também é necessária. Os trabalhadores não podem mais ficar como anfíbios trabalhando dentro da água”, lembrou o presidente da Faea.

CNA card será implantado

Os pecuaristas e produtores rurais do Amazonas terão até setembro, maior facilidade para executar serviços como emitir notas fiscais e guias de trânsito animal com a implantação do CNA card. O projeto começa a ser discutido na próxima quarta-feira, no auditório da Federação da Agricultura do Amazonas (Faea), localizado na rua José Paranaguá 435, Centro.

Membros das Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) e da Fazenda (Sefaz) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estarão presentes no evento. Além de facilitar o acesso e a emissão dos documentos aos produtores, o CNA card também vai ajudar o Estado a ter um maior controle fiscal e sanitário sobre o rebanho amazonense, estimado em 1,5 milhão de cabeças de gado.

“Teremos condições de até o fim do ano, erradicar a presença da febre aftosa em todos os municípios do Amazonas (hoje, apenas os rebanhos de Boca do Acre, Guajará, Lábrea e Canutama estão livres). Tudo isso graças ao controle da guia de trânsito animal. A intenção é implantar o CNA card antes da próxima Expoagro, em setembro”, contou o presidente da Faea, Muni Lourenço.

O Secretário Estadual de Produção Rural, Eron Bezerra, vai além e vê a possibilidade de aumento na produção pecuária no Amazonas. “As normas de comércio sempre dificultam a vida do produtor. Com esse processo mais rápido, a produção pode aumentar. Todo e qualquer processo que leve à modernização é bem vindo. Este mecanismo do cartão vai facilitar a vida do produtor e do consumidor”, finalizou Bezerra. As entidades ainda querem discutir a criação de um fundo privado de defesa agropecuária. O Amazonas possui atualmente cerca de 17 mil propriedades pecuárias em seu território, que envolvem aproximadamente 60 mil pessoas na atividade.