Publicidade
Cotidiano
Notícias

Uso obrigatório de cartão para acesso à rede de atendimentos tira a paciência de usuários no AM

O serviço requer disposição do usuário para obter o cartão, exigido para consultas e exames de média e alta complexidade na rede pública de saúde (SUS) 12/09/2012 às 08:33
Show 1
Na policlínica Ivone Lima Santosa expedição do cartão SUS funciona com horário marcado. Sem o cartão usuário terá dificuldades até para arrumar emprego
Náferson Cruz ---

Há cinco meses o Ministério da Saúde (MS) tornou obrigatório o uso do Cartão Nacional de Saúde (CNS) para facilitar o acesso à rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), além de organizar e sistematizar dados sobre o atendimento prestado aos usuários. Entretanto, na prática, diversas falhas foram identificadas por  A CRÍTICA em várias unidades de saúdes de Manaus, a começar pelo acesso. Em boa parte, o serviço requer disposição e paciência do usuário para obter o cartão, exigido para consultas e exames de média e alta complexidade na rede pública de saúde.

Na policlinica Castelo Branco, no  Parque 10, Zona Centro-Sul, e no Serviço de Pronto Antendimento (SPA) do Coroado, Zona Leste, é possível tirar o documento, mas não elas não entregam  o cartão do SUS. Nesta última unidade, o aposentado Mário Lima de Medeiros, 68, contou que estava com dificuldade para obter o documento. O aposentado disse que ja tinha passado por várias unidades de saúde, mas sem êxito. “Até agora não consegui tirar o cartão, o qual preciso muito para resolver meu problema de saúde”, comentou Mário de Medeiros, que estava com a aparência debilitada.

Na policlínica Ivone Lima Santos,  no bairro Ouro Verde, Zona Leste, diferente da policlinica do Parque 10, o serviço funciona com  limitações. Lá a retirada do cartão é feita por hora marcada, no horário da manhã de 9h às 10h30; e à tarde  das 15h45 às 16h45, durante a semana.

Para a usuária do sistema público de saúde Margareth Mendes, 35, que até então, desconhecia a necessidade,  tirar o cartão do SUS é mais uma dificuldade para conseguir marcar consultas. “Isso é um absurdo colocar horário para retirar um simples cartão para a pessoa ainda ser atendida”, lamentou. 

No bairro da União, Zona Centro-Sul, os moradores enfrentam dificuldades para tirar  o cartão. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) Theomário Pinto da Costa,  ao menos dez pessoas, a maioria mulheres, estavam na fila aguardando para serem atendidas. De acordo com informações da unidade, por dia são distribuídas apenas 40 fichas para retirar o cartão, o que tem deixado os usuários de saúde revoltados.

A doméstica Laura Miranda da Silva, 29, disse que os profissionais que trabalham no local não têm respeitado as pessoas que procuram o serviço de saúde. Ontem, eram mais de 11h e  o responsável pela emissão do cartão não estava no posto.

Somente no Hospital Dr. João Lúcio, na Zona Leste, há facilidade na emissão do cartão exigido pelo SUS. Mas,  diferente do planejamento do Governo Federal, o cartão expedido pelo Sistema de Regulação (Sisreg), é uma folha de papel ofício com os dados do usuário, quando deveria ser um cartão similar ao de crédito. No local o serviço começa a partir da 7h, e conta com três guichês para o atendimento.

O cadastro para obter o cartão do SUS, de acordo com o Ministério da Saúde, deve ser feito em hospitais, clínicas e postos de saúde ou locais definidos pelas secretarias municipais de saúde, mediante a apresentação de RG, CPF, certidão de nascimento ou casamento.