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Subida da água preocupa municípios do interior do AM

Em Anamã e Anori a situação das ruas e escolas já é considerada crítica por moradores e autoridades 14/04/2012 às 19:42
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Crianças usam canoas para se deslocar pelas antigas ruas do Município de Anamã, o mais atingido pela cheia de 2009
adauto silva Manaus

Nos últimos dias o volume de água do rio Solimões  aumentou nas regiões do Médio e Baixo rio. Na zona rural agricultores das áreas de várzea dos Municípios de Anori e Anamã, além de terem suas casas alagadas, reclamam da perda da produção.

Conforme o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Anamã, Clareosmar Balbino, a perda da produção já ultrapassa os 50%.

“A água chegou com muita rapidez, não deu tempo do agricultor se preparar. No caso da fibra (juta e malva) não deu tempo nem pra crescer, boa parte da produção foi perdida por conta do  tamanho da planta que não compensava colher”, disse.

“Mas o prejuízo foi também com a macaxeira, maracujá, banana e aí por diante, aqui na nossa região o prejuízo é muito grande”, comentou.

Em Anamã, onde 30% da sede do município, estão alagadas, moradores enfrentam dificuldades para saírem de suas casas. Conforme a Defesa Civil do município, mais de 200 famílias foram atingidas pela cheia.

A velocidade com que a água atingiu as ruas da cidade inviabilizou a construção de passarelas para a locomoção dos habitantes, que, hoje, fazem os deslocamentos usando as canoas, o principal meio de transporte da na zona urbana de Anamã.

Em Manacapuru, no baixo Solimões, após três bairros terem sido atingidos pela cheia do rio Miriti, passarelas começaram a ser construídas em duas ruas do centro.

A maior preocupação das autoridades é que na região que compreende os municípios de Anori, Anamã e Manacapuru, a enchente se estende até o final de junho e isso sinaliza a necessidade de decretação de Estado de Emergência.

Escolas atingidas
No município de Anamã, a enchente atingiu escolas deixando sem aulas alunos das redes estadual e municipal. O caminho da escola não é mais o mesmo para mais da metade dos alunos da sede do município e 100 % da zona rural.

O maior volume de água dos rios e igarapés da região inundou as vias de acesso dificultando o deslocamento de alunos e professores.

O agricultor Alcimar Machado, que mora em uma área alagada e diariamente acompanha os filhos até a escola, disse que está difícil manter a educação dos filhos.

“Por mim, as aulas já tinha sido suspensas, não tem condições, eu não tenho uma canoa, é todo dia assim por dentro d’água, tem que carregar o meu filho pra ele não molhar a farda,”, relatou.

Alunos da escola Estadual Jesuína Régis já tiveram o ano letivo paralisado. A escola que está em reforma alojou seus 240 em um anexo que também foi atingido pelas águas.

Na rede municipal oito turmas de educação infantil, tiveram as atividades paralisadas. Apesar da escola ainda não ter sido atingida pela enchente, os pais não confiam em deixar seus filhos pequenos fazerem o trajeto diariamente, devido o risco causa pelas áreas alagadas.

Para o secretário de Educação do município, José Luís Batista, o problema tende a se agravar, pois a cheia, segundo avaliação dele, só está começando.

“Aqui é comum o rio encher até junho, então pelo que estamos acompanhando, no máximo até o fim de abril, toda nossa rede escolar municipal vai paralisar, por tempo indeterminado”, afirma.

“Nas escolas que ainda não tiverem o assoalho atingido, os alunos não terão acesso devido os perigos trazidos pelo maior volume de água. Não temos nem condições de transportar esses alunos, tem lugar que a água cobre a terra mas não tem como o barco passar, aí fica difícil os alunos irem por dentro d’água”, disse.

Alteração
A subida anormal das águas neste ano é uma realidade em todos os rios da Bacia Amazônica. O rio Negro, em Manaus, estava na última quarta-feira com uma cota 25 centímetros superior a registrada em 2009 , quando houve a maior enchente da história e que superou a mítica de 1953.