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Artistas que mudaram de gênero musical apontam motivos para mudança

Grandes conhecidos da música amazonense continuam animando o público, mas com uma sonoridade bem diferente que antigamente 26/01/2013 às 12:52
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Raiff Matos deixou de cantar no bumbá Caprichoso devido a ter conhecido o evangelho de Deus
Rafael Seixas ---

Muitos artistas que “bombam” atualmente no cenário musical local e nacional eram conhecidos por trabalhar com outros gêneros musicais no passado. A reportagem do BEM VIVER reuniu alguns desses nomes que continuam animando o grande público, mas com uma sonoridade bem diferente.

Este é o caso do cantor sertanejo Luis Eduardo Dornellas, figura carimbada de várias casas noturnas deste segmento na cidade. Durante muito tempo, ele, que é natural de Juiz de Fora (MG), foi vocalista da banda de rock ‘n’ roll Essence.  Segundo ele, a mudança de estilo não teve nada a ver com o mercado – hoje dominado pelo sertanejo universitário –, mas sim porque a música sertaneja faz parte de suas raízes.

“Cresci ouvindo música sertaneja, ela está na minha raiz por eu ser do interior. A mudança (de gênero) foi bem natural para mim. Em 2008, lancei um álbum de música sertaneja somente com canções autorais”, disse Dornellas, que chegou à cidade de Manaus em 2004, assumindo os vocais da Essence no mesmo ano.  “Comecei o meu trabalho em 2008, antes do ‘boom’ do sertanejo (universitário). Isso tudo simultaneamente, porque ainda estava na Essence. Fiquei nela até 2010”, complementou o artista, que vive de música, como o próprio diz, desde sempre.

Ele concorda que ficou mais conhecido como cantor sertanejo, do que como vocalista de um grupo de rock. “Na banda eu era uma das cabeças que pensavam, no meu trabalho (solo) sou a única que pensa. Tenho toda a autonomia, apesar de ter minha equipe, que sem ela não teria como trabalhar, mas a cabeça dela sou eu”, explicou Dornellas, revelando ter sofrido preconceito no início de sua carreira como cantor sertanejo, devido ao fato de ter feito parte de uma banda de rock.

Aposta

Outro que decidiu se render à música sertaneja foi o grupo de axé Tô à Toa que, embora explore em suma este ritmo em seu repertório, ainda toca algumas coisas de axé. “Como todos nós notamos, hoje o sertanejo universitário invadiu o País inteiro, ocasionando não só a queda do axé como também de outros ritmos.  A nossa banda sempre teve um repertório eclético. (...) Com a alta do sertanejo, começamos a tocar mais esse estilo, não que deixamos a nossa essência da formação, no caso o axé”, explicou Michael Lacerda, vocalista do Tô à Toa, afirmando que tal modificação foi uma questão mercadológica e que nunca sofreu nenhuma rejeição do público.

Sobre o mercado de axé na cidade e no Brasil como um todo, Lacerda acredita que esteja cada vez mais fraco. “Hoje já não temos mais tantas festas de axé em nossa cidade, e no País são poucos os artistas do gênero que se destacam, como Ivete Sangalo e Claudia Leitte. Elas mesmas não carregam mais a essência do verdadeiro axé, elas estão mais para o lado do pop”.

Influências


A cantora Marcia Novo, além de tirar os acentos de seu nome e sobrenome, deixou de lado o samba-rock para se aventurar no universo do pop, algo bastante presente no seu último álbum, o “Amazônia pop”.  “Ampliei os meus horizontes musicais, conheci novos estilos, novas tendências, novas pessoas, novos lugares, que acabaram por repaginar o meu samba-rock. Para mim ser artista é ser uma metamorfose ambulante”, disse a cantora, que mora atualmente em São Paulo.

Quando questionada sobre sua preferência musical – samba-rock ou pop – ela é categórica: “Minha pegada é pop, ou seja, sempre aberta para novas tendências e musicalidades”.

Novo caminho

Já no caso de Raiff Matos, ex-cantor do bumbá Caprichoso, a mudança veio após seu contato com o Evangelho. “A partir do momento que comecei a estudá-la (Bíblia), ler os princípios, vi que muitas coisas na minha vida precisavam se alinhar aos princípios de Deus. Nesse estudo fui me apaixonando e querendo colocar em prática o que aprendia”, contou ele, que atualmente é cantor gospel, tendo lançado em 2010 o disco “Louvor da Amazônia”.

Ao contrário de alguns, Raiff Matos sofreu certo preconceito ao mudar de segmento. “Dei meu testemunho no Carnaboi, parei o trio elétrico e falei o real motivo pelo qual decidi seguir este caminho. Falei que tinha achado a felicidade que o mundo não podia me proporcionar”, relembra ele. O músico diz ter sido taxado de várias coisas devido à sua escolha, mas seguiu em frente: “Fiquei mais voltado para as atividades da Igreja”.