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A (r)evolução das calças compridas

Foi revogada, no início do mês de fevereiro, lei que proibia as mulheres de usarem a peça em Paris 21/02/2013 às 12:41
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Nos anos 1930, as calças se tornaram populares entre as estrelas de Hollywood
Luciana Santos Manaus, AM

Tão comum no nosso dia a dia, o uso da calça comprida em suas diversas variações foi um direito conquistado a longo prazo pelas mulheres e está intimamente ligado à luta pela igualdade de gêneros.

Para surpresa de muitos, essa questão voltou à tona na semana passada em função da revogação de uma lei francesa datada de 7 de novembro de 1800 que proibia o uso da peça pelas mulheres em Paris. Segundo o documento, para desfilar pelas ruas da Cidade Luz, elas precisariam de uma autorização prévia da polícia; caso contrário, seriam presas.

A restrição ao uso de calças compridas pelas mulheres estava, na verdade, carregada de uma conotação política. Ainda sob os impactos e ideologias da Revolução Francesa, a veste utilizada pelos sans-culottes, o pantalon (feita de algodão grosso), representava o rompimento com a antiga aristocracia, cujo símbolo era os cullotes, calções com meias de seda. Apesar de terem marchado ao lado dos sans-culottes, a igualdade do lema revolucionário não foi aplicado ao guarda-roupa feminino, que cada vez mais se tornava exagerado e limitador.

EUA

Em meados do século XIX, começa a surgir nos Estados Unidos um movimento de contestação aos desconfortáveis trajes femininos. Amelia Blommer foi uma das líderes desse movimento e defendeu em seu jornal, The Lily, o uso de calças afofadas que iam até os tornozelos. A vestimenta, que era utilizada sob um vestido largo de comprimento médio, havia sido usada em público algum tempo antes por Elizabeth Smith Miller, em Nova York, mas ficou eternizada como calças “Bloomers”.

Amelia chegou a ir à Europa defender suas idéias, ganhou adeptas, mas estas foram uma minoria. Apenas em 1890, com a popularização da prática do ciclismo, as calças bloomers – já sem a saia até o joelho- passaram a ser incorporadas ao guarda roupa feminino, mas apenas como traje para a prática do esporte.


Popularização

Já no século XX, o primeiro a tentar transformar as calças compridas em traje feminino foi Paul Poiret, que, na década de 1910, criou um modelo inspirado em pantalonas turcas. Mas não coube a ele a aceitação da peça pelo público feminino, mas sim a sua rival, a icônica estilista Coco Chanel.

Foi mademoiselle quem, na década de 1920, passou a pregar que elegância e conforto podiam caminhar lado a lado e, assim, deu seu toque feminino e particular aos trajes masculinos. Sua primeira aposta foi uma peça de pernas largas, inspirada no modelo utlizado pelos marinheiros. Chanel não era feminista, mas não lhe agradava o figurino utilizado pelas endinheiradas da época; além disso, soube usar como inspiração as roupas utilizadas por seus amantes- como os culotes usados pelo primeiro deles, Étienne Balsan, para cavalgar seus cavalos puro-sangue.

Glamour

Nos anos 1930, as calças se tornaram populares entre as estrelas de Hollywood e, nos anos 1950, passaram definitivamente a fazer parte do dia a dia após a versão jeans tornar- se uniforme entre os jovens. Nos anos 1960, uma nova revolução se deu com o smoking feminino criado por Yves Saint Laurent, que se tornou símbolo de atitude e glamour. Na década seguinte, é a vez dos hippies e suas calças boca de sino se tornarem tendência.

Os anos 1980 foram marcados pelo exagero e neles, dentre outros modelos, se destacam as calças clochard, inspiradas nos mendigos de Paris. Em contraponto aos excessos da década passada, nos anos 1990 reina o minimalismo na moda, com calças mais retas.

Neste novo século, a tecnologia e o mundo globalizado trouxeram um turbilhão de influências que se modifica a cada estação. Liberdade de opções ou uma nova força de opressão? O tempo dirá.