Publicidade
Entretenimento
Vida

Acesso grátis para amazonenses descarta desculpa para não conhecer o Teatro Amazonas

Agora o público do AM terá a grande oportunidade de conhecer o teatro fundado em 1896, basta comprovar a naturalidade com a carteira de identidade 27/12/2012 às 09:25
Show 1
Os amazonenses poderão assistir gratuitamente os espetáculos
FELIPE LIBÓRIO ---

Um aviso afixado há dois meses na entrada do Teatro Amazonas alerta para algo que poucas pessoas sabem: a visita ao local é gratuita para qualquer um que comprovar a naturalidade amazonense por meio da carteira de identidade. Agora que a gratuidade veio à tona, não há mais justificativa para não conhecer o prédio que guarda em sua estrutura a memória da riqueza em que viviam os barões da borracha no fim do século 19.

Fundado em 1896 durante o auge da riqueza em Manaus, o passeio pelo teatro é uma viagem no tempo. Logo na entrada, o visitante se depara com exemplos do luxo e da ostentação do período áureo da borracha no Amazonas. No chão, mármore portuguesa, e nas colunas gesso italiano com base de mármore de Carrara. Roupas e móveis de damas da Belle Époque também estão conservadas, assim como a farda e o escritório do governador que impulsionou a construção do teatro, Eduardo Gonçalves Ribeiro.

No primeiro andar, todo o assoalho é montado em jacarandá e pau-marfim. As madeiras escura e clara foram colocadas lado a lado em referência ao Encontro das Águas. Os camarotes têm as paredes feitas de pinho de riga, o mesmo usado nos sofisticados violinos Stradivarius. As colunas de ferro escocês são ocas para contribuir com a acústica do salão e adornadas com lustres de bronze e cristal parisiense.

A cadeiras são acolchoadas com veludo e somam 701 lugares entre plateia e camarote. Destes, 12 são reservados ao governador e seus convidados. À vista dos espectadores ficam o pano de boca (cortina que esconde o palco) e o teto com um imenso lustre de bronze e cristal. Na cortina do palco reserva, uma pintura retratando o fim da monarquia no Brasil. A principal está sendo restaurada e também faz referência ao Encontro das Águas. Já o teto mostra a idelização das três artes primárias (música, dança e tragédia) com a ópera, tendo ao centro uma representação da base da Torre Eiffel de Paris.

Espaço de nobreza

Neste pavimento também se localiza o salão nobre do teatro, feito para se parecer com o do palácio de Versalhes. Era ali que as pessoas aguardavam nos intervalos das óperas e onde aconteciam as recepções e bailes da época. O piso é feito com machetaria, técnica em que se encaixam vários pedaços de madeira para formar desenhos geométricos. Neste caso, são 12 mil peças de mogno, nogueira, carvalho e madeira Bordeaux da França.

O teatro permaneceu fechado ao público durante um longo período, tendo sido usado como depósito de borracha durante a 2ª Guerra Mundial. As visitações foram retomadas há cerca de 15 anos e todo o prédio foi restaurado. As visitas guiadas acontecem de segunda a sábado, das 9h às 17h e, para quem não é natural do Amazonas, custam R$ 10 (US$ 7).