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'À Beira do caminho': uma viagem com muitas emoções

Filme de Breno Silveira leva o espectador por uma jornada emocional, com trilha sonora repleta de Roberto Carlos  13/08/2012 às 07:38
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Dira Paes e João Miguel em cena no longa 'À Beira do Caminho'
Mellanie Hasimoto ---

Amor, culpa, medo, arrependimento, prazer, reencontro, redenção. Esses são alguns dos sentimentos que o espectador vai experimentar durante o filme “À beira do caminho”, em cartaz nos cinemas de Manaus. Dirigido por Breno Silveira, o longa traz o menino Vinicius Nascimento e João Miguel numa história de descobrimento e perdão. Tudo isso com uma trilha sonora comandada pelas canções do rei Roberto Carlos. “À beira do caminho” conta a história de João, um caminhoneiro caladão, arredio e que quer distância do convívio com outras pessoas. Em seu caminho aparece Duda, um menino órfão.

Os dois, então, iniciam uma viagem, cada um à sua maneira, do (re)encontro: Duda, de seu pai que não conhece, e João, de sua paz interior. A atuação de Vinicius, estreante, dá show como o faladeiro Duda, fazendo o contraponto com João Miguel, que dá ao personagem uma verdade tão dolorida que impressiona. A jornada dos dois é contada com delicadeza por Silveira, que buscou numa experiência própria a inspiração para escrever o filme – aos 17 anos, após sofrer uma desilusão amorosa, o diretor pegou a moto de seu pai para se divertir em Ipanema. Mas a festa acabou com o adolescente esborrachado no chão. “E meu pai disse, ‘É para você saber que todo mundo sofre’, e me entregou uma fita cassete com músicas do Roberto Carlos”, contou o diretor, em coletiva no lançamento do filme.

Sem tragédia
 O diretor – o mesmo de “Dois filhos de Francisco” (2005), que levou mais de 5 milhões de brasileiros aos cinemas – lutou, durante a divulgação do filme, contra a exploração da morte de sua esposa Renata, a quem o filme é dedicado. E reafirma que o filme não é sobre uma tragédia, ainda que boa tarde da história, aos poucos, seja revelada em cima de um acontecimento que mudou a vida do protagonista. Quem curte um bom road movie, com figurino e cenários crus, simples e muito reais, vai se encantar com a produção. Conhecido por seu apelo sentimental, Silveira não esqueceu as famigeradas frases clichês de parachoque de caminhão, o que deu um toque inusitado ao filme, mas que também completam cada parte, como se marcassem capítulos da história que dirigiu. Entre elas, “Viver é como desenhar sem borracha”, “Não há mal que perdure, nem dor que não se cure”, e outras, como se resumissem o pensamento do protagonista. “Espere o melhor, prepare-se para o pior, aceite o que vier” foi escolha de Breno para fechar o longa-metragem, quando, para conforto do espectador, há redenção.

Trilha
Um dos personagens, por assim dizer, de “À beira da estrada” é Roberto Carlos, ou melhor, seu repertório, tão conhecido pelos brasileiros. “O portão”, “Outra vez”, “Como vai você” e “A distância” – esta última, sugestão do próprio Rei – entram em momentos importantes do longa. Vinicius e João cantarolam “Amigo”, numa das cenas mais bonitas do filme. Uma pena que o filme não receba atenção como um “Batman” da vida. A sessão que a reportagem assistiu, no final de semana de estreia, tinha apenas cinco pessoas na sala.

Elenco
Os atores Dira Paes, Denise Weinberg e Angelo Antônio também estão no elenco de “À beira do caminho”. O roteiro é de Patrícia Andrade, e foi vencedor de seis prêmios no Festival de Cinema de Pernambuco.