Publicidade
Entretenimento
Pintura

A arte instintiva e apaixonada de Darci Miwa - O estopim

A pintora autodidata fala sobre como surgiu sua arte e aponta formas de incentivar o surgimento de novos talentos 10/09/2012 às 22:57
Show 1
A pintora Darci Miwa, aos 65 anos
Laynna Feitoza Manaus, AM

Padronizar a arte é algo que está relativamente distante da idealização de muitos artistas. Com o despontar de novas gerações, novos elementos surgem para, a partir de padrões estabelecidos, outros nascerem do repertório pessoal de cada indivíduo. E é em defesa de uma arte inundada de instinto e sentimento que a pintora Maria Darci de Almeida Miwa se curva.

Aos 65 anos, é graduada em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte). Natural de Arco Verde, em Pernambuco, mora em Manaus há 40 anos, e absorveu com a perfeição de um nativo o aroma ambiental e artístico do lugar. Suas obras costumam se desprender de estereótipos, mas têm respingos do surrealismo, simbolismo e de arte moderna.

A artista, cujo nome artístico herdou do seu esposo, o descendente de japoneses Jorge Miwa, detalhou sobre o primeiro momento, ainda na adolescência, que a fez sentir o despertar da arte em si. “Quando tinha 13 e 14 anos vi duas figuras de Pedro Américo na casa do meu avô, que era português. Uma era sobre a Batalha dos Guararapes e outra sobre a Primeira Missa do Brasil, e aquilo nunca saiu da minha mente”, recordou Darci.

Mas foi apenas na transição para a vida adulta que Darci tomou a iniciativa de submergir-se na produção da arte. “Aos 25 anos, quando já estava casada, comecei a colecionar revistas de pinturas brasileiras, e fiquei encantada. Na época, lembro que me apaixonei bastante pelas pinturas de Tarsila do Amaral”, contou a publicitária, ressaltando o início humilde de seus primeiros passos na pintura.

Tinta guache e cartolina

“Em 1998, comecei a pintar com tinta guache e cartolina. O primeiro quadro que fiz retratava uma mulher gestante”, assegurou a artista. Personagem que retratou também o nascimento de seu percurso artístico, regado pelo autodidatismo. Apesar de também confeccionar produtos artesanais, sua grande paixão sempre centrou-se na pintura. 

E foi carregando os primeiros quadros de sua trajetória na pintura, feitos à tinta guache e papel cartolina, que Darci participou da primeira exposição. “Em 2001, expus minhas duas únicas pinturas em uma mostra de arte do Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (ICBEU). Expus ao lado de mais de 30 pintores, como Moacir Andrade, Cláudia Andrade, Roland Stevenson, entre outros”, relembrou Miwa.

Sinal verde para a arte

O incentivo ao trabalho de Darci partiu da própria exposição. Apesar de disfarçar o material utilizado para expor sua arte com apenas uma moldura, o reconhecimento do público artístico sinalizou positivamente, para que a autodidata seguisse em frente com a sua proposta.

“Ao término da mostra, um casal de pintores do Rio de Janeiro, que não lembro o nome, disse que eu poderia fazer arte e expor meus quadros, independente do material utilizado para compô-los. Mesmo que fossem talhados em tábuas”, comemorou a publicitária, afirmando ter recebido vários conselhos do casal.

“Eles disseram que era daquele jeito que começava uma artista. Com cartolina e tinta guache. Me fizeram prometer que eu nunca iria parar de pintar. E daí surgiu toda a motivação, o seguir adiante. Disseram que eu tinha que fazer o que meu coração queria”, afirmou a pintora.

Obstáculos

O início em tintas guache e cartolinas reproduziu alguns dos obstáculos encontrados no caminho artístico de Darci. “Não tinha dinheiro pra comprar telas e tinta acrílica. Já cheguei a pintar em compensados tirados do lixo, isopor, e pedaços de eucatex velho”, contou Miwa. “Depois de 2002, o professor Paulo Roberto Bessa me deu uma ‘sacudida’ e comecei a comprar telas e tinta acrílica. Deixei até de comprar roupas para comprar o material necessário”, alegou a pintora.


Parte 2: A arte instintiva e apaixonada de Darci Miwa: O decorrer