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Sul do AM registra 711 focos de queimada em oito dias

Apuí, Manicoré, Lábrea, Novo Aripuanã e Humaitá são os cinco municípios que concentram maior quantidade de registros 28/08/2012 às 08:26
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Em Lábrea, na semana passada, foi registrado o maior incêndio já ocorrido este ano que durou mais de dez horas e teve mais de três quilômetros de extensão
Milton de Oliveira ---

Nos últimos oito dias foram detectados 711 focos de queimadas em cinco municípios do sul do Amazonas, segundo levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A queima está relacionada à agricultura e à pecuária.

Em Apuí, (a 453 quilômetros da capital), onde está concentrado a maior quantidade de focos, moradores afirmam que as pessoas que queimam o terreno para “limpeza”, acabam não conseguindo controlar o fogo. “As pastagens são muito próximas uma das outras. Então, quando uma é queimada, o fogo se alastra para a pastagem vizinha, de uma propriedade a outra, sem nenhum controle”, contou Etelvina de Ferreira, 48, moradora do local.

Ainda conforme os moradores de Apuí, os ventos fortes ajudam o fogo a proliferar e as bombas de água usadas pelos brigadistas não são suficientes. “Entre as 10h e 15h é mais ventilado, apesar do calor. Então, qualquer pedaço de brasa no pasto, se torna um fogaréu”, contou o presidente da Câmara Municipal de Apuí, vereador Marcos Lise.

Situação semelhante é vivida em Humaitá (a 590 quilômetros de Manaus), onde, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (Sematur). A brigada de incêndio recebe, em média, quatro chamadas de incêndio por dia.

Moradores do Município de Lábrea (a 702 quilômetros de Manaus) reclamaram da queima desenfreada de materiais como madeira para fazer carvão (caieira), do roçado e até mesmo de lixo nos quintais das casas, o que é um prática comum na cidade.

Problemas

Conforme a dona de casa Raimunda Maciel, 37, os dias em Lábrea são “cinzentos” e não chove há mais de dois meses, provocando também, problemas respiratórios. “O clima está muito seco. Eu saio todos os dias às 5h para caminhar com vizinhos e amigos, e não aguento o cheiro forte de pasto queimado e fumaça”, contou.

Para a população daquele município, queimar o lixo doméstico e o recolhido no quintal é quase um costume. “O ar fica insuportável e a quentura aumenta. O calor diminui a partir das 10h, mas, no início da noite, volta mais forte”, disse Raimunda, acrescentando que as famílias que não têm ventilador  são as que mais sofrem e precisam tomar banho na madrugada para suportar o calor.

Segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam), as queimadas aparecem na lista dos crimes ambientais mais registrados pelo instituto.