Publicidade
Entretenimento
Vida

Artistas amazonenses são destaque pelo mundo

O mundo é pequeno para os artistas amazonenses! Divulgação As fotografias de Menassa mostram a beleza da Amazônia em exposições 25/02/2012 às 14:51
Show 1
Exemplos de perseverança e garra, esses artistas decidiram deixar a terrinha para alçar novos voos, mas a saudade nunca os deixa esquecer as raízes
MELLANIE HASIMOTO Manaus

O Brasil, País com dimensões continentais, exporta talentos há muito tempo. Gente da arte leva seu talento para diversas partes do mundo – e os amazonenses não estão fora dessa. Exemplos de perseverança e garra, esses artistas decidiram deixar a terrinha para alçar novos voos, mas a saudade nunca os deixa esquecer as raízes.

 Acostumado com o calor amazonense, o bailarino Wallace Jones trocou Manaus por Linz, na Áustria. Mas as temperaturas baixas (na quinta-feira fez -8ºC) não esfriaram seu sonho. “Sempre pensamos em morar fora de Manaus, ter uma nova oportunidade, mas a Europa surgiu de uma hora para outra”, contou.

Sorte

A oportunidade de ouro de Wallace foi tão boa que, ao contrário do que muitos outros brasileiros passam quando vivem no exterior, ele trabalha em sua área. “Tive sorte. Desde que cheguei aqui só fiz uma audição, e fui convidado para as duas companhias em que trabalho”, comemora. Trabalhando em um espetáculo – “As Quatro Estações”, de Vivaldi –, o bailarino de neoclássico e dança contemporânea diz que, apesar das saudades da comida amazonense, o tratamento dispensado aos cidadãos é o que mais lhe chama a atenção ao morar na Áustria.

“Aqui levam a sério quando digo que sou bailarino, pois a arte é valorizada”, ressalta.

Dignidade

Aos 42 anos, o também bailarino Robson Tadeu está vivendo o “american dream”. Morando em Los Angeles, Califórnia, desde 2006, o Robson dá aulas de dança, diz que não pretende abandonar a carreira tão cedo e, assim como seu amigo Wallace, comemora porque conseguiu trabalhar em sua área de atuação desde quando pisou em solo norte-americano. A chance de continuar dançando “até quando o corpo não puder mais” é seu grande motivador.

“No Brasil há uma cultura de encerrar a carreira cedo, mas aqui não é assim. Quando fiz 35, senti que queriam me jogar para escanteio, mas na minha cabeça ainda não é a hora certa. Claro, não posso competir com um garoto de 18 anos, mas aqui tenho dignidade, continuo trabalhando e sendo respeitado”, declarou.

A crise que atingiu os EUA nos últimos anos foi uma prova de fogo para Robson.

“Foi difícil, e muita gente perdeu o emprego, amigos meus tiveram de voltar para casa, mas aqui todo mundo procurou se ajudar”, completou. “Foi uma situação que faz parte da minha história pessoal. A primeira coisa cortada foi a arte. A prioridade, principalmente aqui em LA, é Hollywood. Mas os trabalhos estão voltando gradativamente, e nunca me imaginei nessa situação. Mas é como dizem, tudo o que não mata, fortalece. Foi um aprendizado”.

Retrato

O fotógrafo Jacques Menassa, radicado no Líbano há 10 anos, mostra em seus trabalhos a mistura das duas culturas. De família amazonense e conhecido pelo seu trabalho ligado às belezas da Amazônia, o fotógrafo não esquece do lugar.

“Já realizei várias exposições sobre a Amazônia e seu povo maravilhoso. A região continua sendo um sonho de todos os pesquisadores, aventureiros, cineastas, fotógrafos e artistas”, disse. Atualmente participando do 19º Festival Internacional Al-Bustan 2012, a arte de Menassa é consagrada junto a outros artistas da América Latina.

“Estou com saudades de Manaus. Tive sorte de ter uma família maravilhosa aí, além de muitos amigos. Só carrego lembranças boas da minha passagem pela cidade. Sinto saudades do Teatro Chaminé, das ruas antigas de Manaus, do cheiro das frutos e dos peixes”, conta.

Multi

Também não dá para esquecer de outros artistas que ganham a vida e levam seu talento mundo afora. Vivendo na Guatemala, a cantora Felicidade Suzy é uma prova de que as raízes permanecem. Ela ainda canta e encanta por onde quer que passe. Mas, apesar de ser conhecida pelo poder da sua voz, a cantora também envereda pelo ramo das artes plásticas, com seus quadros da série “Vermelho”.

Na Grécia, a representante da terra é a atriz Lis Nobre, que leciona cursos de teatro, clown, acrobacia aérea e treinamento do ator na Escola Andriani Marouli e Centro Olympiada de Zakynthos.