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Arte que se vê sob dois olhares contemporâneos

O BEM VIVER propõe, a partir de hoje, um diálogo entre artistas de diferentes gerações, por meio da série de reportagens Encontros. Publicada sempre aos domingos, a série buscará apresentar a ótica de representantes de diversos segmentos da cultura e da arte. 16/06/2012 às 20:43
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Paulo Trindade e Óscar Ramos em encontro na Praça Heliodoro Balbi
Rafael Seixas Manaus

A iniciativa estreia dedicada às Artes Visuais, e os protagonistas do primeiro encontro são Óscar Ramos, artista com mais de meio século de carreira e um dos integrantes do extinto Clube da Madrugada, e o Paulo Trindade, integrante do Coletivo Difusão e explorador de várias linguagens das artes visuais.

Esse encontro ocorreu na Praça Heliodoro Balbi, antiga Praça da Polícia, ponto de encontro das personalidades que fizeram parte do Clube da Madrugada. De acordo com Óscar Ramos, que iniciou sua carreira aos 17 anos de idade, o que existe de mais interessante no atual cenário das artes visuais é uma tomada de consciência da sociedade de maneira geral.

“Isso foi estimulado, sobretudo, pela Secretaria de Estado de Cultura. Não há como negar que o secretário de Cultura, Robério Braga, é o criador dessa nova consciência que nós amazonenses temos. Isso levou a conscientizar sobre a necessidade de atitudes especializadas, como a formação de galerias para os artistas plásticos, ou a formação de um mercado de arte, que será extremamente estimulado pelas ações das galerias. Essas coisas, eu acho, começam a acontecer em Manaus”.

Presente

Paulo Trindade, que fez sua primeira exposição em 2004, também é otimista, pois atualmente se pode ser o que realmente deseja, na arte ou em qualquer outra área, tendo ainda mais recursos e até acesso à informação. “Já temos duas turmas de Artes dentro das universidades, temos curso de Design na maioria das faculdades. E isso de alguma forma estimula a criatividade, a concepção de novos projetos, também dentro do digital, que é fabuloso. Não é uma questão de anular o passado. Estamos no momento de transição, onde devemos nos entender dentro dessas duas vias, pois uma completa a outra”, diz.

Mais espaços

O circuito de exibição está mais desenvolvido, pois na década de 50, época em que Óscar começou, só existiam três locais para expor trabalhos, ou melhor, saguões. Segundo ele, apenas no Teatro Amazonas, no Ideal Clube e na Biblioteca Pública do Estado era possível mostrar o que se produzia. Hoje, Manaus conta com várias galerias e ações, como é o caso da Pré-Bienal de Artes.

“Ela (Pré-Bienal) foi uma coisa incrível, muito bem feita, organizada. A gente teve uma mostra riquíssima do trabalho do Di Cavalcanti feito em papel e lápis. E tudo isso vai formando mentalidades”, falou o artista, que admira como ficou mais fácil ter acesso à informação. “Quando, em 1955, pensava que poderia dizer vamos para a ópera? Você ia ao Teatro Amazonas para ver colação de grau do Colégio Dom Pedro II”.

Tema recorrente

Apesar dos anos terem passado, muitos artistas seguem explorando em suas obras o conceito da paisagem amazônica, algo que Óscar detesta. “Odeio, só o conceito me dá arrepios”, revelou ele, informando que isso começou com Branco e Silva (artista plástico já falecido) e que o seu negócio sempre foi pintar o corpo humano.

“O que é mais retratado hoje talvez seja a mata, a floresta, mas de outra forma, com outro olhar, usando outros suportes como a fotografia. Por exemplo, saímos de ‘n’ exposições que retratam ângulos que não são necessariamente aquele da paisagem amazônica: com uma linha no horizonte, o rio embaixo, com a floresta no meio... Hoje se vê a floresta de cima, de dentro até”, disse Trindade.