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Cotidiano
Educação

Pedagoga lança cartilha com Libras e áudio para ajudar na inclusão escolar

Para a pedagoga, o material paradidático propõe a interação e aprendizado de maneira lúdica e expressiva 19/11/2017 às 18:29 - Atualizado em 19/11/2017 às 18:32
Show serelepes
Vera Lúcia Aragão já escreveu 14 livros paradidáticos. Foto: Jair Araújo
Silane Souza Manaus (AM)

Promover a inclusão escolar e garantir a aprendizagem de todos os alunos ainda é um desafio, mas os “professores empreendedores” podem ajudar a vencer as barreiras. Essa é a opinião da pedagoga Vera Lúcia Aragão. Ela destaca a importância desse tipo de perfil para a educação uma vez que, por meio dessas pessoas, é possível implementar as novidades na sala de aula rapidamente e de maneira mais eficaz. 

Um exemplo que a pedagoga utiliza parte de sua própria autoria. Uma cartilha bilíngue – em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e Português, com duas mídias digitais: vídeo em libras e audiodescrição para crianças com deficiência visual – desenvolvida com o objetivo de incluir alunos com e sem deficiência na mesma sala de aula, além de despertar nos gestores e pais o interesse pelo aprendizado de Libras na escola.

Vera explica que o material paradidático, denominado  “Conhecendo as Letrinhas com os Pequeninos Serelepes”, propõe a interação dos alunos, permitindo o aprendizado de maneira lúdica e expressiva, além de incentivar a construção de materiais didáticos inclusivos, dando autonomia a todos. “O impacto de uma iniciativa como esta na educação é enorme e bastante positivo”, afirmou. 

Contudo, a pedagoga diz que há uma resistência da área educacional de Manaus em enxergar o material com infinitas possibilidades de aprendizado. Mas ela acredita que a situação pode mudar, visto que este ano o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) trouxe o tema da educação de surdos no Brasil para debate. Ela espera também poder incentivar professores e acadêmicos de pedagogia e licenciatura a empreender.  

Os benefícios são muitos, de acordo com Vera. “O ensino vai melhorar, pois o professor vai criar sua metodologia conforme a demanda de cada aluno, possibilitando assim maior aprendizado, principalmente aqueles que têm dificuldade de aprendizagem, fora que o seu material poderá ser utilizado por outros educadores, o que proporciona ao professor independência e empoderamento na profissão”, disse. 

Mas ela adianta que os desafios são também são imensos para quem quer trabalhar com o empreendedorismo na educação. Há três anos na área, Vera escreveu 14 livros paradidáticos, mas conseguiu fechar poucas parcerias, nenhuma com o setor público. Porém, não desiste. Um dos projetos para 2018, em parceria com a Rede - Espaços Inteligentes, é a realização das oficinas sobre empreendedorismo educacional.

Para crianças e EJA
A cartilha deve ser estudada de forma interdisciplinar e contextualizada. É indicada para crianças de 4 a 7 anos, mas também pode ser usada na Educação de Jovens e Adultos. Mais informações: (92)99149-4325.

Apoiadores do projeto
Para deixar a cartilha  “Conhecendo as Letrinhas com os Pequeninos Serelepes” preparada para ser adotada pelas escolas, a pedagoga Vera Lúcia Aragão contou com o incentivo e parceria do professor Dalmir Pacheco, do Instituto Federal do Amazonas, e do coordenador da Biblioteca Braille do Amazonas, Gilson Pereira.

Blog: Dalmir Pacheco, professor de sociologia do Ifam

"Há muita desinformação a respeito da educação inclusiva, assim como do empreendedorismo educacional. Conforme há um amadurecimento dos debates sobre o tema, as discussões se tornam menos insustentáveis. Nos países de 1° mundo há uma visão mais racional em relação à educação como fundamento para outras áreas, seja econômica, política, cultural. A educação inclusiva trabalha a partir de um novo paradigma que transfere para o indivíduo com deficiência as condições para viver com independência e autonomia a partir do que aprende no ambiente escolar e o empreendedorismo voltado à inclusão ajuda esse indivíduo a construir sua existência de forma digna”.