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Após um ano sem Amy Winehouse, biografia do pai revela inspiração para 'Frank'

Os fãs poderão tirar suas próprias conclusões daqui a duas semanas, quando o livro chegará em versão traduzida ao Brasil, com 380 páginas de confissões e relatos do pai de Amy 23/07/2012 às 07:27
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Amy Winehouse
uol/música ---

Conhecida por deixar nas letras de suas músicas a dor e a alegria de seus relacionamentos amorosos, Amy Winehouse também utilizou o método que a consagrou em "Back to Black" como inspiração para escrever as canções de "Frank", seu álbum de estreia. Quem confirma é o próprio pai da cantora, Mitch Winehouse, autor da biografia "Amy, Minha Filha" (Editora Record), prevista para ser lançada no Brasil em 3 de agosto. A descoberta do corpo falecido da cantora na residência no bairro de Camden, em Londres, completa um ano nesta segunda-feira (23).

Se no segundo disco de Amy o namorado-encrenca Blake Fielder-Civil era celebrado no contexto de faixas como "You Know I'm No Good" e "Tears Dry On Their Own", o primeiro álbum da cantora britânica foi o espaço encontrado por ela para dar vazão a outra desilusão amorosa, segundo o pai: Chris Taylor, um jornalista que trabalhava na agência de notícias online World Entertainment News Network (WENN), onde a própria Amy chegou a estar empregada antes da carreira deslanchar.

O namoro entre os dois durou apenas nove meses, mas foi o suficiente para deixar a jovem cantora arrasada. Mas, para Mitch, aquele primeiro impacto do amor foi decisivo para motivar a criatividade de Amy.

A revelação é feita no terceiro capítulo da biografia, quando o pai da artista conta como Amy entrou para a National Youth Jazz Orchestra (NYJO), projeto que revela jovens talentos para cantarem com "big bangs" de jazz em grandes palcos britânicos. Amy se juntou ao grupo logo após deixar a escola de teatro de Sylvia Young, responsável por ajudar na trajetórias de outros artistas como Emma Bunton, a "Baby" das Spice Girls, e Tom Fletcher, músico da banda teen McFly.

O ano era 1999 e Sylvia, que mantivera contato com Amy, comentou sobre a então adolescente de 16 anos com o diretor musical e fundador da NYJO, Bill Ashton. O objetivo era fazer com que a garota passasse por um teste, mas Ashton afirmou que Amy deveria simplesmente aparecer por lá. A primeira chance de integrar o coro da orquestra surgiu quando uma das cantoras não pôde se apresentar. Sem sentir a pressão da estreia e mesmo com pouco tempo para decorar as músicas, Amy foi bem sucedida e começou a se apresentar regularmente com o grupo. Foi lá onde ela participou de uma de suas primeiras gravações.

Mitch chega a dizer no trecho que a voz da filha em "The Nearness of You", clássico de 1938 cantado por Amy durante os dias na NYJO, superou a versão de lendas do jazz e da música popular norte-americana como Frank Sinatra e Ella Fitzgerald.

Mas o encontro com Chris Taylor aconteceria somente mais tarde, quando Amy já havia feito contatos na área musical como Nick Godwyn e Nick Shymansky, da agência de relações públicas Brilliant!, empresa vendida depois à 19 Management, grupo do empresário SimonFuller, responsável pelo sucesso das Spice Girls. Os contratos de Amy com as duas companhias foram assinados por Mitch e Janis, a mãe da cantora, pois Amy ainda era menor de idade.

Amy estava perto de completar 18 anos e resolveu arranjar um emprego diurno como escritora de roteiros na empresa onde Chris trabalhava. A dupla começou a andar junta e, segundo o pai, os dois tornaram-se inseparáveis, com Amy apresentando um semblante feliz e um jeito de andar "mais animado".

O fim da história de amor ocorreu, na opinião de Mitch, por conta da personalidade forte da filha, que Chris supostamente não aguentou. Segundo o pai, Amy mandava no relacionamento e o jornalista, "apesar de bom sujeito", não era o tipo de homem que conseguiria "segurar" a cantora.

O trecho ainda destaca elogios ao desempenho da cantora no palco feitos por Annie Lennox, que a viu se apresentar no claustrofóbico Cobden Club, em Londres, no ano de 2002. "Sua filha vai ser famosa, uma grande estrela", disse Annie aos pais de Amy, segundo o relato de Mitch. A aposta era a mesma da 19 Management, que recomendou aos pais de Amy que a cantora assinasse contratos com empresas diferentes, já que havia muitas interessadas em gerir a carreira da artista em ascensão.

Foi quando surgiu Guy Moot, representante do departamento de artistas e repertório da EMI, gravadora que colocou Amy ao lado de Salaam Remi e Commissioner Gordon, produtores do álbum "Frank". Era a oportunidade da cantora finalmente colocar em áudio tudo o que ela havia aprendido com Chris.

Pouco tempo depois, Amy deixaria a 19 Management para ingressar na Metropolis Music, na mesma época em que encontrou o produtor Mark Ronson, que ajudou a cantora a conceber parte do material que iria formar o disco "Back to Black", que ascendeu Amy ao patamar de nova diva do soul no mundo. Esta parte da vida de Amy foi revelada pela revista Rolling Stone, que divulgou na íntegra um outro trecho da biografia escrita por Mitch Winehouse. No trecho mais marcante, Amy conta a Ronson, durante uma caminhada pelas ruas de Nova York: "eles tentaram me fazer ir para a clínica de reabilitação, mas eu disse a eles não, não, não". A frase virou o refrão do primeiro sucesso de Amy, "Rehab".

Escrito com o objetivo de arrecadar fundos para a Amy Winehouse Foundation, organização criada por Mitch para lidar com jovens com problemas com drogas e álcool, a biografia contou com material fornecido pela própria cantora, que escrevia ao pai regularmente. Publicações britânicas como o jornal "The Guardian" destacam a parte final da obra, que mostra o desespero do pai ao notar que sua filha se perdia no vício.

Já os fãs poderão tirar suas próprias conclusões daqui a duas semanas, quando o livro chegará em versão traduzida ao Brasil, com 380 páginas de confissões e relatos do pai de Amy, figura marcante na trajetória da artista britânica.