Publicidade
Cotidiano
Notícias

Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é mais grave em bebês de até um ano

Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) diz que Amazonas precisa investir em diagnósticos da doença infecciosa 09/05/2012 às 08:48
Show 1
O VSR é o principal responsável pela hospitalização de bebês prematuros no primeiro ano de vida, visto que é o maior causador de infecções respiratórias
Carolina Silva Salvador

O Norte é a região do Brasil que menos tem dados epidemiológicos do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e o Estado do Amazonas precisa investir em diagnósticos da doença. A informação e o alerta são da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) e foram dados durante o lançamento da campanha nacional de conscientização “Prematuro Imunizado é prematuro protegido”, na quarta-feira (2),  na cidade de Salvador. O objetivo da campanha é mobilizar pais, médicos  e cuidadores de bebês para que um maior número de prematuros seja imunizado no período de sazonalidade do vírus que, no caso do Amazonas, está relacionado com a estação das chuvas.

Pouco conhecido por grande parte da população, “o VSR é o principal responsável pela hospitalização de bebês prematuros no primeiro ano de vida, visto que é o maior causador de infecções respiratórias nesse período”, alerta o neonatologista Renato Kfouri, presidente da SBIm e um dos mentores da campanha que tem o apoio da Organização Não-Governamental (ONG) formado por mães de prematuros, o Instituto Abrace, e da organização mundial Abbott. 

“A circulação do vírus na região Norte já está ocorrendo. Em qualquer lugar do mundo, o primeiro agente de infecção respiratória aguda em criança menor de 1 ano é o VSR. Não é diferente para a Região Norte, mas faltam dados sobre o seu período exato de circulação na região para que os Estados possam investir em medicações.

Outro ponto que vale destacar é que o diagnóstico é feito por meio da secreção nasal e em duas horas o resultado pode ficar pronto. É muito mais fácil e até mesmo econômico investir no diagnóstico do que comprar a medicação que tem um custo muito elevado”, ressalta Rosana Richtmann, membro do Comitê Técnico Assessor de Imunizações do Ministério da Saúde e presidente da Sociedade Paulista de Infectologia.

O diagnóstico do VSR pode ser confundido com outros agentes causadores de doenças respiratórias como gripe e não existe vacina, nem tratamento específico que possa ser usado rotineiramente. Geralmente, a doença começa com febre, coriza, tosse, espirros e chiados no peito.

Em casos mais graves, a criança manifesta “falta de ar” e diminuição dos níveis de oxigênio no sangue. Dificuldades para beber ou comer e vômitos são também sinais e sintomas do vírus.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o VSR é responsável por 64 milhões de infecções anualmente no mundo e cerca de 160 mil mortes anuais. As taxas de hospitalização de crianças no primeiro ano de vida, com bronquiolite, são altas, tanto em países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento.

Não existe tratamento à base de medicamentos específicos, de uso rotineiro, para infecções causadas por VSR. É feito apenas um tratamento de suporte, como manter a criança hidratada, remover as secreções e ministrar oxigênio, para melhorar a respiração. A única medida de prevenção disponível no Brasil é a aplicação intramuscular (injeção) do anticorpo palivizumabe. Ele neutraliza e inibe o Vírus Sincicial Respiratório.

O VSR pode ser transmitido de pessoa para pessoa facilmente, por meio do contato com secreções respiratórias. Mas os pais podem tomar alguns cuidados para diminuir os riscos de contágio como lavar as mãos antes de pegar o bebê, pois o vírus permanece vivo nas mãos por 30 minutos; cuidado ao manusear objetos do bebê, já que o VSR sobrevive de 1h até 7h no ambiente. Ele pode causar infecções pulmonares também em adultos saudáveis, mas, estas, costumam ser leves. Em crianças ou pessoas com fraqueza do sistema de defesa do organismo, podem ser graves.

No Brasil, sete em cada cem bebês nascem antes de completar o período ideal de 37 a 40 semanas. Nos últimos meses gestacionais é que se desenvolve o sistema imune e respiratório. Aproximadamente 15% (no dos prematuros, menos de 35 semanas), no Brasil, são hospitalizados em decorrência de infecções causadas pelo VSR.

Prematuros são mais visados
A prematuridade é uma condição que favorece o aparecimento de várias doenças, algumas delas de maior gravidade. Por apresentarem um sistema imune mais imaturo, e muitas vezes, outras condições de agravo, essas crianças devem ter um calendário vacinal diferenciado, que atenda às suas necessidades específicas de prevenção.

As doenças respiratórias são as principais causas de hospitalização e morte em recém-nascidos prematuros, com ou sem doença pulmonar crônica. O risco de complicações e a taxa de hospitalização em consequência da infecção pelo VSR também é dez vezes maior entre os bebês prematuros do que naqueles nascidos de gestações completas.

Para o neonatologista Renato Kfouri, “é imprescindível a prevenção de doenças infecciosas na infância como parte de um esforço global de redução da mortalidade infantil no planeta (meta do milênio da OMS)”. Ao lado do aleitamento materno e da não exposição ao tabaco, a imunização é parte fundamental no controle e redução de doenças respiratórias, como coqueluche, influenza, pneumonias e bronquiolites causadas pelo VSR, segundo Renato Kfouri. “Imunizar é proteger”, alerta o especialista.

Na década de 90, a sobrevida do bebê prematuro era de 60%. Hoje, o cenário foi modificado e a expectativa de vida cresceu para 95%. O saldo positivo é resultado da evolução dos métodos de tratamento, tecnologia e mobilização preventiva que contribuíram para a sobrevivência do prematuro.