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A geração dos longas: novos filmes reafirmam a melhor fase da produção cinematográfica do AM

As sementes do fértil terreno da criatividade amazônica têm dado frutos e ajudado a compor um novo cenário de produtividade para o cinema local 20/01/2016 às 11:56
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O tema da destribalização indígena vem à tona em “Mawé”, um dos projetos locais que está em fase de produção
Felipe Wanderley Manaus (AM)

O cinema de longa metragem feito no Amazonas sempre tropeçou nas limitações financeiras. De Silvino Santos a Sérgio de Andrade, passando por Aurélio Michiles e Cosme Alves Neto, a cinematografia local teve momentos de grandes lacunas na produção de longas.

No entanto, no início do século, uma nova geração de cineastas começou a plantar sementes no então recém-criado Amazon Film Festival, que acolheu e incentivou estes realizadores.

Nos últimos anos, muitas dessas sementes germinaram no fértil terreno da criatividade amazônica, tem dado frutos e ajudado a compor um novo cenário para o cinema local.

Se “A Floresta de Jonathas” (Sérgio Andrade/2012) foi talvez o primeiro longa dirigido, produzido e interpretado por uma grande maioria de profissionais amazonenses, neste ano há várias produções que também levam o selo de produto genuinamente local.

Um deles é o segundo longa do próprio diretor Sérgio Andrade, que em sua estreia nos longas-metragens rodou o mundo em festivais de cinema e chegou a salas comerciais e canais de TV a cabo, como HBO e Max.

No novo projeto, “Antes o Tempo não Acabava”, ele conta a história de um garoto indígena que vem do interior para morar na periferia de Manaus e vive conflitos de identidade, ora rompendo ora se agarrando a seus valores tradicionais.

O filme, cuja direção  é dividida entre Sérgio Andrade e Fábio Baldo (que também assina a montagem), recebeu financiamentos da Petrobras, da Agência Nacional de Cinema (Ancine), da Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas (SEC) e do World Cinema Fund do Festival de Cinema de Berlim.


“Agora estamos com 90% do filme pronto. É quase um milagre”, comemora o autor, que tem expectativa para o lançamento do filme em festivais ainda em 2016.

Esse novo momento do cinema amazônico acabou por criar uma nova demanda para editais de fomento à produção cinematográfica. Em dezembro último, a Ancine, em parceria com o Governo do Amazonas e por meio do programa “Brasil de Todas as Telas”, lançou concurso para disponibilizar R$ 3 milhões para produções audiovisuais para cinema e televisão no Amazonas. O prazo de inscrição se encerra em 4 de março.

Vem por aí

É o caso do estreante em longas-metragens, Heraldo Daniel, do premiado curta “Raiz dos Males” (2012). Neste ano, Heraldo produz o documentário “Clã das Jiboiais: a pré-história, retomada e ascensão do jiu-jítsu na Amazônia”.

O filme pretende narrar a trajetória de uma das grandes expressões esportivas do Amazonas no mundo e é todo produzido por atletas e ex-atletas do jiu-jítsu. “Falaremos da gestação do jiu-jítsu no Amazonas, que foi com a família Gracie e uma trupe (circense) japonesa até a ascensão do jiu-jítsu amazonense no mundo, mostrando (in loco) o dia a dia de amazonenses que dão aula nos Estados Unidos e Japão”, adianta o realizador.


Outro que estreia na produção de longas metragens é o fotógrafo e realizador audiovisual Jimmy Christian. Mais uma vez, o tema da destribalização indígena vem à tona: em “Mawé”, um índio sataré vem para a cidade após o Ritual da Tucandeira. Porém, se ele está preparado para ser homem em sua aldeia, talvez não o esteja na cidade e neste ponto se coloca o conflito do filme, que tem inspiração em quadrinhos e no cinema underground, segundo adianta  seu realizador