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Técnicas do Ministério da Saúde revela o tipo de mulher que os aliciadores preferem

A assistente técnica da Saúde da Mulher disse que traficantes de pessoas optam por mulheres negras 21/08/2012 às 07:58
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Cláudia Araújo
Milton de Oliveira ---

As mulheres  negras são as preferidas dos aliciadores de redes internacionais de prostituição responsáveis pelo tráfico de pessoas. Embora as causas sejam complexas, os problemas sociais e econômicos são apontados como os principais motivos para o crescimento da atividade. Esses dados foram apresentados, ontem, no 6º Curso de Multiplicador para Atenção Humanizada a Vítimas de Violência Sexual e Doméstica, no auditório da Maternidade Municipal Dr. Moura Tapajóz,  Zona Oeste.

De acordo com a assistente técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde Cláudia Araújo, os aliciadores acreditam que a negra “é um produto que dura mais”. “Para os aliciadores, as mulheres negras, fisicamente falando, possuem estrutura de corpo mais resistente e são mais resistentes  aos sofrimentos físico e psicológico, e são bonitas também”, disse.

Outro fator que incentiva a preferência pelas negras, conforme Cláudia, é a aparência de jovem, apesar da idade que elas possam ter.

Na Região Norte, segundo ela, a fronteira com o Suriname concentra os maiores problemas. “Há locais, nos quais as mulheres atravessam a rua e já estão em outro país”, explicou a técnica do Ministério da Saúde.

Desigualdade

Para Cláudia Araújo, a desigualdade entre mulheres negras e o restante da população começa cedo. “No Brasil, historicamente, a população negra está na situação de desigualdade social e nós não reconhecemos que a maioria da população pobre, desempregada, que passa fome, de pouca escolaridade e com filhos pequenos é  negra”, disse.

Ela lembrou também, que mulheres e homens da raça negra, foram os primeiros a experimentar o tráfico de pessoas, quando foram transportados da África para o Brasil. “Pessoas negras estão em maior situação de vulnerabilidade para o tráfico de pessoas, para o trabalho escravo, enfim, para várias situações de exploração e servidão”, destacou, dizendo também, que toda a população pode estar vulnerável, mas “quem é mais desprotegido socialmente” está mais exposto a tal situação.

Dados apresentados pela técnica da Saúde da Mulher, revelaram que 70% das pessoas vítimas do tráfico de pessoas no Brasil, são mulheres adolescentes afrodescendentes, com documentos falsificados e são aliciadas para a exploração sexual ou mão-de-obra escrava.

As informações mostraram também, que, de 2010 a 2012, a Polícia Federal registrou mais de 1,9 mil rotas de tráfico nacional de mulheres e 230 rotas de tráfico internacional.

Crescimento

Outro dado oficial apresentado no curso de ontem  indica que  exploração sexual de homens representa  20% do total do tráfico de pessoas no Brasil.