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Wanderley Dallas recua e vai tirar 'palavrões' de projeto de lei

Proposta de transformar palavras obscenas, entre outros vocábulos do falar típico do amazonense, como patrimônio imaterial do Estado causou mal estar entre parlamentares durante o trâmite da matéria nas comissões da ALE-AM 22/04/2015 às 16:42
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O deputado estadual Wanderley Dallas (PMDB) foi reeleito em 2014 com 28.297 votos, o equivalente a 1,7% dos votos válidos, que garantiu ao parlamentar a 6ª maior votação entre os 24 eleitos no pleito
acritica.com Manaus (AM)

Após polêmica, o deputado estadual Wanderley Dallas (PMDB) afirmou, nesta quarta-feira (22), que vai rever palavras que ele quer ver transformadas em patrimônio cultural do Amazonas por meio de lei. Segundo o parlamentar, o projeto será aprimorado por meio de uma emenda.

"Ficaram questionando: 'Ah, como você é evangélico e faz um projeto desses?'. Mas, quando faço um projeto não é mirando no público evangélico e sim no povo amazonense", declarou Wanderley Dallas.

Na edição desta quarta-feira, A CRÍTICA mostrou que o projeto de lei nº 341/2012 do parlamentar vem causando constrangimento entre os colegas na Assembleia Legislativa (ALE-AM). Isso porque Wanderley Dallas quer reconhecer como patrimônio cultural de natureza imaterial para o Estado palavras comuns no vocabulário regional local, como: “cabaçuda”, “cabaço”, “dedada”, “gala”, “pimba”, “pinguelo”, “piroca”, “pomba”, “xibiu”, entre outras.

O incômodo foi tanto que o deputado Orlando Cidade (PTN), que preside a Comissão de Constituição Justiça e Redação (CCJR),  apresentou, na quinta-feira (16), um projeto para que o colegiado tenha o poder de vetar a tramitação de matérias que, na avaliação dele, ridicularizam o parlamento.

Na justificativa da matéria, o Dallas afirma que se inspirou na obra “Amazonês – Termos Usados no Amazonas”, do escritor Sérgio Freire, doutor em linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Em seu perfil no Facebook, Sérgio Freire afirmou que a discussão está " totalmente fora de foco"  e que os palavrões estão entre outras milhares de palavras que incluem a linguagem amazonense.

"Se há deputados que acham que as pessoas não deveriam falar essas palavras porque são 'ofensivas' e 'falta de educação', que trabalhem para dar aparelhos sociais que diminuam a necessidade de seu uso. Batalhem por mais escolas, mais cultura, por exemplo. O português oral falado aqui é riquíssimo e lhe cortar partes numa censura linguística – porque é 'feio' – é de uma pobreza intelectual imensa", escreveu o professor.

"O trabalho do linguista não é dizer o que é certo ou errado, mas descrever a língua como ela é. Na boa, não sei se quero entrar nessa discussão pequena. Não, quero, sim", concluiu Freire em seu post.

Outras palavras do projeto de lei (entre parênteses o significado)

Baitola (homossexual)

Baixa da égua (lugar para onde se mandam pessoas que estão nos chateando, lugar distante)

Boiola (homossexual)

Cabaço (o hímen)

Cabaçuda (virgem)

Cagado (sortudo)

Chapado (com cecê)

Cu doce (pessoa que se faz de difícil, pedante)

Dar de com força (atacar)

Dedada (ato de cutucar o bumbum de alguém com o dedo)

Fofobira (coceira na vagina)

Fuleiragem (porcaria, coisa ruim)

Fuleiro (ordinário, ruim)

Furunfar (praticar ato sexual)

Gala (esperma)

Impinge (mancha no corpo)

Inhaca (cheiro ruim)

Pimba (pênis de criança)

Pimbada (relação sexual)

Pinguelo (órgão sexual masculino)

Pira (ferida)

Pirentinha (menina com quer só se quer ter envolvimento sexual)

Piriguete (mulher fácil)

Piroca (pênis)

Pirocar (perder ou cortar o cabelo)

Pomba (pênis)

Têca (pênis)

Toba (ânus)

Tolete (bolo de fezes)

Xibiu (vagina)