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13º salário: Cuidado para não gastar tudo em dezembro e entrar o ano no vermelho

A educação financeira é determinante para o equilíbrio dos gastos de dezembro, para que o orçamento particular cubra as dívidas obrigatórias de início de ano. O economista Renilson Silva dá orientações acerca do planejamento, que deve ser executado no decorrer do ano 25/12/2012 às 15:06
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Com a injeção do décimo os centros comerciais lotam durante o período de festas
Laynna Feitoza Manaus, AM

Entra ano, sai ano, e os festejos que marcam o período de Natal e Ano Novo seguem fortes como nunca. Em um momento onde o tão esperado 13º salário chega para ‘confortar’ a alma de quem quer comemorar as festas natalinas e a passagem de ano em alto estilo, uma dúvida, em questão, assola a mente de muitas pessoas em relação aos custos e gastos. Essas dúvidas naturais do mês de dezembro podem ser resquícios de uma equivocada administração de finanças executada durante o ano inteiro.

De acordo com o professor Renilson Silva, Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP), a educação financeira é a base para o controle dos gastos obtidos neste fim de ano, que são quase obrigatórios por conta da cultura natalina. O que caracteriza esse desequilíbrio financeiro é justamente a falta de educação das finanças.

“Infelizmente as pessoas não conhecem o quanto pagam de juros e não sabem diferenciar taxas. Outro aspecto importante são os efeitos da propaganda, os quais induzem ao consumo compulsivo. Exemplo disso são os diversos sites de compras em grupos. Por ultimo, o consumo no cartão de crédito, o qual cria a ilusão monetária de que há mais dinheiro disponível. Com isso, as pessoas acabam gastando mais do que ganham e pior, não conseguem pagar o valor integral da fatura do cartão de crédito. Esta é a origem dos maiores problemas financeiros, pois os juros dos cartões são os mais elevados da economia. Como exemplo, se uma dívida de R$ 1 mil em janeiro de 2012 foi rolada até este mês, essa dívida hoje está próxima de R$3,5 mil”, assegurou o professor.

13º salário: cuidado para não virar um inimigo

O 13º salário pode ser um amigo ou se tornar um inimigo, se não for corretamente planejado e projetado, conforme o doutor. “Sem planejamento você não consegue identificar sua maior fonte de despesa, não consegue controlar as despesas, muito menos como pagá-las. O décimo terceiro salário, combinado com o planejamento, é uma oportunidade para o ajuste das contas. Portanto, ao receber essa renda extra, a prioridade é pagar dívidas como as do cartão de crédito ou do cheque especial, cujos juros são os mais elevados. Esse é o melhor investimento que se pode fazer”, justificou Renilson.

Tal falta de planejamento é decorrente dos gastos mais concentrados nas conveniências do que com aquilo que realmente se precisa, explicou o professor. E a criatividade das mídias estratégicas é o que confunde a cabeça da sociedade quanto a isso.

“A sociedade é muito influenciada pelo marketing, que, aliás, está cada vez mais criativo. Além disso, as pessoas acabam confundindo desejo com necessidade. Às vezes, você compra uma roupa que estava em promoção, que foi para o guarda-roupa e a usou por no máximo uma vez. O que precisa mudar, portanto, é estabelecer o que é seu desejo e o que você realmente precisa”, destacou Silva.

Pais, filhos e presentes: agrado não pode superar as possibilidades

E com a aproximação do Natal, a troca de presentes se faz uma obrigação, o que leva a muitos pais perderem a consciência em relação ao que podem gastar com seus filhos, elevando a necessidade de agradar às possibilidades de compra. Segundo o professor, o ideal é pontuar as prioridades e concentrar os gastos em um lugar só, para obter alguns benefícios especiais.

“O primeiro ponto é mostrar que Natal é, antes de tudo, um momento de celebrar a união familiar. Com isso em mente, fica mais fácil comprar presentes mais baratos, destacando que há coisas a serem compradas no futuro que serão mais importantes para eles. Para economizar na compra, a melhor forma é procurar uma única loja para concentrar as compras e com isso obter maiores descontos”, garantiu o Doutor em Economia.

‘As festas duram apenas uma semana. As dívidas podem durar o ano inteiro’

Controlar os gastos de fim de ano é mais do que necessário. Muitas pessoas se esquecem que o ano recomeçará, e que outras situações obrigatórias de consumo também despontarão com ele, como as compras dos materiais escolares das crianças, dos materiais de trabalho e de faculdade. A partir disso, o professor pontuou algumas dicas importantes para equilibrar os gastos no fim do ano e assegurar equilíbrio durante o ano seguinte.

“Primeiramente, deve-se pagar as dívidas de juros elevados antes de contrair novas. Em seguida, planejar as despesas de início de ano, as quais não são poucas. Há o IPTU, material escolar, matrículas, seguros, sindicatos ou conselhos,  etc. Faça um levantamento de quanto serão essas despesas antes de começar a comprar os presentes ou os preparativos para as festas. Depois de planejadas todas essas despesas, aí sim, você saberá o quanto vai sobrar para comprar presentes. É sempre bom lembrar que as festas duram apenas uma semana. As dívidas contraídas ou não pagas podem criar problemas para o ano inteiro”, aconselhou Silva.