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Eleições
MITOS E VERDADES

Tudo o que você precisa saber sobre votos nulos e em branco antes do segundo turno

Números no primeiro turno foram expressivos no Amazonas, sendo 62 mil em branco e 218 mil nulos 25/08/2017 às 00:37 - Atualizado em 25/08/2017 às 08:25
Show show urna
(Foto: Reprodução/Internet)
Tiago Melo Manaus (AM)

Com a proximidade do segundo turno das eleições suplementares para Governador do Estado do Amazonas, que ocorre neste domingo (27), algumas dúvidas antigas permanecem na cabeça dos eleitores.

Um dos pontos mais cercados de mitos quando a pauta em questão é o sistema eleitoral brasileiro são os votos em branco e votos nulos. No primeiro turno, os números no Amazonas foram expressivos. Cerca de 62 mil eleitores escolheram votar em branco, o que representa  3,4% do total. E 218 mil eleitores anularam os seus votos. Esse montante representa 12,3% do total de 2,3 milhões de eleitores.

Muitos eleitores, independente da idade ou experiência, acreditam que essas opções possuem efeitos diferentes ou que tenham um peso no resultado final da votação. A redação do portal Acritica.com buscou a sabedoria de especialistas e cientistas políticos para desmistificar o assunto e responder tudo o que você precisa saber sobre votos em branco e nulos na hora em que for eleger seu candidato neste final de semana. Confira o que eles disseram:

Para quem vai o voto em branco?

Antigamente, o voto em branco era considerado válido e contabilizado para o candidato vencedor, como se o eleitor se declarasse satisfeito com qualquer candidato que vencesse as eleições. Isso mudou em 1997.

" A ideia é que todos os votos em branco vão para o candidato que estiver na frente. Mas isso já não é mais verdade. Os votos em branco são inválidos e não favorecem diretamente nenhum candidato", disse o professor Leland Barroso, assessor da presidência do TRE-AM.

Como funciona o voto nulo?

Considerado como uma forma de protesto, o voto nulo, ao contrário do conformismo do voto em branco, demonstra a indignação do eleitor com os candidatos a ele apresentados.

"Diferente do voto em branco, que é uma opção oferecida pela urna, o voto nulo exige o ato do eleitor de digitar um número de um candidato inexistente. Como 00. No fim, matematicamente, os dois não diferem em nada entre si", afirmou Leland.

Se 50% dos votos forem nulos e brancos a eleição é cancelada?

A resposta para essa questão é simples: não. De acordo com o professor Leland, esse é mais um dos mitos criados pela sociedade, visto que os votos nulos ou brancos não entram no cálculo dos resultados das eleições, pois não são considerados válidos.

"A eleição só será anulada pela justiça eleitoral, em uma ação própria, caso o candidato vencedor for cassado após o resultado da eleição", disse ele, ressaltando que caso isso aconteça o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marca uma nova eleição em um intervalo de 20 a 40 dias.  

Como esses votos influenciam as eleições?

Mesmo que inválidos ou que não anulem uma eleição, os votos em branco e nulos influenciam indiretamente no processo, favorecendo o candidato que está na frente na disputa, especialmente em eleições de dois turnos. O motivo é simples: com menos votos válidos, fica mais fácil alcançar os mais de 50% de votos necessários para a eleição.

 "Matematicamente falando, eles, de fato, não fazem diferença nenhuma, afinal, eles não são contabilizados. Mas eles diminuem o número total de votos que serão realmente considerados na contagem final", disse o professor.

Vale a pena votar nulo ou branco?

Para ele, a resposta é óbvia: não vale à pena votar em branco ou nulo como forma de protesto. "A eleição não será anulada e o candidato que já estiver na frente vai ser ainda mais beneficiado. Não tem jeito. É melhor que se escolha o menos pior, porque sempre alguém vai ser eleito no final. O estado não pode ficar ser governador", concluiu ele.

TRE-AM contra votos nulos e em branco

Na página oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas no Facebook, o presidente Yêdo Simões faz um apelo aos eleitores para que não votem em branco ou anulem o voto no segundo turno. Nas palavras dele, "o amazonense não deve delegar a terceiros o direito de escolha do governante do estado". Confira abaixo o vídeo na íntegra:

‘Essa festa da democracia está contaminada’

Para o cientista político Luiz Antônio Nascimento, há um esgotamento do processo eleitoral, uma discordância.

"A população não está satisfeita com o processo eleitoral. Parte dessa descrença, resistência política, tem a consciência de dizer 'eu adoraria participar dessa grande festa da democracia, mas essa festa está contaminada, no ponto de vista da natureza política'”, disse ele.

Na visão do cientista, os votos em branco, nulos e abstenções é um reflexo da falta de representatividade do povo nos candidatos.

"Não vai adiantar esse movimento de chamar para votar, se não chamar para discutir a política. Não temos feito isso há uns  20 anos. Os eleitores não estão se sentindo pertencentes, por isso que eles não vão. Nós vamos às urnas, quando os candidatos forem as expressões das nossas vontades; quando o candidato que tiver disputando a eleição, expressar aquilo que os jovens, negros, gays, mulheres, enfim… quando a sociedade for expressada ali", continuou.

"Neste domingo vamos ter eleição, mas há um marasmo, um certo desencantamento. Isso é grave, principalmente, porque abre espaço para os charlatões. É preciso politizar a política", conclui ele, ressaltando que possivelmente haverá um aumento no número de abstenções e votos brancos e nulos neste segundo turno.