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FOTOGRAFIA

Exposição 'Mormaço' exibe 44 fotos sobre modo de vida às margens dos rios do AM

A mostra “Mormaço” chega ao público nesta quinta-feira (12), com 44 fotografias sobre o contraste entre quem vive em meio às selvas de pedra e amazônica. A entrada é gratuita 10/05/2016 às 11:51 - Atualizado em 10/05/2016 às 12:42
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O jeito de ser e viver do povo que vive na beira dos rios chamou a atenção da fotógrafa (Foto: Nailê Corado/Divulgação)
Natália Caplan Manaus (AM)

Registrar o cotidiano de forma natural costuma ser a aspiração de muitos artistas, independentemente da área. Neste mesmo sentimento, Nailê Corado mergulhou em uma realidade quase despercebida, na busca por uma visão mais profunda, enraizada na cultura local.

A mostra “Mormaço” chega ao público nesta quinta-feira (12), com 44 fotografias sobre o contraste entre quem vive em meio às selvas de pedra e amazônica. A entrada é gratuita.

“O objetivo é mostrar esse jeito de ser e viver do nosso povo, especialmente os que são meio nômades”, disse a fotógrafa, que dedicou os últimos 12 meses exclusivamente a este trabalho. “Fui me inserindo, caminhando dentro da realidade deles. Imergindo, fotografando as brincadeiras dos filhos deles, o modo como vivem. São pessoas calmas, tranquilas, que contemplam a natureza, o pôr do sol, os desenhos dos rios e das árvores”, declarou.

Segundo ela, que é funcionária pública aposentada e atua na fotografia artística há quatro anos, foram feitas mais de dez mil fotografias, das quais 2,6 mil foram separadas e enviadas para análise do curador Oscar Ramos. “Todo ser humano sente falta de algo e essa inquietação me levou a buscar a fotografia, não quero ser uma mera espectadora do mundo”, afirmou, ao lembrar que o profissional sugeriu o nome da mostra com base nas 44 selecionadas no final.

“A maioria dos meus registros fotográficos são diurnos e ele teve a sensibilidade de batizar de ‘Mormaço’, que é o nosso clima, nosso cenário de vida”, ponderou. Ela ressaltou, ainda, experiência vivida durante um ano de viagens entre a capital e o interior. “Existem pessoas que não percebemos no dia a dia. Elas moram aonde chegam, conforme a cheia ou a estiagem dos rios. Têm casa na cidade e flutuante”, completou.

Imersão e sentimentos

A escolha de Nailê Corado por esta arte de registrar imagens foi justamente para compartilhar uma visão diferenciada do mundo “escondido” dentro da Amazônia. De acordo com ela, “ver é apenas uma porta para a emoção” e a oportunidade de “eternizar momentos insubstituíveis” torna a fotografia uma ferramenta especial para a humanidade. Por isso, fez questão de apresentar uma exposição singular ao público de Manaus.

“Mesmo diante de uma cena triste, existe a arte da fotografia, que é maior do que eu. A fotografia me ensinou a ver além do olhar. Não queria ser uma mera espectadora, mas imergir nesse mundo. Quero tocar o coração das pessoas para mostrar essa realidade que a sociedade não vê”, disse a fotógrafa. Estamos apresentando a vida do nosso povo, principalmente aquele que viaja pelos rios. São registros únicos, que não vão se repetir”, enfatizou.

Questionada sobre a cena mais marcante, não pensou duas vezes. “É de uma garota de uns 12 anos, andando na praia cheia de lixo, com dois cachorrinhos. Mostra a questão social, ambiental e uma amizade sincera”, concluiu.

Serviço

O quê: Exposição fotográfica “Mormaço”, de Nailê Corado

Onde: Museu da Cidade, no Paço da Liberdade, Rua Gabriel Salgado, Centro

Quando: Abertura da mostra nesta quinta-feira (12), às 19h