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ópera arte total

A ópera como arte total

A ópera é a junção de várias expressões artísticas  que ganha os palcos do mundo todo 20/04/2012 às 17:40
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A ópera foi definida por Wagner como arte total
Cassandra Castro Manaus

Quem hoje assiste a um espetáculo de ópera talvez não faça ideia de como esta expressão artística surgiu e qual a complexidade existente em cada montagem.  A ópera , que já serviu de entretenimento para reis e suas cortes chegou às grandes plateias e é a protagonista de festivais em todo o mundo , como o XVI Festival Amazonas de Ópera (FAO) que começa nesta sexta-feira(20) em Manaus.

O maestro Marcelo de Jesus participa do Festival Amazonas de Ópera desde a terceira edição do FAO e é ele quem nos apresenta de forma bem sucinta, a riqueza que é um espetáculo de ópera.  A ópera foi descrita por Richard Wagner como “ Arte total” , conceito que contribuiu para o aprimoramento do uso de expressões artísticas como o teatro e o balé nas apresentações. 

Um marco na história da ópera mundial , conta o maestro, foi a parceria entre Mozart e o poeta italiano Lorenzo Da Ponte. Lorenzo , que era conhecido por seus textos considerados subversivos para a época, foi quem escreveu o libreto da ópera  “ As bodas de Fígaro”, de Mozart. Esta ópera marcou uma grande virada para o gênero porque foi a primeira vez em que uma ópera tratava de questões sociais , mesmo sendo de uma forma subjetiva.

A ópera segue características diferentes na Itália, França e Alemanha.  Nomes como de Rossini, que teve muita influência do estilo de Mozart, Bellini e Donizetti marcaram época na chamada ópera Belo Canto.

A ópera alemã ficou marcada pela obra de Mozart  “ A Flauta Mágica”  que trouxe inovação com o teatro cantado e deu a Wagner todos os fundamentos para que ele criasse o conceito de Arte Total dado à ópera.

Wagner foi quem introduziu nos espetáculos de ópera práticas como a da orquestra tocando no fosso . Wagner queria com isso, dar mais dramaticidade às apresentações.  O compositor alemão também teve a ideia de apagar as luzes da plateia como outro ingrediente para que as atenções fossem todas voltadas para o espetáculo. Já as óperas francesas são fortemente atreladas ao balé, expressão artística muito cultuada na França.

Para o maestro que também é diretor dos Corpos Artísticos do Amazonas, o crescimento do Festival Amazonas de Ópera é indiscutível.  “Quando cheguei para trabalhar no Festival, o corpo musical era composto por duas pessoas, fora a orquestra. Hoje temos assistentes, três pianistas preparadores, além de todos os demais profissionais envolvidos no festival”, conta Marcelo de Jesus.

A montagem do Anel de Nibelungo, de Wagner e agora, a apresentação de “ Lulu”, de Alban Berg são consideradas dois grandes marcos na opinião do maestro na história do Festival Amazonas de Ópera.

Na edição deste ano, outras novidades também marcam a XVI edição do FAO: A apresentação da ópera A Flauta Mágica com dois elencos e a participação de todos os Corpos Artísticos do Amazonas no espetáculo “ Ópera Bem Temperada”.