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Super salários da carreira pública são alvo dos ‘concurseiros’; certames locais chamam atenção

Fragilidade da economia motiva até mesmo profissionais estabilizados na iniciativa privada a tentar uma vaga na carreira pública. Salários acima de R$ 10 mil chamam a atenção 19/07/2015 às 21:15
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De olho nas vagas mais procuradas, candidatos buscam cursos preparatórios para começar a estudar antes mesmo da publicação dos editais
Juliana Geraldo Manaus (AM)

Na contramão da oferta de empregos na iniciativa privada, atualmente em ritmo lento, o número de vagas na carreira pública está em alta. Com salários acima de R$ 10 mil, mesmo profissionais mais estabilizados começam a repensar a carreira e se preparar para prestar as provas e assumir cargos disponíveis.

As oportunidades para o nível superior são bastante promissoras. Pelo menos seis concursos de abrangência nacional estão despertando os desejos dos candidatos. Juntos eles oferecem mais de 1.300 vagas com salários que variam entre R$ 14,2 mil e R$17,3 mil por mês, sem contar os benefícios.Lançado na última semana, um dos certames que promete ser bastante disputado, é o da Advocacia Geral da União (AGU). São 84 vagas apenas para advogados com salário de R$ 17.330,33.

A pré-inscrição vai até o dia 17 de agosto e custa R$ 195. Com o mesmo salário, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) abriu 150 vagas para o cargo de procurador da Fazenda Nacional de 2ª categoria. Neste caso, as inscrições seguem até o dia 20 de julho e podem ser feitas no site da Esaf.

E as oportunidades não param por aí.  O Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) está com vagas para o cargo de analista de planejamento e orçamento, oferecendo salário de R$ 15.003,70. 

Já para os que desejam tentar uma vaga no sul do País, O Tribunal Regional do Trabalho da 4.ª Região (TRT 4), no  Rio Grande do Sul, divulgou nessa semana 18 vagas para compor seu cadastro reserva.

Entre os cargos está o de oficial de Justiça que paga R$ 10.485,62 por mês.  Dedicação “De olho” em vagas como essa, o engenheiro eletricista, Francisco Neto, 37 anos, decidiu após ser demitido de uma empresa do segmento eletroeletrônico na qual atuava, se dedicar exclusivamente para se preparar para os concursos públicos. Focando em vagas com salários acima de R$ 5 mil, Francisco, mesmo tendo mestrado em engenharia resolveu, há dez meses,  “nunca mais voltar para o setor privado”.

INSS, Polícia Civil e Federal foram suas primeiras apostas, mas ele se diz disposto a analisar novos certames. “Nessa época, comecei a ouvir muito falar em crise e vários amigos meus também foram demitidos. Foi quando optei por buscar um emprego em que eu não precise depender tanto das condições do mercado para garantir minha renda. O que busco é a tão sonhada estabilidade. É claro que os cargos com salários maiores são os mais visados por mim”, conta.

Dicas para concurseiros

O delegado de polícia e professor do preparatório para concursos ‘Sou concurseiro e vou passar’, Fábio Silva, explica que após tomar a decisão de migrar para a carreira pública, o candidato interessado em um cargo com salário elevado deve iniciar uma longa preparação.

“Não adianta o profissional pensar, por mais experiente que seja   na iniciativa privada, que vai conquistar um cargo desses, com alguns meses de estudo”, alerta. De acordo com ele, o perfil dos candidatos aprovados para cargos com salário acima dos R$ 10 mil, é de pessoas que se prepararam com um ou dois anos de antecedência para prestar as provas.

“Para cargos como procurados e auditor fiscal, por exemplo, são oferecidas, em geral, pouquíssimas vagas e a concorrência chega à 500 concorrentes por cada vaga”, destaca.

Também é preciso preparar o bolso. Segundo o professor, as taxas de inscrição para vagas disputadas como essa chegam a R$ 300.

Se após analisar esses aspectos, o candidato ainda estiver disposto a encarar o desafio, Fábio dá algumas dicas. Uma delas é se matricular em cursos específicos em disciplinas que constam na maioria desses certames: direito constitucional e licitação e contratos administrativos, por exemplo.

Outro conselho do professor é que o candidato estude todo o conteúdo do edital. “ Não adianta focar em uma matéria com a qual se tem mais afinidade e esquecer outra, porque o que conta no resultado da prova é a média de acertos”. E reforça: “ Se achar que tem o perfil, o sacrifício é sempre válido”.

É preciso ter o perfil certo

O profissional da iniciativa privada está sempre em busca de oportunidades, e diante do atual cenário a carreira pública se apresenta com mais força, com uma boa opção. Porém, diretor de gestão estratégica da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Amazonas (ABRH-AM), José Wilson Falcão da Costa, alerta: nem todos têm perfil para assumir um cargo público.

Segundo ele, para alcançar as vantagens da carreira -  remuneração atrativa, estabilidade, jornadas mais reduzidas e a possibilidade de uma aposentadoria satisfatória - é preciso atentar para alguns pontos importantes.

“Não adianta focar só nos benefícios. Quem ocupa cargos de gestão, por exemplo, dentro de empresas privadas, possuem, em geral, postura empreendedora, acostumados com ambientes de alta pressão e possuem características fortes, que nem  sempre podem ser exercidas em sua plenitude dentro da estrutura pública”, cita.

De acordo com ele, se por um lado, esses profissionais levam para a Gestão Pública um estilo de trabalho próprio da iniciativa privada - o que pode ser benéfico - de outro, pode ocorrer um choque de realidade para o novo servidor.

“Muitas vezes, as pessoas que migram  para a Gestão Pública  precisam entender que algumas decisões são mais baseadas em aspectos políticos do que técnicos. Precisam administrar frustrações quanto aos sistemas obsoletos, falta de recursos, demora nas tomadas de decisão e o comprometimento das equipes de trabalho, que pelo fato de terem um emprego “vitalício” muitas vezes não se esforçam tanto”, lembra. 

Por esse motivo, diz o especialista, o profissional  precisa ter a habilidade de  manter seu foco, que  traz como experiência da iniciativa privada, e buscar continuar fazendo o melhor. “É preciso querer melhorar a gestão pública, antes de conquista um cargo,  para que ela seja tão eficiente e eficaz como a gestão feita nas empresas privadas, melhorando os serviços e  atendendo as necessidades da população”, conclui.