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Casais diferenças

Aprenda a lidar com as diferenças na vida a dois

Especialistas alertam para necessidade de compreensão e ajuda mútua entre o casal para evitar problemas no relacionamento 14/07/2012 às 12:52
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Casais devem aprender a cultivar a convivência e a cooperação mútua para conseguirem ser felizes
Heloísa Noronha Do UOL ---

É verdade: os opostos se atraem. Mas isso ocorre na física, e não necessariamente nos relacionamentos amorosos. "Ao contrário do que se diz no senso comum, são as semelhanças, e não as diferenças, que facilitam a vida de um casal”, afirma a psicóloga e terapeuta sexual Isabel Delgado. Assim, quando aspectos fundamentais da personalidade de cada um são contraditórios, as relações enfrentam vários problemas que vão da impaciência à tentativa de ser o terapeuta do parceiro, o que pode acabar com a relação. “Outro aspecto perigoso é a tentativa de impor seu jeito de ser”, diz Isabel.

Por outro lado, quando um reconhece no outro uma melhor capacidade de lidar com uma situação, é preciso tomar cuidado para que não se desenvolva uma relação de dependência da opinião (ou da vida) do parceiro. A melhor união é aquela que conta com colaboração e ajuda mútuas. “Embora a tendência de muitas pessoas seja a de se envolver com quem tenha características complementares às suas, num relacionamento a dois é importante que cada um possa aprender e se desenvolver com o outro naquilo que ele traz de diferente para a relação”, afirma a psicóloga Miriam Barros, especialista em terapia familiar e psicodrama.

O UOL Comportamento consultou especialistas que comentaram seis situações típicas de diferenças estruturais de personalidade. “São questões em que a compreensão e a ajuda mútua serão imensamente importantes para ajudar e validar o processo de harmonização das diferenças”, diz Alexandre Bez, psicólogo especializado em relacionamentos pela Universidade de Miami (EUA).

Um é autossuficiente, o outro é acomodado

Para o psicólogo Alexandre Bez, as diferenças irão se manifestar negativamente em todos os pontos, especialmente na hora de tomar decisões. “A pessoa que é autossuficiente atende às demandas de forma ativa, já a outra não consegue lidar com as escolhas que a vida impõe, pois tem uma personalidade passiva”, diz. Para ele, essa situação é um pouco pior quando o “banana” é o homem. “Pelas condições culturais em que vivemos, é comum esperar que ele seja naturalmente ativo”, afirma ele.

Solução: quem é mais ativo deve avaliar e tentar compreender a personalidade do outro, em vez de simplesmente aceitar ou até mesmo reforçar a acomodação. É um trabalho de apoio visando uma provável mudança. Confiar pequenas tarefas pode incentivar o passivo a começar a realizar novas atividades, o que certamente vai reforçar sua autoestima e ajudar a ver a vida com perspectivas diferentes.

Um é otimista, o outro é pessimista

Pessoas com pensamentos pessimistas se envolvem com pessoas otimistas na tentativa de restabelecer o brilho da vida e a esperança. “Os extremos dificilmente são bons, então o otimista precisa olhar os fatos com um pouco mais de realidade, sem negar as partes difíceis, e o pessimista precisa aprender com o otimista a pensar com mais esperança e perceber que as coisas podem dar certo”, afirma a psicóloga Miriam Barros.

Na opinião da psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, essa relação tende ao fracasso. “Se o indivíduo com crenças e comportamentos pessimistas não conseguir inverter seus padrões de pensamentos, depois de alguns anos a situação se torna insustentável. O sujeito otimista, além de não conseguir motivar positivamente seu par, acaba minando as próprias energias e desperdiçando suas oportunidades de felicidade”, diz ela. “Os planos e as ideias que o casal tem podem até se complementar e fazer parte de um mesmo objetivo, mas em função do pessimismo e do otimismo, não conseguirão chegar à uma conclusão em comum”, afirma o psicólogo Alexandre Bez.

Solução: para enfrentar a situação é fundamental que a parte mais saudável reconheça o negativismo como sintoma de algum transtorno do humor ou uma maneira inadequada de perceber a realidade, e busque ajuda para descobrir que a vida com mais entusiasmo é mais leve e melhor de se viver. “O melhor é substituir lamentações ou críticas por coragem e incentivos para ajustar a percepção a níveis realistas”, diz Mara Lúcia. “E é bom ajudar o pessimista a resolver suas dificuldades entendendo que esse temperamento pode significar medo das situações ou uma discreta timidez, entre outras coisas

Um é inseguro no amor, o outro confia no próprio taco

Pessoas inseguras costumam buscar pares autoconfiantes para, de modo inconsciente, reforçar suas crenças de incapacidade. “É comum que a autoconfiança e os comportamentos adequados do par não sirvam de modelo ou inspirem mudanças no outro. Pior que isso, tendem a intensificar a relação de dependência da parte insegura”, diz a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira. Segundo o psicólogo Alexandre Bez, essas duas características do casal estão ligadas diretamente ao tipo de criação que receberam e de como seu desenvolvimento psicológico ocorreu. No caso da pessoa insegura, eventuais traumas ou ambientes instáveis podem ter contribuído para que ela ficasse assim.

Solução: o ideal é tentar descobrir de onde vem a insegurança para que, juntos, possam contribuir com as dificuldades do parceiro. É preciso conversar, apoiar, mostrar atenção e compreensão para devolver a segurança ao que sofre com a falta dela. “A pessoa que é mais autoconfiante pode ajudar a outra sendo consistente nas suas atitudes, cumprindo o que promete, estando presente e oferecendo uma relação de segurança”, afirma a terapeuta Miriam Barros.

Um é excessivamente autocrítico, o outro tem confiança no que faz

Os especialistas acreditam que relacionamentos entre autocríticos e confiantes são mais prováveis de resistir ao tempo, desde que um respeite o outro, sem comparações ou expectativas de igualdade de condutas. Para o psicólogo especializado em relacionamentos Alexandre Bez, a autocrítica faz parte do caráter que a pessoa desenvolve ao longo da sua vida e pode ser bem inconveniente para muita gente conviver com alguém assim, pois tudo estará sempre ruim. A autocrítica também é característica de pessoas inseguras e de personalidade instável, bem contrária ao perfil de quem é confiante.

Solução: é preciso diminuir as diferenças na convivência diária. Evitar criticar o autocrítico é válido para não aumentar sua insegurança e instabilidade. “O confiante precisa mostrar que está satisfeito com o outro, para fortalecer sua confiança”, afirma Bez.

Um apela para a vitimização, o outro toma as rédeas da situação

Quem gosta de se fazer de vítima apela para o lado emocional. Essa reação está ligada à carência ou a uma frustração amorosa, e o caminho que encontra para lidar com isso é chamando a atenção. Quem tomas as rédeas da situação costuma ser mais seguro de si e pode até dar um equilíbrio para a relação. Segundo a psicoterapeuta Miriam Barros, quando há um parceiro que toma a frente e resolve as coisas, aquele que se vitimiza acaba se acomodando e incorporando cada vez mais o papel de coitadinho. 

Solução: é importante saber os motivos que levaram a pessoa a fazer chantagens emocionais e tentar entendê-los para realizar mudanças.  Além disso, aquele que toma as rédeas precisa se segurar um pouco e ajudar o outro a tomar decisões e deixá-lo resolver os problemas. Para isso, nada melhor do que boas doses de paciência para deixar o outro fazer as coisas do jeito dele –e apoiá-lo nisso.

Um se acha o centro do universo, o outro tem autoestima saudável

Relações entre pessoas egocêntricas e aquelas bem ajustadas emocional e socialmente só são duradouras quando as do segundo grupo são tão apaixonadas e compreensivas a ponto de não se afetar com o egocentrismo de seu par. “Um indivíduo que necessita permanecer no centro das relações precisa de pares que ocupem papéis secundários”, diz a psicóloga Mara Lúcia Madureira. É um romance difícil de dar certo. “Quem se sente o centro do universo estará se relacionando o tempo todo consigo mesmo, pois não enxerga o outro. Manter um relacionamento nessas bases significa viver se anulando ou brigando para poder existir. A pessoa que tende ao narcisismo gosta mais de si, e não do próximo”, diz a terapeuta Miriam Barros.

Solução: o mais recomendado para esses casos é uma terapia psicoterápica intensa, na tentativa de mudar a personalidade do narcisista, caso ela seja maleável. No entanto, esforçar-se em compreender a pessoa com autoestima prejudicada também é muito importante, ainda que haja sofrimento. Para Miriam Barros, a pessoa que se sente o centro do universo normalmente se dá conta de que precisa amadurecer ou buscar ajuda profissional depois que perde relações importantes na vida.