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Comportamento, Amizade, Convivência, vizinhança, Vizinhos

Além da xícara de açúcar

Conheça a história de duas famílias que se conheceram nos corredores do prédio e hoje são uma só 02/09/2012 às 10:33
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Xis! Filhos de Adriana (esquerda) e Márcia fazem pose pra foto no canto preferido das duas casas: “o sofá do tio Jian”
Felipe de Paula Manaus

Ser vizinho não é fácil. Ter, muito menos. Disputa pela vaga na sombra, cachorro barulhento, som alto... esses são apenas alguns dos cabos de guerra que insistem em puir a corda das boas relações de vizinhança. Mas não é sempre assim.

Quem se esquece daquela providencial xícara de açúcar, emprestada sem exigência de reposição? Às vezes ela adoça de tal forma a relação, que a projeta além dos muros que dividem as casas, encontrando morada no coração das pessoas, tão próximas umas das outras quanto seus próprios endereços indicam.

Assim aconteceu com as vizinhas Márcia e Adriana. Seus apartamentos, lado a lado no oitavo andar de um prédio da Zona Centro-Sul de Manaus, constituem, segundo elas, uma só família.

“É a família oitavo andar”, brinca Adriana, mãe dos pequenos Lana e Lucca, de 5 e 8 anos, respectivamente. Ela conta que quando o filho tinha apenas três meses de idade, engatinhava até a porta vizinha para brincar com as filhas de Márcia, as doces Amanda e Emily, hoje com 9 e 13 anos. O primeiro contato das duas, na verdade, foi bem antes.

Logo que Márcia chegou ao apartamento novo, quis saber da vizinha informações sobre a tela de proteção para a varanda. Como acontece sempre no início de uma amizade, a conversa acabou se estendendo.

“Nós passamos 40 minutos conversando na primeira vez que falamos”, diz Adriana.

Sintonia
A amizade, então, evoluiu. Não só das duas, como dos maridos e dos filhos, a ponto de Adriana declarar que em certo período “as crianças mal sabiam distinguir qual era a casa de um e qual era a casa de outro”.

Hoje, a sintonia é tamanha que os pais da “família oitavo andar” chegam a se revezar para levarem as crianças na escola (eles estudam no mesmo colégio) e até na Disney já estiveram juntos. A “invasão” de praxe na hora do jantar, é claro, não haveria de ser problema.

“O marido da Márcia, Fábio, é o chef de cozinha da turma. Quando meu marido (Jian) chega do trabalho e sente o cheiro, passa lá primeiro”, entrega Adriana.

“Mas teve uma vez que ele se enganou. O cheiro era na casa dele, não na nossa”, diz Márcia, aos risos.

Sua filha, Emily, foi dama de honra do casamento de Adriana e Jian, ao lado do filho Lucca. “Até quando está cada uma em cada casa, nos falamos pelo Skype (rede social)”, revela Adriana.

Guerra e Paz
A arquiteta Betinha Valeiko já passou por uma experiência não muito boa com um vizinho, que depois se transformou em amizade.
“Começou com uma discussão Meu vizinho ouvia Roberto Carlos num som altíssimo. Como eu estava estudando, fui até lá. Ele ficou discutindo comigo. Cuspia. Eu disse que ia precisar de um guarda-chuva. Ele me chamou de abusada. Mas consegui resolver meu problema com ele. Hoje somos amigos. Não moramos mais perto, mas eu o visito, e ele também. Me deu até uma jóia de presente! Aprender a conviver com as pessoas é mesmo uma arte. Tem gente que não gosta de falar e fica anos falando mal para si mesma”, afirma a arquiteta.

Vou chamar o síndico!
Para o síndico do residencial Vida, Armando Guimarães, o segredo da boa vizinhança é conhecer as regras do condomínio. Segundo ele, tem de tudo nos apartamentos, de furto de sandálias a escândalos íntimos, mas não cabe ao síndico resolver tudo, mas sim promover o diálogo e assegurar o cumprimento das regras. Está dito!

Tema de música
O compositor Nicolas Jr. gravou, com exclusividade aos leitores de Vida & Estilo, um clipe da música "Um tango para o meu vizinho", e conta um pouco de sua experiência sobre o assunto.

Um dos seus trabalhos mais recentes fala sobre a relação de vizinhos. Por que decidiu escrever sobre isso?
A tônica do meu trabalho são as pessoas. Sou de Terra Santa (PA) e lá os vizinhos eram família mesmo. No interior tem muito isso. Hoje moro na Cidade Nova, onde observo bastante a vizinhança e vejo muito claramente as conexões entre pessoas. Resolvi falar dessa relação

Você se lembra de alguma história pessoal?
Eu morava em Belém e uma vez um ladrão nos roubou. O bandido fez muito barulho, nós ficamos com medo e eu pensei: por que será que o vizinho não fez nada? De manhã, descobrimos que o ladrão também tinha roubado o vizinho!

Já emprestou xícara de açúcar?
Claro! Eu moro só, sou solteiro, liso... (risos).