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Anticoncepcionais e obesidade: como garantir o cuidado

A verdade é que, para mulheres obesas ou que possuem sobrepeso, existe anticoncepcionais adequados, de acordo com a Dra. Cristina Guazzelli, professora do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). E mulheres com este perfil precisam tanto quanto mulheres com menor índice de gordura no corpo 10/01/2013 às 12:53
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No Brasil, cerca de 40% das mulheres têm sobrepeso ou são obesas, segundo o Ministério da Saúde
acritica.com Manaus, AM

Muito se fala que os métodos contraceptivos possuem o poder de fazer algumas mulheres ganharem peso. Por conta disso, muitas se frustram e, com medo de engordar, acabam abrindo mão desses cuidados tão importantes para o organismo feminino.

A verdade é que, para mulheres obesas ou que possuem sobrepeso, existem anticoncepcionais adequados, de acordo com a Dra. Cristina Guazzelli, professora do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). E mulheres com este perfil precisam tanto quanto mulheres com menor índice de gordura no corpo.

“Apesar de haver maior probabilidade de apresentar alterações menstruais, maior risco de não ovular e mais chance de ter ovário policístico, a mulher acima do peso pode engravidar como qualquer outra, portanto, precisa usar métodos anticonceptivos se não deseja ter filhos. Outro dado importante é que, diferentemente do que se pensa, vários estudos mostram que a frequência sexual delas é a mesma de mulheres magras”, definiu a médica.

Mulheres que estão acima do peso geralmente podem usufruir da maioria dos métodos contraceptivos, como DIU, implante, anel contraceptivo e pílula combinada. O que precisa receber a atenção é o modo com que a mulher vai aderir os métodos e a taxa de continuidade, explicou a obstetra.

“Em mulheres obesas que ainda não têm comorbidades como diabetes, hipertensão e alterações das taxas de colesterol, não há contraindicacão para o uso de métodos hormonais. Mas devemos ser cautelosos, pois são pacientes com maior risco para trombose venosa e doenças cardiovasculares. Além disso, para as mulheres com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 30, o risco de trombose é duas vezes maior do que para as que apresentam o índice menor que 25. Por isso a paciente deve ser avaliada de forma mais criteriosa, em intervalos menores, e fazer periodicamente exames clínicos e laboratoriais com avaliação da pressão arterial, glicemia, e perfil lipídico, entre outros”, salientou.

Os efeitos trombóticos podem ser ampliados se a paciente tiver as comorbidades. Portanto, não devem ser ingeridas as pílulas combinadas, por conter o hormônio etinilestradiol (estrogênio) no comprimido, o que aumenta os efeitos já citados.

“Nesse caso, deve-se prescrever a pílula que contém somente o hormônio progestagênio (desogestrel), que ainda evita os efeitos colaterais provocados pelo estrogênio, como náuseas, dores de cabeça, mastalgia e edema, e pode ser usada durante a amamentação. Essa pílula tem a mesma eficácia (99%) e o mesmo mecanismo de ação das combinadas mais modernas”, garantiu a especialista.

Saiba mais

O índice de massa corporal (IMC) é reconhecido como padrão internacional. O IMC é calculado dividindo o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em m). A fórmula matemática é IMC = peso/altura².

Classificação, segundo o IMC obtido:

- Abaixo de 18,5: adulto com baixo peso;

- Maior ou igual a 18,5 e menor que 25: adulto com peso adequado (eutrófico);

- Maior ou igual a 25 e menor que 30: adulto com sobrepeso;

- Maior ou igual a 30: adulto com obesidade.