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Sinal de alerta ligado no AM para a Síndrome Guillian-barré

Doença rara afeta de 1  a 2 pessoas por cada 100 mil habitantes e pode acometer pacientes diagnosticados com Zika vírus 27/01/2016 às 09:41
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Antônio Magela é infectologista do departamento clínico da FMT/HVD
acritica.com Manaus (AM)

A relação do Zika vírus com o crescimento do número de casos de Síndrome de Guillan-Barré (SGB) aumentou o alerta em relação à doença em todo o País. Embora considerada rara, a síndrome causa paralisia e pode levar à morte.

O secretário estadual de Saúde, Pedro Elias de Souza, ressalta que ainda não há comprovação científica da relação entre as duas doenças. Mas a preocupação é pertinente, diz ele, tanto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta global, em dezembro de 2015, incluindo a Guillan-Barré entre as implicações neurológicas que podem ser associadas ao Zika vírus.

A Síndrome de Guillan-Barré é uma doença autoimune rara, que geralmente se desenvolve após infecções bacterianas e virais. Segundo dados da OMS, a doença afeta de uma a duas pessoas por cada 100 mil habitantes.

Em 2013, houve um surto de Zika vírus na Polinésia Francesa e casos da SGB foram relacionados à doença. O Ministério da Saúde também já reconheceu a síndrome entre as implicações que podem ocorrer com o paciente acometido de Zika vírus. No Nordeste, onde há uma epidemia de Zika, foi registrado o crescimento de casos da SGB.

Em especial, em Pernambuco, onde identificaram os primeiros casos de Zika vírus associados à microcefalia (malformação craniana), e na Bahia. Microcefalia e SGB são as duas consequências mais graves decorrentes da epidemia de Zika, relatadas até o momento.

Como ocorre a doença?

O infectologista Antônio Magela, do Departamento Clínico da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT/HVD), unidade da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), explica que a Síndrome de Guillain-Barré é uma reação do organismo, que pode ocorrer até um mês depois de uma infecção causada por bactéria ou vírus. Ela ataca o sistema nervoso, provocando paralisia, que começa pelos pés e sobe pelo corpo até chegar ao rosto. Nos casos mais graves, pode causar paralisia respiratória.

Magela explica que na Síndrome de Guillain-Barré, o sistema imunológico de uma pessoa começa a atacar os próprios nervos, danificando-os gravemente.

O infectologista esclarece que não há como prever se o paciente com processo infeccioso vai ter a síndrome ou não. A orientação do médico é redobrar os cuidados, para evitar as infecções. Ele diz que devem ser reforçados hábitos como a higiene das mãos e os cuidados com o manuseio e procedência dos alimentos e da água consumidos.

Os principais sintomas da doença são: formigamento, fraqueza muscular, perda do reflexo das pernas e braços e paralisia. Segundo Magela, a síndrome costuma afetar mais frequentemente o revestimento do nervo (chamado de bainha de mielina). Essa lesão é denominada desmielinização e faz com que os sinais nervosos se propaguem mais lentamente.

Antônio Magela frisa que os sintomas da SGB evoluem muito rápido e podem piorar em 24h a 72h, por isso as pessoas devem procurar ajuda médica assim que sentirem os primeiros sinais sugestivos da síndrome.

Doença nova

O diretor presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, lembra que o Zika vírus é uma doença nova e que as suas complicações ainda não são totalmente conhecidas.

A principal arma, diz ele, é o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da  dengue, chikungunya e zika vírus.

Principais cuidados

As medidas que devem ser adotadas para eliminar possíveis criadouros do mosquito são simples; tampar os camburões e caixas d´agua; manter as calhas sempre limpas; deixar as garrafas sempre viradas; e manter as lixeiras fechadas.