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A moça nova em ritual pela Sagração Amazônica

Releitura amazonense de “A Sagração da Primavera” será apresentada nos dias 21 e 22 no Teatro Amazonas 18/07/2015 às 10:31
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Rituais simbolizam a morte do corpo infantil e o nascimento do corpo adulto
Laynnna Feitoza Manaus (AM)

Retratando o ritual da moça nova - oriundo da tribo Tikuna - que consiste no rito de passagem feminino da infância para a fase adulta, o Corpo de Dança do Amazonas apresentará mais uma vez a adaptação amazonense da obra “Sagração da Primavera”, cuja versão original foi criada por Vaslav Nijinski para o Balé Russo de Diaghlev. A obra será encenada no Teatro Amazonas nos dias 21 e 22 de julho, às 20h.


A obra original rompeu com os ideais clássicos da época, utilizando movimentos folclóricos, rítmicos e bem controversos para o período, pondera a bailarina Adriana Góes, que assina a concepção coreográfica da releitura ao lado de André Duarte. “A Sagração se trata de um ritual eslavo pagão onde a cada primavera é sacrificada uma virgem a fim de agradar os deuses e para que a colheita seja farta. A obra tem resquícios do romantismo”, destaca ela.


Na releitura amazonense, uma índia chamada Wörecu menstrua pela primeira vez e passa por um ritual de amadurecimento. “A menina é retirada do convívio social e enclausurada num cubículo construído pelos índios homens. Ela aprende todos os afazeres femininos e passa por um ritual que dura dias. Amarram seus membros e arrancam-lhe os cabelos”, declara Góes, que se reveza no papel principal com a bailarina Helen Rojas.

Coreograficamente, Adriana quis utilizar muitos gestos e imagens em algumas cenas. “Mas quando há coreografia mesmo eu abuso tecnicamente do elenco. Quis retratar as mulheres mais melodiosas e redondas, e os homens mais marcados e retos”, diz ela, que queria mostrar alguns aspectos do “modus operandi” indígena através de artefatos diversos. “Percebi que na cultura indígena eles tem uma relação com a dor a fim de fazer o corpo amadurecer de imediato! A gente dança o sofrimento e a felicidade de estar vivenciando aquilo”, completa.


ProcessoCom duração de 36 minutos, o espetáculo tem a concepção musical assinada por Igor Stravinsky. A apreciação de outras releituras foi fundamental para compor esta versão, segundo o diretor artístico da obra, Getúlio Lima. Ao todo, foram quatro meses de processo. 


“Depois que decidimos desenvolver a obra dentro da cultura indígena, a coreógrafa Adriana Góes foi a campo, na comunidade Beija-Flor II onde visualizou o cotidiano dos indígenas, e fez também a pesquisa bibliográfica. Posteriormente, a pesquisa desenvolveu-se em estúdio”, comenta ele sobre a releitura, que foi encenada pela primeira vez em 2013.


Com “Sagração”, o Corpo de Dança do Amazonas fará a abertura do “Festival Mova-se” em Rondônia no dia 7 de agosto, e seguirá para uma turnê pelo Nordeste, que irá se estender no período de 8 a 16 de agosto.