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Academia Amazonense de Letras presta homenagem ao cineasta Aurélio Michiles

Ele ajudou a resgatar a história de Silvino Santos, cineasta pioneiro no Amazonas e no Brasil, no filme “O Cineasta da Selva” (1992). Já em “A árvore da fortuna”, do mesmo ano, ele sustenta que as primeiras sessões de cinema no País aconteceram no Teatro Amazonas. 06/04/2012 às 13:50
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Aurélio Michiles, vai receber a medalha Péricles Moraes na categoria artes.
JONY CLAY BORGES Manaus

Trabalhando atualmente na produção de seu novo filme, o documentário “Tudo por amor ao cinema”, o cineasta Aurélio Michiles estará em Manaus no final do mês para receber homenagem da Academia Amazonense de Letras (AAL). Ele é um dos nomes a serem agraciados com a Medalha do Mérito Cultural Péricles Moraes em 2012, concedida pela casa. A cerimônia será no dia 27, às 19h30, na sede da instituição.

“Para mim é uma honra receber esse reconhecimento na minha terra, e vindo de uma instituição tão importante como é a AAL”, declara Michiles à reportagem, em entrevista por telefone. Ele recorda ter ficado surpreso ao saber de sua escolha para receber a medalha na categoria Artes, e que a honraria ganhou mais peso pelo fato de vir da cidade natal, cuja lembrança ele carrega sempre no coração.

“Fui surpreendido por dois prazeres. O primeiro pela notícia de ter sido escolhido, e o segundo porque não sabia. Não me inscrevi, não esperava, nem me passou pela minha cabeça. Tenho estado tão envolvido no processo de produção do meu filme que estou ‘à margem’, porém Manaus é um pensamento permanente e cotidiano na minha vida, do qual não consigo me desprender. É minha memória, minha afetividade”, diz.

Em busca do pai

Além de participar da cerimônia de entrega da Medalha Péricles Moraes, Michiles pretende aproveitar o final de semana em Manaus para realizar pesquisa de acervo fotográfico a ser utilizado em “Tudo por amor ao cinema”. O documentário em longa-metragem, que tem previsão de lançamento ainda para este ano, vai narrar a trajetória de Cosme Alves Netto, amazonense que se destacou à frente dos movimentos cineclubista e de preservação do acervo imagético nacional no País (veja mais no Box).

“Vou fazer uma pesquisa de imagens etnográficas para o filme, visitando arquivos iconográficos em busca de material relacionado especialmente ao Cosme Alves Filho, que foi o pai do Alves Netto”, informa o cineasta, que destaca a importância de Cosme Alves Filho no cenário da política e da cultura do Amazonas.

“Ele foi um grande escritor, um pensador e um empresário visionário. Apesar de ser o nome de uma rua em Manaus, pouca gente conhece muita coisa a respeito dele”.

Momento histórico

Michiles, que já possui bastante material cedido pela família de Cosme Alves Netto, explica que está em busca de fotografias que mostrem o pai do cineclubista como deputado constituinte, no período da História brasileira do final dos 1940.

“Busco fotos dele na Assembleia Constituinte, talvez até com o presidente (Eurico Gaspar) Dutra. Foi nessa assembleia que, após a ditadura Vargas, foram estabelecidas novas regras para a política partidária brasileira”, destaca o documentarista. “Fucei no Arquivo Nacional e vi várias imagens da Assembleia Constituinte, mas não o encontrei nessas fotografias. É importante resgatar registros dessa representação do Amazonas nessa ocasião histórica. Espero encontrar essas fotos junto a alguma instituição ou em algum acervo pessoal”.

Mais filmagens

Em meio às pesquisas, Michiles trabalha na edição do material já captado para o novo filme, e que inclui depoimentos e documentos obtidos no Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Amazonas, Bahia e Cuba. As últimas filmagens para o longa deverão ser feitas no rio Negro, em setembro. “Até lá já tenho o filme praticamente pronto, faltando só essa sequência, que é uma imagem do rio Negro que tenho na cabeça”, conclui.