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Tabuleiro eleitoral para a prefeitura de Manaus segue indefinido

Articulações em torno de possíveis candidaturas - tanto ao governo do Estado quando à Prefeitura de Manaus - seguem a todo vapor 13/10/2015 às 08:13
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Tabuleiro eleitoral indefinido no AM
ANTÔNIO PAULO BRASÍLIA (SUCURSAL)

O grupo do governador José Melo, do senador Omar Aziz (PSD-AM) e do prefeito Artur Neto, que venceu as duas últimas eleições de 2012 e 2014, precisa encontrar remédio para uma “dor de cabeça” iminente a se manifestar nas eleições de 2016: o vice-governador Henrique Oliveira. Ele está disposto a concorrer à Prefeitura de Manaus no ano que vem e sabe que não terá apoio político nem partidário na empreitada. Melo e Omar já declararam compromisso com reeleição de Arthur.

“Eles têm todo o direito de apoiar o Artur (Neto) ou qualquer outro candidato, agora, ninguém é dono dos votos: o Omar tem os votos dele, o Melo tem os votos dele e eu tenho os meus, os voto da minha família, dos meus amigos assim como 170 mil votos que eu tive para prefeito (em 2012) também precisam ser respeitados”, declarou ao jornal A CRÍTICA o vice-governador do Amazonas.

Embora esteja aparentemente sozinho na empreitada, nesse momento, Henrique Oliveira disse que está muito animado com a possibilidade de concorrer à Prefeitura de Manaus e se sente lisonjeado ao ser lembrado tanto pela imprensa quanto pelos institutos de pesquisas do Estado.

Segundo ele, as sondagens pré-eleitorais recentes sempre o mostram entre os três primeiros colocados na disputa e garante que se for para o segundo turno, com qualquer um dos candidatos, será o próximo prefeito de Manaus. “Sou maior de 18 anos, estou quite com as minhas obrigações militares, eleitorais e meu domicílio eleitoral é em Manaus, portanto, sou um cidadão e eleitor apto a concorrer a qualquer cargo que desejar. Fiquei em terceiro colocado nas últimas eleições para Prefeitura de Manaus em 2012; apoiei o Artur no segundo turno e honrei meus compromissos políticos com ele. Agora, quem tem uma cidade com o desconforto que a gente vê, com tantas demandas reprimidas, com demandas sociais, econômicas e de infraestrutura é impossível que se contente e diga não à participação do processo para melhorar minha cidade”, enfatizou.

Vice-prefeito

Umas das possibilidades para o imbróglio no grupo político que governa o Estado e a capital Manaus é Henrique Oliveira ser o candidato a vice-prefeito de Artur Neto, que procura um nome para compor a chapa. A oferta, no entanto, é rechaçada pelo vice-governador.

“Só existe uma possibilidade nesse contexto: eu não ser candidato a vice porque para frente é que se anda. Eu não vou deixar de ser vice-governador de um candidato que não tem direito à reeleição. Seria uma burrice da minha parte. E a outra questão é que o prefeito (Artur Neto) já demonstrou que não trata bem seus vice-prefeitos. Todos lembram que o Hissa (ex-vice-prefeito e atual deputado federal) foi demitido pelo Artur publicamente em um programa de rádio local”.

Marcos Rotta quer a Prefeitura

Um dos nomes que despontam no grupo do senador e atual Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, para concorrer à Prefeitura de Manaus, em 2016, é o do deputado federal Marcos Rotta (PMDB-AM). A preferência pelo nome dele decorre da possibilidade de que a ex-deputada federal, Rebecca Garcia (PP), venha a assumir a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Caso essa nomeação não saia, ela deverá ser a cabeça de chapa. Mas Rotta está animado. “Sim, estou pensando em contribuir nesse processo, principalmente porque o PMDB quer ter candidato próprio à Presidência da República em 2018. Para isso, precisa se fortalecer com muitas candidaturas nas prefeituras de todo o País. Eu estou disposto a contribuir com o meu partido”, declarou o parlamentar. Rotta lembra que Manaus é a grande responsável pelos mandatos que obteve como deputado estadual por três vezes, embora tenha tido votos no interior do Amazonas, assim como na eleição para deputado federal. “Devo muito à cidade de Manaus que escolhi e ela me escolheu, por isso quero retribuir”.

Personagem: Ex-deputado federal, Marcelo Ramos, pré-candidato pelo PR

O ex-vereador de Manaus e ex-deputado estadual Marcelo Ramos, que acaba de se filiar ao Partido da República (PR) é um dos pré-candidatos a prefeito de Manaus em 2016. Terceiro lugar na disputa pelo Governo, com 179.758 votos, ele aposta no capital político adquirido no último pleito e no tempo de rádio e TV do PR para alavancar sua candidatura e forçar um segundo turno com o prefeito Artur Neto. Analistas políticos avaliam que Marcelo Ramos tinha maiores chances, até mesmo de vencer a eleição, se tivesse esperado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovar o registro da Rede Sustentabilidade. Agora, a Rede-AM aposta no deputado estadual Luís Castro para disputar a Prefeitura e uma ala do PT articula o nome do deputado estadual José Ricardo para entrar na briga.

Pontos

Cenários pré-eleitorais na corrida para o governo em 2018

Arthur Neto, reeleito para mais um mandato à frente da Prefeitura de Manaus, deverá deixar o cargo dois anos depois, em 2018, e se candidatar a uma das duas vagas para o Senado Federal. Além disso, ele quer indicar o filho, o deputado federal Arthur Bisneto, como vice-governador na chapa do senador Omar Aziz; O prefeito de Manaus também tem seu plano B para para as eleições de 2018. Caso resolva não concorrer ao Senado, uma das saídas é indicar o filho Arthur Bisneto para uma das vagas;

A permanência de José Melo à frente do governo do Amazonas até o final do mandato terá um preço. E preço alto: na cadeira, o governador vai querer indicar o vice na chapa de Omar Aziz e um dos nomes para concorrer ao Senado.

Em caso de José Melo decidir concorrer ao Senado, deixando a “caneta estadual” para o vice-governador Henrique Oliveira, o desejo do senador Omar Aziz de retornar ao posto de governante-mor do Estado poderá ser dificultado.

No comando do governo, Henrique Oliveira dirá que é o candidato natural à reeleição, como fez Omar Aziz com Eduardo Braga em 2010.

O senador Omar Aziz ainda precisa resolver um problema dentro de seu próprio partido, o PSD. Os deputados federais Átila Lins e Silas Câmara, ambos do PSD, têm interesse em disputar uma das vagas ao Senado.

O desejo dos dois deputados federais fica prejudicado porque Omar Aziz, candidato ao Governo do Amazonas, não tem condições políticas de indicar um nome de seu próprio partido para o Senado. Pauderney Avelino, do DEM, é o preferido hoje. Silas e Átila poderão deixar o PSD futuramente por conta, também, desse cenário;

O senador Eduardo Braga, hoje ministro de Minas e Energia, é o principal concorrente para enfrentar Omar Aziz nas eleições de 2018 para o governo do Amazonas. Na chapa para o Senado, estariam na lista a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) e o deputado Alfredo Nascimento (PR).

Eduardo Braga prefere mesmo é tirar o mandato do governador José Melo, na Justiça, para facilitar a vida. Com Melo no Governo e Arthur Neto na Prefeitura de Manaus, as chances dele, diante do senador Omar Aziz, reduzem significativamente.

José Melo

O governador José Melo tem dito que ficará no cargo até 31 de dezembro de 2018 e não concorrerá ao Senado. Apoiará o senador Omar Aziz (PSD-AM) para governador. Nesse cenário, Henrique Oliveira não terá apoio para concorrer ao Executivo e chance quase zero de estar na chapa de vice de Omar Aziz. A saída dele será retornar à Câmara dos Deputados ou receber o apoio de Melo para o Senado.