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Amazonas Film Festival: crítico de cinema comenta premiação e avalia cenário amazônida

Além dos oito longas-metragens, o Festival do Amazonas contou com 30 curtas em competição – 14 locais e 16 da produção nacional 12/11/2012 às 08:11
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Begê Muniz recebeu troféu das mãos de Antônia Fontenelle
Luiz Zanin Oricchio/Agência Estado Manaus, AM

Em sua nona edição, o Amazonas Film Festival fez a coisa certa: deu o prêmio principal a “Era uma vez eu, Verônica”, de Marcelo Gomes, e a estatueta de melhor atriz a Hermila Guedes, intérprete do papel-título. “Verônica” já havia vencido em Brasília (dividindo o troféu com “Eles voltam”, de Marcelo Lordelo), mas o júri da capital deixou de dar o prêmio a Hermila, preferindo outra atriz. Agora a falta é reparada e a Hermila foi dado o que é de Hermila.

“Era uma vez eu, Verônica” teve de enfrentar sete concorrentes de nível – dois brasileiros e cinco estrangeiros. Entre eles, o dinamarquês “Teddy Bear”, que valeu a Mads Matthiesen a estatueta de melhor diretor. Ganhou também o júri popular.

O outro peso pesado era “A parte dos anjos”, de Ken Loach, com estreia prometida para este mês. Rendeu o troféu de roteiro a Paul Laverty, tradicional parceiro de Loach. O norte-americano “Compliance”, um estudo sobre o assédio moral, ficou com o troféu de fotografia.

Além dos oito longas-metragens, o Festival do Amazonas contou com 30 curtas em competição – 14 locais e 16 da produção nacional. Entre estes, a animação paulista “Linear”, de Amir Admoni, ficou com o prêmio principal. O melhor filme de ficção local foi “Uma doce dama”, de Leonardo Mancini. O melhor documentário foi “Chão molhado”, de Everton Macedo, sobre a cidade de Parintins, atingida pela cheia do rio Amazonas em 2012.

AVALIAÇÃO

O festival teve bom nível, em especial entre os longas-metragens e curtas nacionais. A produção amazônica, ainda rarefeita, necessita de mais elaboração. É incipiente e, se exibe lampejos de criatividade, mostra ainda deficiências técnicas e conceituais. Normal, para uma região que apenas no ano que vem ganhará sua primeira escola de cinema.

O festival pode funcionar como catalisador da produção audiovisual da região. Nos últimos anos, mudou seu foco. Antes tinha o subtítulo de “festival de filmes de aventuras”, ligando a região ao que dela se imagina no exterior. Agora, a ênfase passou do internacional ao brasileiro, embora mantenha diálogo com produções e artistas de outros países.

A Amazônia conserva seu charme. Precisa apenas dar um jeito de atrair os artistas e fazer com que permaneçam para a festa de encerramento. Não faz sentido Marcelo Gomes e Hermila Guedes não estarem presentes para receber seus troféus.