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Travesti amazonense era escravizado em São Paulo

Homossexual foi seduzido a fazer cirurgia plástica em Jundiaí (SP), mas acabou refém da rede de tráfico humano para exploração sexual 01/11/2012 às 16:43
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Bruna foi mantida refém por seis meses, período em que foi explorada sexualmente
Jonas Santos ---

O sonho de se tornar um transexual não terminou com um final feliz para o homossexual amazonense Bruno Amaral do Carmo, 27, que no meio ‘artístico’ atende pelo nome de Bruna Valadares. Natural de Parintins, “ela” viajou de sua cidade natal para Jundiaí, no interior paulista, com o desejo de aplicar silicone nos seios, nas nádegas e ficar com o corpo ‘turbinado’. Porém, ao chegar lá, descobriu que era mais uma vítima de uma rede de tráfico humano.

Em Jundiaí, ela foi mantida, por seis meses, em cárcere privado em uma casa, juntamente com outras travestis, e transformada em escrava sexual. Bruna teria sido recrutada pela travesti identificada como Eva Tompson, que conheceu no Festival Folclórico de Parintins de 2011.

A denuncia foi registrada pela própria vítima no Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo, após Bruna conseguir fugir da casa onde era mantida presa. A Polícia Civil paulista e a Polícia Federal investigam o caso.

O presidente da Associação dos Gays, Lésbicas e Travestis de Parintins (AGLTPIN), Fernando Moraes, o Dinho, denunciou o caso à imprensa e pediu apoio da Secretaria Estadual de Justiça e dos Direitos Humanos do Amazonas (Sejus), porque Bruna estava tendo dificuldades em retornar a Parintins. Dinho contou que Eva Tompson patrocinou as passagens de Bruna Valares e prometeu que, em Jundiaí, ela cresceria profissionalmente e ganharia um bom dinheiro. “Elas se conheceram em 2011 e no início de maio deste ano, Bruna embarcou para Jundiaí”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente da Associação, Bruna está há seis meses em Jundiaí, e lá foi batizada com o nome de “Manauara”, mas não teria se submetido à cirurgia para o implante de silicone, conforme promessa da travesti.

Denúncia

Na quinta-feira passada, após conseguir fugir da casa, somente com a roupa do corpo e com um documento de identidade, ela entrou em contato, via torpedos de celular, com Dinho, relatando que era mantida em cárcere privado e que, por várias vezes, foi vítima de sessões de espancamento. Bruna relatou que trabalhava em um ponto, onde ocorriam os encontros dos programas sexuais, para pagar o débito com a travesti Eva Tompson. "Ela era espancada porque não conseguia ter um bom faturamento no ponto nas ruas de Jundiaí, para onde a mandavam. Os seguranças da casa batiam nela com taco de beisebol", descreveu Dinho.