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Termina rebelião em Parintins (AM)

Os presos reivindicam banho de sol, água e comida e disseram que a delegacia não tem condições de funcionar como presídio. A situação crítica do sistema carcerário, em Parintins, agravou-se com a interdição da unidade prisional do município em agosto de 2011, determinada pela Justiça, por conta da superlotação. 28/10/2012 às 18:21
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Rebelião iniciou no sábado (27)
Jonas Santos Parintins (AM)

A Polícia Militar conseguiu terminar com a rebelião dos presos em Parintins, iniciada no final da tarde de sábado (27). Os policiais invadiram as celas da delegacia, onde estão os presos e renderam os detentos que comandavam o motim. O detento Gabriel Tavares, o Esquerdinha, que comandava a rebelião e fazia o homicida Kelerson Ribeiro, 23, o Kelinho, de refém recebeu um tiro no ombro. Os rebelados destruíram as celas da cadeia e atearam fogos nos colchões. Neste domingo, os 23 presos de Justiça que estavam lotados na Delegacia de Polícia foram transferidos para o presídio.

O juiz de direito, Aldrin Henrique de Castro Rodrigues e o bispo da Diocese de Parintins, dom Giuliano Frigenni, estiveram na delegacia para negociar a rendição dos presos. A ordem de invadir as celas partiu do magistrado e do comando de Polícia Militar, em Manaus. “O tiro em um dos presos foi com arma não letal. Temos homens treinados para operações como essa”, afirmou o comandante da Polícia Militar, em Parintins major Túlio Freitas. As celas da delegacia ficaram parcialmente destruídas. Os presos arrancaram as portas de ferro e quebraram as paredes. Por vários momentos o clima ficou tenso.

Kelinho, que iniciou a rebelião e era o líder do motim, acabou sendo feito refém pelos demais internos. Ele apanhou bastante dos colegas. “Tudo vai ser apurado e vamos punir os culpados. Esperamos que a delegacia seja reformada e que não funcione mais como presídio”, disse o delegado de Polícia, Ivo Cunha.  Os presos reivindicam banho de sol, água e comida e disseram que a delegacia não tem condições de funcionar como presídio. A situação crítica do sistema carcerário, em Parintins, agravou-se com a interdição da unidade prisional do município em agosto de 2011, determinada pela Justiça, por conta da superlotação. Os presos passaram a ser levados para a Delegacia de Polícia.

Na Delegacia, os presos comuns passaram a dividir as celas com 32 internos, que teriam que estar na unidade prisional. O presídio que deveria abrigar somente 39 presos atende a 156 pessoas, de acordo com informações do diretor da unidade, Beto Medeiros, e teve que ser interditado porque não cobia mais ninguém. Há 14 meses que a Delegacia de Polícia funcionava como presídio provisório e também não tinha mais espaço para receber novos presos.

Sem banho de sol e internados em condições precárias os presos se rebelaram após a visita dos seus familiares no sábado. A situação está insustentável, afirmou o delegado de Polícia, Ivo Cunha, que admitiu serem justas as reivindicações dos detentos. “Em parte as reivindicações são verdadeiras”, afirmou. O juiz Aldrin Henrique disse que vai pedir providencias a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus). O presos reivindicavam a presença do desembargador Sabino da Silva Marques, coordenador da Comissão Carcerária do Tribunal de Justiça do Amazonas e de representantes de Sejus.