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Cotidiano
AVIÃO

Um ano após morte de Teori Zavascki, queda de avião ainda é investigada por autoridades

O relatório final de investigação do Cenipa, ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), será divulgado na próxima segunda-feira (22) 19/01/2018 às 10:22
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Foto: Agência Brasil
Cristina Indio do Brasil (Agência Brasil) Rio de Janeiro (RJ)

Um ano depois da queda do avião, no mar em Paraty, no sul do Rio de Janeiro, que matou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, as causas do acidente ainda estão sob investigação.

Foram abertas três frentes de investigação - da Força Aérea Brasileira (FAB), do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF). O relatório final de investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), será divulgado na próxima segunda-feira (22), em Brasília.

O documento será apresentado pelo chefe do centro, brigadeiro Frederico Alberto Marcondes Felipe, e pelo investigador encarregado, coronel Marcelo Moreno.

Em geral, as investigações do Cenipa apontam fatores que contribuíram para o acidente e o que fazer para evitar novos casos. “O Cenipa é o órgão da Força Aérea Brasileira que investiga, não julga. Não é um órgão de investigação penal. É um órgão técnico, que tem como função encontrar causas do acidente, inclusive para reduzir a possibilidade de acidentes futuros. O relatório da Polícia Federal é mais relacionado a aspectos jurídicos penais de investigação”, disse o ministro da Defesa, Raul Jungmann, em entrevista à Agência Brasil.

Falha humana, diz PF

No último dia 10, a Polícia Federal informou que sua principal linha de investigação aponta para falha humana nas manobras de aproximação da aeronave da pista de pouso em Paraty. A investigação ainda não foi concluída.

Raul Jungmann acredita que as informações parciais divulgadas pela PF afastam a tese de atentado. “Espero que sim. Em um acidente como este, muita gente fez teses conspiratórias, isso ajuda, mas o relatório técnico definitivo, que não está na esfera policial, sobre as causas de como se deu e porque se deu com excelente nível de profissionalismo da FAB, por meio do Cenipa, teremos enfim um juízo definitivo, não que eu esteja colocando em dúvida a Polícia Federal, longe disso”, disse.

Forte na memória

Mesmo após um ano, as imagens do acidente ainda estão fortes na memória de quem participou dos resgates dos corpos e dos restos do bimotor, que levava Teori e mais quatro pessoas.

O comandante do Grupamento de Buscas e Salvamento do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Luciano Sarmento, estava na equipe de resgate. Ele lembra que por causa das péssimas condições climáticas, que impediam a visibilidade do piloto do helicóptero dos bombeiros, precisou se dirigir com a equipe ao local por terra. A equipe de mergulho chegou à noite em Paraty, e, embora não seja comum fazer resgates nesse horário por causa da pouca visibilidade, o trabalho começou no mesmo dia, uma vez que o mar estava mais calmo.

“O corpo do ministro Teori Zavascki e de uma senhora foram os primeiros a serem resgatados. Na condição da aeronave, eles não estavam tão presos às ferragens. Com equipamentos leves, conseguimos retirar os dois e levar à superfície, colocamos na embarcação e nos dirigimos à marina. A gente já tinha localizado os outros corpos, mas havia necessidade do emprego de equipamento mais específico”.

Retirada de vítimas

No fim da madrugada começou o trabalho para a retirada das outras vítimas. Foi utilizado um equipamento que é usado em acidentes automobilísticos, para o corte da fuselagem. "Esse equipamento nos permite realizar atividades de cortes e foi o que fizemos durante quase toda a manhã para resgatar os outros três corpos", contou.

De acordo com o coronel, o trabalho conjunto com a Marinha para a flutuação dos restos do avião permitiu que as partes fossem preservadas para as investigações sobre as causas do acidente.  “Nós tivemos a preocupação de onde cortar [a fuselagem] e evitar o máximo de dano do que a aeronave já tinha tido. Tivemos sempre este cuidado”.

Responsabilidade

Apesar de ter atuado em diversos salvamentos e buscas de grande número de vítimas nos mais de 20 anos na corporação, Sarmento conta que o resgate foi um marco em sua carreira e a responsabilidade era grande por causa da posição ocupada por Teori naquele momento no país. “Como brasileiro e com o objetivo de cumprir a missão, me senti muito honrado em poder participar desta missão e ter tido a oportunidade de dar à família [a condição de] poder enterrar o seu ente querido”.

O jornalista e presidente da Associação Comercial de Paraty, Anderson Terra, foi um dos primeiros a noticiar a queda de um avião na região. Assim que soube do acidente, pegou uma embarcação no cais e seguiu para um local próximo da queda. Até então, não sabia quem estava no bimotor.

Terra chegou a publicar um vídeo da chegada da equipe da Capitania dos Portos ao local para a rede de comunicação britânica BBC, uma das mais importantes do mundo.

“Da área em que ocorreu o acidente até o cais leva menos de 10 minutos e a propagação do acidente foi muito rápida. Aí, peguei a embarcação no cais e fui ver. Chegando lá é que fui informado que era o Teori Zavascki, porque até, então, sabia apenas da aeronave que a gente conhecia”, disse. “Fiquei até mais tarde lá e eles [equipes de resgate] começaram a isolar a área e só ficou a minha embarcação no local”, acrescentou.

Falta de equipamento

Anderson Terra relata que a dificuldade inicial de quem se juntou para tentar ajudar no resgate era a falta de um equipamento para romper a escotilha do avião e passar um tubo que permitiria a única passageira, que ainda estava viva após queda, pudesse respirar. “Ela morreu provavelmente por asfixia ou por afogamento, porque começou a entrar água na aeronave. Foi um momento de agonia também das pessoas que tentavam resgatar. Muitas pessoas presenciaram”.

O ministro Jungmann, relembra que estava em Dourados, no Mato Grosso do Sul, quando recebeu a notícia, ao lado dos comandantes militares para apresentação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). Segundo o ministro, ele fez um telefonema para informar o presidente Michel Temer sobre a queda do avião.

A partir daí, todos voltaram para Brasília e profissionais do Cenipa foram mandados a Paraty para iniciarem a investigação técnica.

Foi um choque

O ministro disse que a notícia foi um choque. “Choque porque o Teori tinha nas suas mãos algumas das decisões mais importantes da vida política e, obviamente, como relator da Lava Jato era uma peça central em todo esse processo que todo o Brasil acompanha. Além de ser uma pessoa, que comigo, sempre foi muito gentil”, disse.

Jungmann destaca que Teori estava lidando com “serenidade e a imparcialidade" a tarefa. "Ele passava tudo isso, a serenidade tão necessária em um processo que mexia com os nervos não só de políticos como de todo o país”.

Relator da Lava Jato

Teori Zavascki era relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo e iria homologar a delação premiada dos executivos da Odebrecht assim que o Judiciário retomasse os trabalhos.