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Amazonense adapta 'Alice no País das Maravilhas' para cordel

Escritor e diretor Jorge Bandeira pretende lançar a obra no mês julho, quando fará uma programação especial para comemorar os 150 anos do lançamento do clássico de Lewis Carroll 23/04/2015 às 12:45
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Jorge Bandeira é escritor, dramaturgo e diretor do Teatro Éden
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

Em “Alice no País das Maravilhas”, uma menina cai numa toca de coelho e vive uma aventura nonsense num lugar fantástico, repleto de pessoas e criaturas misteriosas. No ano em que a história criada pelo escritor britânico Lewis Carroll completa 150 anos, o dramaturgo e diretor amazonense Jorge Bandeira prepara uma adaptação do clássico da literatura mundial para o formato de cordel. Ele anunciou o ponto final de “Alice Cordel” nesta terça-feira, em uma rede social. 

A edição, que terá ilustrações de Viviane Bandeira, Jorge Alencar e Avelino, deve ser lançada em julho, mês em que se comemora o século e meio de publicação do livro de Carroll. Para isso, Bandeira já iniciou conversas com Tenório Telles, um dos coordenadores editoriais da Valer. Pela editora, o escritor também lançou, há cerca de cinco anos, uma tradução de “A Caçada do Snark”, outra obra do britânico.

Bandeira conta que “Alice no País das Maravilhas” é uma paixão que vem dos tempos de garoto. “Essa história sempre me motivou porque as obras de Carroll foram o elemento básico de pulsação para o meu gosto pela leitura, então ela faz parte do meu processo de vida”, afirma, destacando os personagens emblemáticos e os enredos imersos em sonho. “Carroll é múltiplo, já li o trabalho dele quase completo, tanto em português quanto em inglês”.

Jorge começou a escrever “Alice Cordel” no início de março, e mais de um mês depois ele tinha um total de 200 sextilhas no estilo martelo agalopado, o tipo de verso mais comum em cordel e também muito utilizado no repente. “Agora é digitar e revisar. A apresentação da obra ficará com o professor da Ufam Sérgio Freire, que já topou a parada”, adianta o autor, que dedica a obra à filha Carolina Bandeira.

Ele tampouco é um cordelista iniciante. Dentre as publicações lançadas nesse formato está uma biografia da naturista Luz Del Fuego por uma editora de Fortaleza e um outro livro que conta a história da comunidade Jandira, às margens do Solimões, onde o pai de Bandeira nasceu. “Sempre escrevi cordel e tem uns que não publico por serem de uma acidez política muito forte”, completa.

MUSICALIDADE

Para ele, a adaptação é uma homenagem não só a “Alice no País das Maravilhas”, mas também à cultura nordestina, por isso merece ser levada a um público o mais amplo possível. “Nesse processo, tive três aparatos bibliográficos: uma tradução publicada pela Cosac Naify, uma edição crítica que saiu pela Jorge Zahar e uma outra que faz parte de uma coleção chamas ‘Os menores livros do mundo’. Foram essas versões que me deram a base para verter essa história para o cordel”.

Enquanto trabalhava nas sextilhas, o autor procurou manter inalterada a trajetória de Alice, e nenhum personagem foi cortado. A dificuldade, segundo ele, foi manter a “grande viagem” proposta por Carroll com essa obra. “Tive que contar uma história linear sem perder a ideia do sonho, que de certa forma é uma fragmentação, e também da musicalidade originalmente presente no livro”, aponta. 

PROGRAMAÇÃO

Além do lançamento de “Alice Cordel”, Jorge Bandeira prepara para julho uma série de outras atividades, incluindo uma exposição com as ilustrações da primeira edição de “Alice no País das Maravilhas” reproduzidas em alta resolução e uma mostra com obras de artistas plásticos manauaras inspiradas no universo criado por Lewis Carroll.

Também estão previstas a leitura dramatizada da nova peça da Soufflé de Bodó Company, “Alice Músculo + 2”, de autoria de Francis Madson, e a montagem de um espetáculo de rua baseado em “Alice Cordel”, parceria entre o Teatro Éden de Jorge Bandeira e a Cia. de Ideias de João Fernandes.