Publicidade
Entretenimento
Beleza ruiva

A rara e estonteante beleza dos ruivos

Além de lidar como o assédio dos outros mortais, os ruivos precisam de cuidados redobrados com a pele 24/09/2012 às 10:17
Show 1
Ser ruivo não é para qualquer um
Cynthia Blink Manaus

Ruivos não passam despercebidos. Eles realmente chamam a atenção, desfilando os fios vermelhos, laranjas e tons afins. Desde criança colecionam apelidos, depois de grandinhos viram ponto de referência e precisam aprender a lidar com curiosos que insistem em saber sobre a cor dos seus pêlos. É comum terem que responder se a “cortina combina com o tapete”.

 Esse alvoroço causado pela presença de um ruivo tem explicação. Acontece que eles são um fenômeno raro da natureza. A genética do rutilismo é difícil, um dos principais genes que determinam a cor do cabelo tem 40 variantes e somente 6 dão lugar ao vermelho. Segundo a revista “National Geographic”, apenas 2% da população mundial é ruiva.

E por isso que ser ruivo não é para qualquer um. Além de lidar como o assédio dos outros mortais eles precisam de cuidados redobrados com a pele. Totalmente proibidos de dispensar o protetor solar, já que a maioria deles possui pouca melanina (substância que atua como um filtro solar natural), são mais propensos ao câncer de pele.

Ruivos no Amazonas

 “Sem dúvida, o clima da cidade é o nosso maior inimigo”, reclama o ruivo manauara Raphael Guimarães. Já Thayana Amorim diz se incomodar por não ser reconhecida como manauense pelos comerciantes da cidade. “Se você é ruivo, acham logo que é turista e em qualquer canto eles enfiam a mão no seu bolso porque acham que você tem dinheiro. É caro ser ruivo no Amazonas”.

Podem ter suas dores, mas os ruivos de Manaus também sabem apontar o lado bom de ser um cabelo vermelho na capital amazonense. “Nós acostumamos a ser os únicos em um lugar, somos raros praticamente no mundo inteiro, gostamos dessa exclusividade, por isso que a gente tem o ego lá em cima”, afirma satisfeito Mendel Oliveira. E Raphael completa: “É um verdadeiro presente da mãe natureza”.

 Extinção

Por culpa dessa exclusividade surgiram algumas teorias sobre a extinção dos ruivos. Alguns noticiários internacionais afirmavam que o fim dos ruivos seria em 2007, em outras discussões concluíram que não passará de 2060, mas os pesquisadores tranquilizam os cabelos vermelhos. Eles dizem que não existe a possibilidade de se extinguir os ruivos e afirmam ainda ser mais fácil acontecer uma nova mutação que resultaria no surgimento de uma nova cor de cabelo do que sumirem todos os tons de ruivo.

Descendência ruiva

E como todo fenômeno raro na natureza, os ruivos são um espetáculo ao olhar cotidiano, adorados por aqueles que não gostam de padrões de beleza massificados. Esses que admiram e desejam ter descendentes ruivinhos uma dica: vá para Escócia! Lá é o País dos cabelos de fogo: 13% da população é ruiva e 40% carrega o gene recessivo. Ou pode tentar a Irlanda, o segundo País dos ruivos. Estatísticas garantem: a cada 10 irlandeses 1 é ruivo. Se já está fazendo as malas, boa sorte!

Red Hair Day

“Redheadday” é o nome de um festival de verão que ocorre a cada primeiro fim de semana de setembro, na cidade de Breda, na Holanda. Para participar é preciso ser ruivo natural. O festival que começou em 2005 é uma idéia do pintor holandês Bart Rouwenhorst, que começou na pequena cidade holandesa Asten. O evento conta com a participação de 20 países. Na primeira edição 150 cabeças vermelhas compareceram, já esse ano o número cresceu para quatro mil.

 Mas não é de hoje que os ruivos dão o que falar. Na cultura medieval, as mulheres ruivas não eram bem vistas. Acreditava-se que os cabelos afogueados mostravam uma personalidade inquieta e perigosa, comportamentos pouco desejáveis numa dama. No reino da Rainha Elizabeth, generalizou-se a crença nas fadas como lindas mulheres dotadas de cabeleiras ruivas. Por outro lado, em algumas representações Eva aparece como ruiva, sendo este cabelo um signo do pecado.

 Os cabeças vermelhas têm uma grande história de luta e resistência. Depois dos recentes boatos sobre a extinção somado as iniciativas nas redes sociais e o Red Hair Day oficializou-se: 7 de setembro é o dia internacional dos ruivos. Viva a honra vermelha!