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Vida

50 anos de carreira de Milton Nascimento

Cantor falou com exclusividade com a reportagem de A Crítica e revelou algumas curiosidades 18/03/2012 às 21:27
Show 1
Milton Nascimento faz 50 anos de carreira
Rafael Seixas São Paulo

Talvez os versos “Por tanto amor, por tanta emoção a vida me fez assim doce ou atroz, manso ou feroz, eu caçador de mim”, presentes na canção “Caçador de mim”, de Milton Nascimento, definam o que esse carioca, mineiro de coração, construiu nos seus 50 de carreira. “Bituca”, apelido de infância que até hoje é usado na intimidade, se tornou na juventude (e  até hoje) um dos mais influentes cantores e compositores da MPB. Nascimento conversou com exclusividade com a reportagem de A CRÍTICA, durante sua passagem pelo lançamento do projeto Natura Musical, em  São Paulo, do qual ele participará por meio de uma turnê comemorativa de seus 50 anos de carreira. 

A turnê será registrada num DVD que será distribuído gratuitamente nas escolas públicas de Três Pontas, cidade do interior de Minas Gerais, onde o músico passou grande parte da vida.

 Sete shows

 Milton fará uma série de sete shows, passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Salvador, além da cidade natal Três Pontas. “A ideia é focar em Travessia’ (primeiro álbum - 1967). Compus três músicas numa mesma tarde ‘Morro Velho’, ‘Pai Grande’ e ‘Travessia’, morava em São Paulo (...) Fiz música e letra das duas primeiras. Achei  que ‘Travessia’ não era pra eu fazer, nem Márcio Borges (par ceiro musical de anos). Por isso, chamei um amigo de Belo Hori zonte que nunca tinha mexido com isso, mas achei que ele tinha de fazer e fez, que é o Fernando Grant. Aí tudo começou”, relembra. Ele será acompanhado nos sete shows por seu amigo Lô Borges,  com o qual fez o famoso álbum “Clube da Esquina”.

Após o lançamento de “Travessia” no Festival Internacional da Canção, Milton ganhou  grande projeção. Se sua trajetória não tivesse sido desse jeito não teria tido graça. “Foi uma coisa muito maluca. A gente (ele e Fernando) fez a letra da ‘Travessia’ e uma irmã do Fernando pediu para eu assinar um violão, aí eu disse: ‘pra quê?’. Ela falou: ‘porque vocês vão ganhar um festival com isso aí’. No ano seguinte já estávamos no Rio, no Festival da Canção, e no outro ano nos Estados Unidos gravando com o pessoal do jazz. Então, acho que tem tudo  a ver música, astronomia e tudo mais”.

 Bem, a outra paixão de Milton (fora música) é astronomia, costume que adquiriu com o seu pai (Josino Campos). “Queria fazer faculdade de astronomia. É uma coisa que aprendi com o meu pai a gostar. O pessoal achava que ele era maluco (...) Tínhamos um telescópio e toda noite sabíamos o que ia acontecer, quantas luas iam aparecer de Saturno, de Marte, disso, daquilo, e fui me apaixonando, mas fiquei só com a música”.

 Criação

E pode se dizer que toda essa sensibilidade de Nascimento se deve à criação que teve de seus pais adotivos. Para ele, a melhor forma  de compor é quando a casa está lotada com seus 118 afilhados. E como o próprio gosta de dizer: “todos  de batismo”. “Tudo que faço na minha vida devo aos meus pais. Sou o filho adotivo que nunca foi tratado como filho adotivo, mas sim filho (...) Nas cidades do interior, geralmente, as mães não gostam  que as crianças vão para suas casas porque vão sujá-la. A minha mãe (Lília Silva Campos) era diferente, ela queria ver todo mundo  lá. Ela fazia chocolates e coisas  de lanche. Os meninos eram  apaixonados por ela”.

 Destino

Dessa infância alegre foi que se construiu esse grande artista. Parece que Milton já estava predestinado ao sucesso, a ser um  dos músicos brasileiros mais premiados com Grammy Latino e um dos mais respeitados no exterior.

“A primeira lembrança musical que tenho é de desenho animado, acho que o primeiro desenho foi Cinderela. Também foi uma marca da minha vida. Quando nos mudamos pra Três Pontas, tocava sanfona e inventava histórias de desenhos. Para cada personagem compunha uma música na hora, sem saber o que ia sair. Tinha seis anos. Era uma loucura porque, às vezes, tinham pessoas mais velhas do que eu ouvindo minhas canções de desenhos”. Para Milton, 50 anos de aplausos e sucessos ainda é pouco.