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Cotidiano
ESTIAGEM

Vazante dos rios isola municípios do interior do Amazonas na região do Alto Solimões

Nos municípios de Amaturá e Benjamin Constant, bancos de areia impedem embarcações de atracar na orla 24/08/2017 às 09:33
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Amaturá corre o risco de ficar sem geração e fornecimento de energia elétrica (Foto: Divulgação)
Silane Souza Manaus (AM)

A vazante deste ano causa preocupação na região do Alto Rio Solimões. Embarcações de grande porte não conseguem mais chegar aos portos de Amaturá e Benjamin Constant (a 909 e 1121 quilômetros de Manaus, respectivamente) por causa do baixo nível dos afluentes que dão acesso às cidades e o receio é que as mesmas fiquem isoladas. Ambos os municípios estão em situação de emergência por decreto municipal assinados nos últimos dias 18 e 22. 

A situação de Amaturá é a mais preocupante. O município corre o risco de ficar sem geração e fornecimento de energia elétrica por falta de combustível, o que pode afetar a vida dos pouco mais de 11 mil habitantes. “A cidade fica às margens do rio Acuruy e, na entrada dele, surgiu uma praia com uma extensão de pouco mais de três quilômetros, que está fechando o acesso. Em alguns trechos, a profundidade é de 30 centímetros”, disse o prefeito Joaquim Corado.

Por conta disso, os barcos regionais são obrigados a atracar a 3,5 quilômetros abaixo do porto da cidade, sem que haja acesso por estrada. Com isso, passageiros e cargas são transportados em pequenas canoas, aumentando os custos, principalmente de gêneros alimentícios vendidos no comércio local. E a dificuldade de acesso entre a sede do município e as comunidades ribeirinhas também está afetando o transporte escolar, bem como o escoamento da produção rural. 

Vista da nova localização da balsa de atração de Amaturá localizada a 3,5 quilômetros de sua localização original

As soluções, de acordo com Corado, seria desobstruir o canal do rio Acuruy para o tráfego de lanchas do transporte escolar e pequenas embarcações e abrir uma estrada de acesso à balsa de atracação nas margens do Solimões para o desembarque de passageiros, cargas e combustível para alimentar a usina termelétrica da cidade. Mas o município não possui as máquinas para fazer os trabalhos. “Solicitamos apoio dos órgãos do Governo do Estado e estamos esperando”. 

Benjamin Constant sofre com a mesma situação. Há mais de duas semanas os recreios que transportam cargas e passageiros não atracam mais no porto da cidade devido ao baixo nível do rio Javari, afluente do Solimões. “Na parte mais extrema, junto à fronteira com o Peru, o rio tem um pouco mais de 1 metro de profundidade. A maior consequência disso é o aumento de preço dos produtos, pois as mercadorias vêm em canoas de Tabatinga”, afirmou o secretário de Comunicação, Olivaldo Bruno. 

Vazante em Benjamin Constant. Foto: Olivaldo Bruno

Conforme ele, um levantamento feito com antecedência mostrou que todas as 62 comunidades ribeirinhas do município estão sendo afetadas pela vazante. Os dados estão sendo atualizados para que a prefeitura possa pedir auxílio do Governo do Estado. Diferente de Benjamin Constant, Amaturá já fez esse pedido, de acordo com o prefeito Joaquim Corado.

Rios Javari e Solimões. Foto: Claudir Barbosa

Comunidades ameaçadas pela descida do rio

Algumas comunidades ribeirinhas de Amaturá correm o risco de ficar isoladas devido à vazante, como é o caso das comunidades de Maraitá I, Maraitá II e Palmeira do Norte, localizadas às margens do rio Solimões, segundo informações da prefeitura.

Terras caídas’ ameaçam casas

As comunidades ribeirinhas de Amaturá ainda sofrem com o fenômeno das terras caídas. Na comunidade indígena São Francisco do Canimari, toda a orla desmoronou. A prefeitura do município trabalha para transferir as casas para uma área mais distante do rio.

Comunidade indígena São Francisco do Canimari, em Amaturá, sobre com fenômeno de terras caídas. Foto: Divulgação

AMM fará relação dos afetados

O presidente da Associação Amazonense de Municípios, João Campelo, disse que realizará um levantamento na próxima semana sobre a situação enfrentada por cada município em razão da vazante. Mas a falta de combustíveis é realidade em Itamarati (a 985 quilômetros de Manaus), na calha do rio Juruá. “As balsas não estão chegando à cidade por causa da baixa profundidade do rio”, afirmou. 

A Defesa Civil do Amazonas informou que até agora recebeu apenas um decreto de emergência. É o do município de Amaturá. O documento foi entregue na última terça-feira e está sendo analisado. 

No último dia 14, o órgão colocou 11 municípios das calhas do Juruá, Purus e Madeira em estado de atenção pelo significativo déficit de chuva e diminuição do volume de água nas regiões. E desde o dia 19 está com uma equipe técnica avaliando a situação daquelas regiões. 

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), as bacias do Purus, Madeira e Alto Solimões estão em processo crítico de vazante.