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Sipam faz alerta para possíveis riscos à navegação

Segundo especialistas, fenômenos como tempestades e rajadas de vento podem ficar mais frequentes nesta época do ano 11/09/2012 às 10:51
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A embarcação Ariaú Açu, que pertence ao hotel de selva Ariaú Towers e levava um grupo de turistas de volta a Manaus, tombou no rio Negro, após ser atingida por uma rajada de vento
Milton de oliveira Manaus

O Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) fez um alerta para possíveis rajadas de ventos durante o período de seca - que se estende até meados de outubro no Amazonas - que podem afetar a navegação nos rios da região. Nos últimos quatro dias, duas embarcações tombaram em Manaus e em Maués, e uma terceira ficou à deriva e quase naufragou, em Itacoatiara, devido a fenômenos atmosféricos pontuais.

Segundo o Sipam, a região tropical, como a amazônica, é propícia aos fenômenos severos porque possui elementos suficientes para causar esses fenômenos. “Temos energia atmosférica em grande quantidade, umidade abundante, contrastes térmicos, superfícies de água, de terra, de floresta. Então, a região tropical oferece ambientes favoráveis”, explicou o chefe da Divisão de Meteorologia do Sipam, Ricardo Dallarosa.

Para prevenir acidentes provocados por fenômenos como temporais e ventanias na Amazônia, o Sipam implantou, em 2009, a Rede de Monitoramento de Eventos Extremos na Amazônia (Reman), que busca mapear e prever  sistemas atmosféricos, alertando os órgãos responsáveis pela tomada de decisões frente aos incidentes.

Transição

De acordo com Dallarosa, os contrastes térmicos ou nuvens de forte desenvolvimento vertical presentes no Amazonas favorecem as ocorrências de fenômenos severos que ocorrem, principalmente, no final do período seco e início do chuvoso. “Os fenômenos podem se apresentar de diversos modos, com abundância de precipitação, rajadas de ventos acima de 35 quilômetros por hora e muitas descargas elétricas, separadamente ou simultaneamente”, disse o meteorologista, lembrando que algumas rajadas de vento superam os 100 quilômetros por hora, como formando tornados e trombas d’água.

Ainda conforme o especialista, os fenômenos rápidos e intensos acontecem ao longo de todo o ano, mas nem sempre com a mesma intensidade. “Já tivemos chuvas rápidas e fortes em Manaus que produziram sinistros no Centro muito piores do que chuvas mais volumosas, porém,  ocorrendo em espaços de tempo mais prolongados”, lembrou.

Ontem, o Sipam informou que o fenômeno que virou um barco no rio Negro, na última sexta-feira, foi detectado pelo radar meteorológico do órgão, que permitiu a emissão informações à Defesa Civil e a órgãos conveniados com, pelo menos, uma hora de antecedência. “Não sabemos exatamente o que houve naquele local do acidente, mas identificamos a presença de um fenômeno atmosférico na área produzido pela grande quantidade de energia no interior de uma nuvem”, concluiu.