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Cotidiano
Anulação do impeachment

Maranhão acende uma vela para Deus e outra para o Diabo, diz Magno Malta

O senador Magno Malta (PR/ES) está em Manaus e comentou a decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, de anular a tramitação do processo de impeachment de Dilma Rousseff 09/05/2016 às 13:37 - Atualizado em 09/05/2016 às 15:56
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Segundo Magno Malta, a decisão do presidente interino foi uma aberração, mas que não deve assustar ninguém / Foto: Euzivaldo Queiroz
Rafael Seixas Manaus (AM)

De passagem por Manaus, o senador Magno Malta (PR/ES) comentou nesta segunda-feira (9) a decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP/MA), de anular a tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional.

Maranhão, que assumiu a presidência após afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolheu os argumentos do advogado-geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, por entender que ocorreram vícios no processo de votação, tornando nula a sessão.

Segundo Magno Malta, a decisão do presidente interino foi uma aberração, mas que não deve assustar ninguém.

“Ele [Waldir] é um presidente interino que, na sua primeira atitude, mostra subserviência ao governo, que se aproveita da falta de conhecimento dele sobre o regimento interno. O plenário é soberano, a soberania do processo foi decidida no plenário, não podendo ser anulada com uma decisão monocrática. Além disso, cabem dois recursos: um ao Supremo Tribunal Federal, que pode muito bem ordenar que ele se curve diante do regimento, que é o soberano de todas as coisas; e também cabe um recurso ao plenário, podendo ser feito por qualquer líder e que, certamente, será derrubado pelo plenário, por essa maioria esmagadora que votou pela cassação da presidente Dilma”, declarou o parlamentar, se referindo à votação do dia 17 de abril.

Para Malta, essa decisão deve ser derrubada até esta terça-feira (10). “Acho que até amanhã o supremo ou plenário vai derrubar isso e, no dia 11 de maio, tudo vai prosseguir normalmente. Esse presidente interino me parece que acende uma vela para Deus e outra para o Diabo, ele está a serviço do governo e todo mundo sabe que ele é mais do que interino, ele é uterino, é do útero de Eduardo Cunha”, alfinetou.

“O Waldir articulou com o governo. Acredito que ele acha a Dilma bonita, gosta dos cabelos e da barba do Lula, e tem profunda admiração pelos dois. Se foi por outro motivo [a decisão dele], somente o judiciário poderá explicar. O objetivo dele deve ser pagar alguma dívida com o governo. Ele votou contra o impeachment, mas votou jurando amor ao Eduardo Cunha. Veja que existem duas facções brigando e ele passa por amigo das duas, então está ascendendo uma vela para Deus e outra para o Diabo”, reafirmou.

Maranhão anulou nesta segunda-feira (9) as sessões dos dias 15, 16 e 17 de abril, quando os deputados federais aprovaram a continuidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Ele acatou pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU). Com a aprovação na Câmara, o processo seguiu para o Senado, mas Maranhão já solicitou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a devolução dos autos do processo.