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Amazonas registra 2 mil casos de leishmaniose ao ano

Ocorrências são mais comuns nas zonas Oeste e Leste, em áreas que têm continuidade de mata, segundo FMT-HVD 31/10/2012 às 11:51
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Ferida que não cicatriza e aumenta de tamanho é um dos sinais da doença que tem tratamento gratuito na Fundação de Medicina Tropical
Milton de Oliveira Manaus

O Estado do Amazonas registra, em média, 2 mil casos de leishmaniose ao ano. As invasões associadas às condições climáticas são alguns dos fatores que podem influenciar no número de casos registrados. A metade das ocorrências é atendida na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste.

De acordo com o infectologista Jorge Guerra, a doença conhecida popularmente como “ferida braba”, é infecciosa e não contagiosa. “Além de agredir a pele, a leishmaniose, se não for tratada adequadamente, pode aparecer dentro do nariz, no septo do nariz, e pode destruí-lo”, disse.

O médico contou também que há casos em que a ferida provocada pela leishmaniose pode cicatrizar de forma espontânea, depois de três meses de evolução ou mais, mas o ideal é fazer o tratamento para que ela não surja no nariz, onde é mais difícil tratar.

Outro cuidado que a população deve ter é procurar o serviço médico caso apresentem uma ferida que demora a cicatrizar, por que pode caracterizar a leishmaniose. “Mesmo que outras doenças possam demorar para cicatrizar, nem todas são leishmaniose. É importante fazer o exame para comprovar a doença”, disse o médico.

Risco

Infectologista Jorge Guerra

Conforme informações da FMT-HVD, o risco principal de contrair a doença está associado às atividades realizadas em área de mata. “O mosquito transmissor da doença, que é bem menor que o mosquito da dengue, costuma ficar nos troncos das árvores”, esclareceu Jorge Guerra, acrescentando que é a fêmea quem transmite a doença.

 A ocorrência do mosquito nas residências também é possível, quando elas são construídas muito próximas de zonas de mata ou de zonas desmatadas, mas, o transmissor da leishmaniose, não costuma reproduzir-se nas casas.

Segundo o infectologista, as invasões na periferia da cidade são as grandes responsáveis pelas ocorrências da doença. “As pessoas desmatam e, imediatamente vão habitar o local, onde habita também o transmissor. Então, acontece a infecção”, explicou Jorge Guerra.

Doença tem tratamento gratuito

 O mosquito transmissor da doença tem o nome científico de Phlebotomus (flebótomo). A espécie Lutzomyia Umbratilis é a mais importante transmissora na região de Manaus. O inseto pica o ser humano e transmite o protozoário do gênero Leishmania.

A doença, segundo o FMT-HVD, desenvolve-se no período de duas semanas a dois meses, quando aparece uma ou várias feridas, dependendo do número de picadas recebidas.

O comerciante José Okamura, 52, contraiu a doença há três anos e não sabia que era leishmaniose. “Tive de tomar 20 injeções. Eu pensava que era uma feridinha, colocava remédio e não resolvia. E, todos os dias, ela aumentava. Então, procurei um médico”.

Segundo o infectologista Jorge Guerra, o tratamento pode durar mais de 20 dias e, em alguns casos, pode levar à internação. “A doença é tratável, sem a necessidade de amputar partes do corpo e não existe vacina, mas sim, remédios para o tratamento, que são distribuídos gratuitamente”.