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Adolescentes: rebeldes sem causa?

Apesar de considerados normais na adolescência, especialistas advertem que os conflitos, nesta fase da vida,não devem ser ignorados, mas ,enfrentados de forma a evitar distâncias entre pais e filhos e em prol do bem estar da família 02/04/2012 às 15:13
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A falta de diálogo entre pais e filhos é um dos problemas que dificulta uma boa relação familiar
Felipe de Paula Manaus

Tudo bem: é clichê reafirmar a adolescência como a fase mais conflituosa da nossa vida. A própria expressão “aborrescente” - pejorativa, mas muito comum - é só uma das representações dessa ideia, em que os jovens são geralmente colocados na condição de “rebeldes sem causa”.

No entanto, é preciso ir um pouco mais longe para começar a entender a questão. Se por um lado, os adolescentes reivindicam voz e ouvidos aos seus apelos, os pais, por sua vez, ignoram ou não observam essas reações e acabam por usar da autoridade e experiência de vida como forma de  "controlar" ou "combater" as ações de rebeldia do jovem.

Para resolver este tipo de conflito familiar, psicólogos aconselham o diálogo entre pais e filho como única forma de se buscar uma solução à rebeldia. Para estes especialistas é por meio do diálogo que o afeto familiar irá ressurgir, oferecendo condições para que pais e filhos busquem reconhecer os valores, um do outro. Ou seja, quando os filhos estiverem mudando, os pais também devem fazê-lo.  

“Existe dificuldade dos pais em reconhecer que a demanda do filho mudou. O filho precisa ser ouvido de outra forma. Às vezes é preciso descer da condição de autoridade e conversar com o filho. A adolescência é uma fase de transformações. E os pais por vezes continuam tratando os filhos como crianças. No entanto, os pais precisam se colocar numa posição de que não tem mais o mesmo controle”, diz a psicóloga Fernanda Calderaro.

Rótulo

A especialista lembra ainda que rotular os conflitos domésticos dos filhos de “rebeldia sem causa” é uma defesa dos pais que, no entanto, pode “potencializar os conflitos”.

“O rótulo acaba camuflando um enfrentamento do problema que os pais precisam resolver sem imposição e atropelamento. Há um paradigma de que o adolescente precisa ser complicado. Não é bem assim”, diz ela, colocando a “rebeldia” ainda como afirmação da personalidade do jovem.

“A adolescência é uma reedição da infância com impressão digital própria”, afirma a especialista,  ao explicar que o problema pode estar ainda mais atrás.

O estudante Cesar Bayma tem 17 anos e confessa, não sem algum constrangimento, ser um adolescente rebelde. Esperto, ele justifica dizendo que com o início da adolescência, o jovem se reconhece enquanto indivíduo e passa a estabelecer suas próprias regras.

“A gente aprende as coisas em casa, mas também descobre que  pode conhecer coisas novas fora desse ambiente, e isso gera conflito”, diz ele. Para sua mãe, Georgete Bayma, o conflito é natural da idade, mas não deixa de ter limites.

“Acho que o filho tem que, acima de tudo, respeitar os limites impostos pelos pais”, afirma.

Diálogo é a solução

Larissa Dourado tem 16 anos e uma mente muito instigada. Ela tanto pensa muito quanto fala o que pensa, e nas suas próprias palavras, é impulsiva.

“No calor do momento, você quer fazer valer sua opinião, nem toda hora na vida você tem que ficar calado. A questão é que devemos sempre medir as consequências”, justifica ela, citando o apóstolo Paulo: “Tudo posso, mas nem tudo me convém”.

A moça reconhece a importância do auxílio dos pais, mas admite que a curiosidade juvenil às vezes leva os adolescentes a descobrir por conta própria. “Com uma boa família, caráter formado, a gente pode saber o que quer. Cada um sabe dar o melhor de si. Mas às vezes falta confiança”, reclama, lembrando que antes conversava menos com os pais, mas hoje tem relação mais próxima e os conflitos se atenuaram.
“Não é do dia pra noite, mas o diálogo contribuiu para aumentar a confiança”, afirmou a moça, que sonha ser publicitária ou designer e adora filosofia. “Se não der certo, viro filósofa”, brincou.

Abrahão, pai de Larissa, confessa que a fase de transição da adolescência também foi difícil para ele como pai. “Nossas posições passaram a divergir muito. Mas nessas horas, o aconselhamento, a palavra de afeto e carinho é primordial”, diz ele.

“O questionamento é próprio da adolescência. Bater de frente com o jovem não é lá muito bom”, aconselha, lembrando que a interação com o filho, além de providencial, é “maravilhosa”.

Famosos não fogem à regra

Lindsay é um mau exemplo clássico. Atriz bem sucedida, parece não ter saído da adolescência. Johnny Depp também não foi lá muito comportadinho nessa fase. Ele aprontou umas e outras e figura na nossa lista. Lourde Leon, filha da Rainha do Pop, Madonna, foi flagrada em Nova York de piercing, óculos escuros e fumando.

Síndrome Normal

A Síndrome Normal da Adolescência é descrita na literatura médica como um conjunto de sinais, entre os quais estão a rebeldia, a agressividade, a atitude social reivindicatória, entre outros típicos da adolescência. Ver psicologiaejuventude.blogspot.com.br

A frase

O renomado psicólogo brasileiro, Maurício Knobel, falecido em 2008, foi um dos grandes estudiosos do tema no Brasil. Segundo ele, “somente quando o mundo adulto compreende e facilita adequadamente a tarefa evolutiva do adolescente, ele poderá desempenhar-se satisfatoriamente, elaborando uma personalidade mais sadia e feliz”.