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Pintura

A arte instintiva e apaixonada de Darci Miwa - O decorrer

Mesmo sendo autoditata, artista também conta das influências recebidas na sua trajetória 07/09/2012 às 16:34
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Miwa segurando o quadro 'Teatro Amazonas', com a praça em sua frente confundindo-se com rios e matas
Laynna Feitoza Manaus, AM

Identidade artística

As influências da pintora são extensas, passeando por elementos distintos, com forte adesão às cores quentes. “Me inspiro no surrealismo, em natureza morta e paisagismo. Dizem que eu me comunico através das cores”, garantiu. E entre os renomes da arte, Darci destacou Gaughin, Picasso, Van Gogh, Matisse, Renoir, Goya, Portinari e Diego Rivera como os pilares da sua carreira.

O estilo Naïf, descrito por Darci como aquele que mais se assemelha ao seu trabalho, foi lançado por um observador de seus quadros, em uma exposição.  A arte Naïf corresponde às expressões marcadas por puro instinto e ingenuidade artística. Geralmente executada por autodidatas, e sem compromisso acirrado com técnicas apuradas, é um estilo marcado por originalidade e certa disparidade aos sistemas artísticos usuais. Prima pela subjetividade, onde costumam saltar as cores fortes, e onde as atmosferas naturais e oníricas se fazem presentes nas obras.

“Sempre corri atrás de novas ideias a partir de coisas que já existem. Algo que faço sempre é desenhar outras imagens por cima de desenhos antigos meus. Quando o quadro está velho e quero novidade, utilizo outras formas e cores por cima da imagem a ser modificada”, declarou Darci, que disse ter começado a pintar desenhando flores, e destacou seu apreço por barcos, rios e a natureza.

“Logo depois, em 2002, percebi que tinha nutrido um olhar diferenciado sobre formas tradicionais e comecei a imprimir o meu ponto de vista sobre as pinturas”, lançou a artista.

Telas e tinta acrílica

A pintora expôs suas primeiras telas em tinta acrílica em mostras coletivas de arte no Centro Universitário do Norte (Uninorte), no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro Empresas do Amazonas (Sebrae-AM) e no Centro Estadual de Convivência do Idoso. “Quando comecei a pintar em telas, que eram de tamanho pequeno ou médio, pintava pores-do-sol, barcos, matas, ar e igarapés constituídos a partir de uma visão quase surrealista”, definiu Miwa.

Território inspirador

A partir da premissa que grandes artistas costumam carregar uma aura melancólica, Darci passou a alimentar essa certeza sobre a arte e sobre a vida em uma viagem que fez ao Equador, quando passou 7 meses no país. Lá, reproduzia as paisagens bucólicas que via.

“O Equador me inspirou bastante. Encontrei vulcões de 4.100 metros de altitude, foi um tremendo choque cultural. Há muita pobreza e submissão naquele lugar. Os estrangeiros são soberanos, enquanto os nativos são pisados. Vi cenas chocantes de crianças catando lixo no chão e comendo sem ao menos limpar, e isso me quebrou”, lamentou a pintora, que relatou sobre a perspectiva artística da região.

“Por ser um país cercado por deficiências, há muitos artistas lá, porque não há liberdade de expressão. Certa vez, vi um artista que estava expondo as telas na frente do shopping local. Um policial veio e confiscou as telas, dizendo que ele não podia fazer aquilo. E a mim, que estava observando, ele disse pra não me intrometer”, lembrou Miwa.


Parte 3: A arte instintiva e apaixonada de Darci Miwa: O infinito