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Amazônia pelas lentes de Araquém

Fotógrafo gabaritado deu seu toque ao primeiro filme 3D rodado no Amazonas 02/02/2013 às 19:40
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Fotógrafo gabaritado deu seu toque ao primeiro filme 3D rodado no Amazonas
Rosiel Mendonça ---

Ele tem mais de 40 anos de carreira e uma paixão declarada pela Amazônia. “É a minha matriz criativa. Depois que descobri a Amazônia, em 1979, eu passei a defendê-la e a celebrá-la obstinadamente”, justificou o premiado fotógrafo Araquém Alcântara, antes de se despedir do cenário amazonense, depois de uma temporada de 12 dias no Estado.

Considerado um dos mais importantes fotógrafos da natureza brasileira, Alcântara passou por aqui acompanhando uma equipe de 150 pessoas, que tinham a meta de capturar as últimas tomadas do docudrama “Amazônia – Planeta Verde”, uma coprodução França/Brasil.

O filme é superlativo por si só: com investimentos superiores a 10 milhões de euros, a produção é a primeira rodada em 3D no Amazonas e já foi vendida para 11 países. Escalado para ser consultor artístico e fotógrafo still do projeto, Araquém Alcântara recebeu o convite como um presente.

“Não fiquei famoso por causa da Amazônia, mas pelo conjunto do meu trabalho, que foi o de sistematizar os ecossistemas numa época em que ecologia era uma palavra para letrados”, argumentou ele, que tem no currículo, dentre outros prêmios, um Jabuti.

Lançamentos
No encalço do docudrama, Alcântara recebeu um novo convite cerca de três semanas atrás: a francesa Éditions de La Martinière se ofereceu para publicar, em mais de 20 países, três livros do fotógrafo sobre a Amazônia. As obras devem sair ainda este ano em três formatos: infantil, infantojuvenil e adulto. “Os livros serão um extrato do meu acervo de mais de 50 mil imagens da região, além das imagens de making of do documentário”, explicou ele.

A ideia é que os livros acompanhem a “carreira” de “Planeta verde” pelos festivais mundo afora. “Para mim, a fotografia é um caminho de autoconhecimento, um elixir de rejuvenescimento. Começar o ano com esses livros internacionais é o início de um novo tempo, uma nova juventude”, complementou.

‘Caravana Holiday’
Segundo o próprio Alcântara, ele vive agora uma fase profissional de “peregrinação”. “Estou vivendo a minha ‘Caravana Holiday’, quero ir ao encontro das pessoas”. Nesse embalo, o fotógrafo adiantou que vai voltar a Manaus no início do mês de maio para realizar um workshop para 15 alunos.

Durante a entrevista ao BEM VIVER, Alcântara citou seis projetos que ele já está maturando. Um deles, “A Amazônia vista do céu”, surgiu de um sobrevoo que o fotógrafo fez por Anavilhanas na última semana.

“Vi um espetáculo extraordinário: o céu refletido nas praias do Rio Negro, que pareciam duas arraias. As formas brincam com a gente e meu papel é seduzir as pessoas para a minha maneira de ver o mundo. É assim que eu crio e compartilho belezas”, contou.

Câmera e missão

Para quem está acostumado a se embrenhar por florestas e outros cenários inóspitos, a fotografia é encarada como uma verdadeira missão. “A fotografia finalmente assumiu uma posição de destaque nas artes visuais. Nunca se vendeu tanto fotografia, e também nunca se fotografou tanto. Essa banalização é interessante porque divide os nichos”, teorizou o “poeta visual”, natural de Santa Catarina.

Ao mesmo tempo em que se mostra desafiadora, a Amazônia também é fonte de muita satisfação para ele. “É uma zona superlativa, mágica, que me dá imagens extraordinárias. Nas matas, eu perco 90% das fotos, mas os 10% que restam justificam tudo”, concluiu, com a segurança própria de um missionário.