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‘A leitura e a escrita sempre foram a minha diversão’

Júlio Antonio Lopes, recém-eleito para ocupar uma cadeira na Academia Amazonense de Letras, o advogado e jornalista fala do gosto pela leitura, das expectativas para a experiência como imortal e dos novos projetos em andamento 30/09/2012 às 15:51
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Júlio Antonio Lopes e Arlindo Porto
Jornal A CRITICA Manaus (AM)

Na última segunda-feira, dia 24, o advogado, jornalista e diretor jurídico da Rede Calderaro de Comunicação (RCC), Júlio Antônio Lopes, entrou para o rol de imortais da Academia Amazonense de Letras (AAL), em votação histórica. Graças aos votos de 23 outros imortais, o advogado e jornalista passou a ocupar a cadeira de número 23, que tem tem como patrono Cruz e Silva e cujo último ocupante foi o poeta Alencar e Silva. Ao todo, 31 membros participaram da votação que, segundo o secretário de Cultura e imortal Robério Braga, foi a mais expressiva. “Trata-se de um quórum inédito na história da Academia, que se reabre ao jornalismo, sempre muito presente em sua trajetória”, declarou. Confira abaixo a entrevista que o imortal Júlio Antônio Lopes concedeu ao BEM VIVER, na qual ele revela como a entrada para a Academia veio para coroar um sonho de infância.

Como o Sr. recebeu o acolhimento de seu nome pela AAL com aproximadamente 80% dos votos?

Com muita alegria, humildade e grande sentimento de gratidão. A Deus, em primeiro lugar. Aos acadêmicos, aos quais peço licença para, na impossibilidade de nominar a todos, homenageá-los nas figuras de Bernardo Cabral (que me emocionou com o seu apoio), de José Braga, Robério Braga, Cláudio Chaves e Arlindo Porto. Aos meus pais, aos quais devo a minha formação e o meu caráter, assim como a minha esposa, aos meus filhos e meus irmãos. Aos meus colegas de jornalismo, agradeço nas pessoas de Umberto Calderaro Filho e de Cristina Calderaro Corrêa, em cujas empresas atuo há mais de 22 anos, escrevendo e exercendo a advocacia. E por fim, agradeço aos meus amigos na pessoa da desembargadora Marinildes Lima, que me incentivou, lutou e vibrou com o resultado. É muito bom você chegar a um lugar onde as pessoas dizem que você é bem vindo.

A partir de quando o Sr. passou a acalentar o sonho de entrar para a Academia?

A partir do momento em que aprendi a ler, descobri um novo mundo. Passei a escrever e a ler continuadamente. Sempre foi a minha principal diversão. Criança, ainda, guardava minha mesada para adquirir livros, ao invés de comprar brinquedos. Não tive um sonho de entrar para a Academia, mas acalentava o sonho de virar escritor, de viver da escrita, o que em certo ponto tenho conseguido. Nas duas últimas gestões do professor José Braga, no entanto, fiquei entusiasmado e passei a pensar mais no assunto. Fui, então, incentivado por alguns acadêmicos amigos e tomei a decisão.

O Sr. acha que a Academia deve se posicionar sobre certos temas de cunho político ou social?

Penso que as Academias não devem se envolver em política. Mas acho também que existem assuntos que não podem fugir de sua abordagem, como, por exemplo, a discussão que se trava agora sobre a existência ou não de racismo nas obras de Monteiro Lobato. Acredito que as Academias, em casos assim, não apenas devem, mas também precisam discutir internamente e, se possível, posicionar-se como instituição em defesa da liberdade de expressão do escritor ou do poeta, e da integridade histórica de sua obra.

O Sr. tem grande produção jornalística e literária. Já possui novos trabalhos em andamento?

O próximo livro a ser lançado é “Bernardo Cabral, um Estadista da República”, que conta a história deste grande brasileiro, cidadão do mundo e herói de nossa pátria. Em paralelo organizo o lançamento de uma coletânea de meus artigos publicados nos últimos 22 anos em A CRÍTICA, além de trabalhar no perfil biográfico do ex-senador Fábio Lucena, para a série “Grandes vultos que honraram o Senado”.