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Entretenimento
ESPETÁCULO

Ao lado de estrelas da TV, ator amazonense integra musical sobre a cultura brasileira

Musical "Rio Mais Brasil" fala sobre as dificuldades de ser artista no País e tem no elenco o ator Clayson Charles, de 28 anos 01/10/2017 às 05:00
Show amazonense
Clayson Charles tem 28 anos e é um ator amazonense (Foto: Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Em circulação por todo o Brasil, o espetáculo musical “Rio Mais Brasil”, dirigido por Ulisses Cruz e inspirado na obra “O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, retrata toda a batalha da produção cultural no País. No elenco, entre renomados atores como Cris Vianna, Leonardo Vieira e Cláudio Lins, um ator amazonense vem garantindo o seu espaço e levando o nome do Estado – literalmente – a diversos palcos pelos quais passa. O amazonense em questão é Clayson Charles, 28 anos. Ator e palhaço experiente, o jovem manauara arrumou as malas rumo ao Rio de Janeiro e está vivendo o sonho de atuar e cantar.

O espetáculo musical é realizado pela Turbilhão de Ideias Entretenimento e possui no seu elenco 20 atores fixos. A montagem fala sobre o Brasil atual e as dificuldades de ser artista. “Ele conta a história de uma produtora chamada Cris Vieira, interpretada pela atriz Cris Vianna, que decide fazer um filme e começa a correr atrás de patrocínio para a produção. A obra conta a dificuldade dos artistas em realizar o projeto, os patrocínios perdidos, o fato de fazer arte só com o que se tem. Conta isso que nós, artistas brasileiros, passamos. Não só os cariocas, mas em todo lugar”, destaca Clayson.

“Rio Mais Brasil”, por meio de todos os seus personagens, faz um passeio por cada região do País. Cada um deles representa um estado e tem a oportunidade de falar, em momentos seletos, sobre a sua cultura. A trilha sonora do espetáculo aborda músicas que representam cada região brasileira. Na produção, Clayson teve a sorte de representar o próprio Amazonas com o personagem José, e, no próprio texto do musical, tem a chance de falar sobre as belezas de sua terra, que são as florestas e as lendas.

10 anos em 3 minutos

Para ganhar o papel de José, Clayson passou por um extenuante processo de seleção, que durou uma semana. Antes disso, na primeira fase da seleção, Charles enviou o seu material de divulgação pela Internet, e se fosse selecionado, ganharia o direito de participar da seleção presencial no Rio de Janeiro. Ao todo, 150 artistas de todo o Brasil foram selecionados para a seleção “in loco”. “No primeiro dia, você só ia lá e cantava, além de fazer a entrevista. Em três minutos de audição, tive que mostrar 10 anos de carreira. Passei na fase do canto, na fase da dança, e teve a última seleção, que uniu percussão corporal e canto, já com o diretor do espetáculo”, conta ele.

Após fazer todos os testes, Clayson retornou a Manaus numa segunda-feira. Na terça, o ator recebeu uma ligação dizendo que ele havia sido selecionado para o elenco oficial, em abril. Recebeu, então, o ultimato: deveria voltar ao Rio de Janeiro na semana seguinte, para dar início aos ensaios. “Tive que resolver em cinco dias toda a minha vida e me mudar para o RJ”, diz ele, que, em Manaus, sempre foi ator, palhaço e contador de histórias, com trajetória na Cia. de Teatro Metamorfose. “Também sempre cantei em banda, em igreja. A música sempre esteve comigo”, conta o ator.

O musical, que ficou em cartaz no Rio de Janeiro até agosto, começou a circular em setembro pelo País. “Nós ensaiamos em torno de oito horas por dia, e teve um dia que ensaiamos 15 horas. É uma dedicação árdua, com canto, dança, música e instrumento, porque o espetáculo não tem orquestra. Tocamos todos os instrumentos e é uma dificuldade maior”, conta ele, que se sente honrado em representar o Amazonas no projeto, mas que ainda não sabe o que fará após a temporada do espetáculo. “O futuro a Deus pertence, vou dar um passo de cada vez”.

Saiba mais

Durante o musical os atores tocam instrumentos inusitados como ganzá, berimbau de boca e até mesmo uma bacia d’água tem sua função musical. Músicas como “Aquarela do Brasil” e “Caçador de Mim” ganham novos arranjos sob a técnica de percussão corporal, que consiste em utilizar os sons do próprio corpo, por meio de palmas, batuques e afins.