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8 de outubro: Dia do Nordestino na Amazônia

O sociólogo Francisco Canindé Marinho falou sobre o contexto histórico da população nordestina, que migrou à Amazônia, sendo também fiadora de desenvolvimento econômico e cultural na região 10/10/2012 às 12:26
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Trabalhadores nordestinos em Fordlândia, norte do Amazonas
Laynna Feitoza Manaus, AM

A bravura e destreza da população nordestina foi consagrada na região amazônica pelo dia 08 de outubro de 1942, tomado como o Dia do Nordestino na Amazônia. A data corresponde ao registro da última e principal corrente migratória dos nordestinos, que vieram rumo ao trabalho e melhor qualidade de vida, instituindo sua importância histórica e econômica à região e ao estado do Amazonas.

O sociólogo Francisco Canindé Marinho é também presidente da Associação Recreativa dos Nordestinos no Amazonas (ARNAM) e ex-professor da antiga Universidade do Amazonas (UA). Nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte. Em alusão à data, explicou ao acrítica.com mais sobre o início da migração nordestina à Amazônia.

Migração dos nordestinos à Amazônia

“Tivemos uma importância muito grande, em especial naquela relacionada à extração do látex/borracha. Nesta data, aproximadamente 60 mil migrantes nordestinos vieram rumo à Amazônia, estabilizando-se principalmente nos estados do Acre e no Amazonas, atraídos pelo sonho de uma vida melhor. Naquela época estava ocorrendo uma seca muito grande no Nordeste, o que motivou a migração”, lembrou o professor.

Importância econômica

A migração dos nordestinos à Amazônia é integrante de um dos principais momentos econômicos do Amazonas, a época da borracha, onde foram também protagonistas do desenvolvimento deste período.

“Como o Brasil tinha um acordo dos aliados para a Segunda Guerra Mundial, coube ao país a questão da utilização da borracha para manter os instrumentos bélicos durante a Segunda Guerra. A partir da borracha eram construídas sandálias, coturnos, capacetes, e o nordestino, por corresponder, na época, a uma mão de obra barata, protagonizou também o desenvolvimento deste período”, afirmou Marinho.

A luta pela sobrevivência foi o ponto alto da estadia dos nordestinos na Amazônia. “Eles eram chamados arigós porque eram arredios. Se embrenhavam nas matas e ganhavam pelo que produziam. Muitos morriam na mata, comidos por onças, ou por não conseguirem alimento para sobreviver no local. Os sobreviventes foram chamados de ‘soldados da borracha’”, disse.

Conforme o sociólogo, com a presença dos soldados da borracha, a economia do Amazonas foi estabilizando-se.

“Após a Segunda Guerra Mundial as economias foram se arrumando. O grande beneficiado foi o Amazonas, que se refugiou na economia em decorrência do ciclo da borracha. E os arigós depois foram fundando bairros, como o Alvorada, Aparecida, e a origem destes bairros é retrato desta época”, lembrou Canindé.

Folclore amazônico sob influência do nordestino

O folclore amazônida também possui fortes influências dos migrantes nordestinos, segundo Marinho.

“O folclore se disseminou muito rápido, porque a diversão dos arigós era a dança. Com saudade dos seus ancestrais, eles defumavam a borracha e ela formava uma belota (uma espécie de bola). Depois se formava um couro, e, a partir disso, um tambor, um instrumento rudimentar. Eles batiam no tambor fazendo um som semelhante ao ‘bum-bá’, enquanto um ficava mexendo com o boi. Não se pode dizer que o atual formato do boi bumbá no Amazonas é nordestino, até por ter adotado, com o tempo, conjecturas diferentes. Mas com certeza o nordestino também é precedente desta cultura”, comemorou o ex-professor.

Renomes do Nordeste na Amazônia

Entre os soldados da borracha, Canindé destacou o sobrevivente Clóvis Barreto, fundador do Sindicato dos Seringueiros no Amazonas, como um dos precursores da importância do nordestino na Amazônia.

“Além do Clóvis, temos grandes empresários aqui na região, como o Antônio, do Espantalho Pneus, o Lauro, da Casa dos Colchões, o Rivaldo, do Bandeirão,  Aldemir Vargas, da Casa do Eletricista e Eduardo Ribeiro que também era nordestino. Os armazéns perto do Mercadão são compostos por 98% de trabalhadores entre nordestinos e descendentes, e muitos descendem dos soldados da borracha”, assegurou.

Estimativa populacional

Conforme o sociólogo, 75% da população do estado é composta por nordestinos e/ou descendentes de nordestinos. “Mas, segundo estudos mais recentes, tem diminuído o número de nordestinos legítimos, por conta da miscigenação.

Espaço Nordestino

No fim do mês de outubro deve ser lançado o ‘Espaço Nordestino’, com 30 mil metros quadrados, que funcionará na Cidade Nova, com o apoio da Prefeitura de Manaus. “Será um encontro de raízes culturais, que vai funcionar 24 horas com 64 opções de entretenimento, negócios e lazer, e trará toda a história do princípio nordestino”, adiantou o ex-professor.